domingo, 8 de agosto de 2010

a caminho

de outra coisa qualquer,

este blogue acaba aqui.

Teve pretensões a um espaço de partilha. Analisar o trabalho diário, divulgá-lo inter-pares (nasceu no ano das 3 turmas de AP dança) reflectir sobre ele. Depois, estimular, provocar, evocar, sonhar.

Nunca foi bem o que se ambicionou e isso não tem mal. Foi outra coisa qualquer - parece que gosto desta sequência de três palavras - com um cariz pessoal cada vez mais marcado.

A dança continua, no próximo ano, nas mãos da prof. Helena Duque. Para mim - e aqui sim - o objectivo foi plenamente alcançado. Teve a ajuda de uma conjuntura favorável; por coincidência, no ano da primeira edição começou também na televisão portuguesa o primeiro daqueles programas populares de dança. Se ainda há a tradicional renitência em dançar, ela é cada vez menor e os alunos da AP dança foram sem dúvida agentes de mudança na nossa escola.

As minhas preocupações são cada vez mais outras, o que aliás já reflecti aqui por várias vezes. Ando doente com os problemas do ambiente e da nossa inércia; tentei lançar um novo projecto nessa área e na da intervenção da cidadania. O ReAge! (mantive o ponto de exclamação, o imperativo do Afonso) teve apenas uma inscrição no universo dos alunos do 12º ano. Não é, como é óbvio, uma preocupação partilhada pelos alunos. Um amigo, ao saber do desaire, tentou consolar-me "os miúdos hoje já não têm pachorra para esse tema, nasceram com as alterações climáticas, o aquecimento global, estão fartos disso". Pois. Não deixa de me surpreender.

Veremos se saberei encontrar uma forma criativa de os cativar, afinal passei estes anos a repetir que temos de encontrar soluções para os problemas, fora os apelos à não rendição.

E é isto. Teve uns momentos especiais, outros mais tensos, e à sua maneira e no seu cantinho, fez parte do projecto Dança Camões.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

sementes

de tenacidade.

Em 21 de Março plantou-se uma árvore na escola. A iniciativa partiu da Comissão para as comemorações do centenário da República e teve por objectivo sensibilizar-nos a todos para a preservação do património florestal.

(encontrado um cartaz melhor)

Teve frutos imediatos, e digo-o ironizando (acredito que teria acontecido de qualquer modo), com as petições, abaixo-assinados, acções de sensibilização contra o abate, salvem as árvores do Camões que se seguiram.

O local escolhido para a plantação da nossa tília juvenil foi, no mínimo, inusitado. Com efeito, aquele canto do parque de estacionamento, o árido alcatrão envolvente conduziu à pergunta inevitável "mas porquê ali?". A resposta era, afinal, simples: "porque é o único sítio da escola cujo solo não vai ser mexido, todos os outros vão ser escavados quando as obras arrancarem".

Simples, de facto. Ainda assim não conseguimos deixar de sofrer com ela, ali tão sozinha, isolada no meio do alcatrão.

A verdade é que num instante engrossou e as folhas cresceram com viço. O sr. Adelino cuidou dela, regando-a com regularidade. A dado ponto, levado pelo seu entusiasmo de horticultor plantou naquele pequeno quadradinho umas sementes de abóbora.

A planta cresceu num ápice, rastejou pelo alcatrão em direcção ao muro. Folhas grandes e também viçosas, descremos todos que, naquelas condições hostis, fossem capazes de dar fruto.



E, no entanto, eles aí estão. Esta belíssima abóbora poderia estar numa qualquer horta de quintal e que está acompanhada de uma mana do mesmo calibre e ainda outras duas mais pequenas (uma à esquerda, na foto).



Em condições na aparência adversas surgem por vezes os mais belos frutos.