A meio da manhã, de uma manhã complicada, entre uma tarefa e outra, apercebo-me de uma mensagem no telemóvel "uma cadeira já está feita:)". Era uma afirmação da Vera, não exigia resposta imediata, com um sorriso ainda por cima, não a percebi mas não fazia mal, não lhe dediquei outro pensamento. Ficou porém, a retinir em segundo plano. Volta e meia ao longo do dia, interrogava-me sobre o artigo: "uma porquê?, só há uma estragada, o que é que ela quer dizer com o uma? Devia ter dito a cadeira já está feita. Feita? Devia ter dito arranjada (a cadeira está desmanchada)". E depois, logo a seguir "que pinta, ontem dedicou-se à costura (com efeito, ao chegar a casa e deparei-me com a prancha de surf muito bem protegida numa capa nova toda catita, feita em aproveitamentos de tecidos), hoje à carpintaria, mas que eficiência!"
O dia todo nisto, um dia cheio, não deu para me dedicar à decifração. Finalmente, no regresso a casa - nestes dias bonitos venho frequentemente, ao lado do rio, a pedalar até Algés - uma iluminação "que disparate! ela fez uma cadeira da faculdade, não tem nada a ver com a cadeira da cozinha que aguarda atenção. E nem lhe respondi a dar os parabéns..."

Este equívoco tem duas semanas, ontem finalmente arranjei vontade para o dito arranjo, a ver vamos se aguenta mais cinco anos. Não foi uma grande obra inicial de modo que vai necessitando de manutenção regular.
Nós nunca acreditamos quando nos dizem que vamos ter saudades daqueles dias simples em que a preocupação máxima é passar nos exames, pois é uma afirmação inconsequente. E é.
E ainda assim...