foto de Maria João Alves, uma das professoras
Se tem sido uma canseira quer para conciliar com a escola, quer porque não temos pernas para isto - como disse, as professoras não brincam em serviço, o ritmo é alucinante - mesmo os mais novinhos ficam derreados, por outro tem sido revigorante. O regresso às aulas sabe sempre bem, seja ele no final das férias, seja a espaços na vida de professor. Ir para a aula sem ter de a preparar ou de conduzir, empenharmo-nos apenas em estarmos concentrados para aprender o mais possível, não nos mortificarmos se correu mal nem analisá-la à exaustão é mesmo muito bom, é quase como férias. Melhor em alguns casos.
Esta acção é muito boa, as professoras levam tudo muito a peito, não estamos ali para brincar nem para passar tempo. Uma delas, por acaso, é bem brincalhona, um palhaço a bem dizer, transforma cada aula num acontecimento ao mesmo tempo que nos estafa como se não houvesse amanhã.
É boa pelo conteúdo rico, é boa pela metodologia. A nossa avaliação consiste na criação e execução de uma coreografia concebida dentro do espírito das danças tradicionais portuguesas e europeias. A liberdade é quase total e o processo tem sido muito interessante. Por tudo, até pelos conflitos. Bom exagero, não aconteceram ainda, mas pelos diferendos. A mim, tem-me dado imenso gozo poder opinar, sugerir; não preciso, ao invés do que sucedia convosco, de aguardar pelo momento certo (sempre para além da metade, muitas vezes, naquelas fases iniciais, quase no fim da criação). Estou a adorar a criação.
Na última aula fomos por um caminho que eu não estava a achar interessante. Fui sugerindo mas o grupo ia noutra direcção. Às tantas, uma colega perguntou-me se eu achava que estava a ficar giro. Respondi que não, estremeceu admirada e magoada. Expliquei, amenizou-se o ambiente e depois de perceber o porquê, até concordou.
Achei graça, mesmo ficando mais uma vez incomodada com a minha falta de jeito para relações públicas (e/ou privadas) pois a reacção dela foi a de despeito "então nós somos tão giras, tão criativas, tão rápidas, fizemos isto num ápice e agora está aqui uma a dizer que não gosta?" de quem não trabalhou o suficiente. Isto é, a criação foi tão rápida que não amadureceu, as acções estavam encadeadas é certo, mas sem lógica, sem coerência, sem profundidade (juízo meu, claro, Teresa, a hipercrítica).
Hoje, numa circunstância bem diferente, sucedeu-me exactamente o mesmo. Numa apresentação de um trabalho meu que eu considerava bom, amadurecido, consistente, bem feito caramba!, a opinião geral foi contrária, que belo balde de água fria.
Uma questão de distância.