A oficina (e deveria estar a falar no plural) não correu de modo nenhum conforme previsto. Começou logo mal com a falta inesperada do nosso operador de som. Logo ele, que estava tão eficiente, que tinha o registo dos tempos, que já dominava o assunto de trás para a frente. Depois, alguém tinha, na véspera, sabotado o equipamento. Levaram o cabo que ligava o amplificador à mesa e primeiro que nós, bimbos, o percebêssemos, levámos dez minutos. Em seguida, mesmo com outro cabo que se desenrascou, as colunas recusaram-se a debitar o mais ínfimo decibel.
Plano B - a outra aparelhagem estava a postos mas teríamos de prescindir do microfone. Assim foi, não veio daí grande mal ao mundo pois a casa estava a modos que para o vazio. Não contei mas penso que se terá verificado um empate, havia tantos formandos como formadores. Pior, em termos do pretendido foi que havia apenas quatro pessoas que apareceram sem estarem em aulas, isto é, todos os outros estavam na aula da educação física.
Bom, estas oficinas foram sempre feitas nessa base, isto é, contactados os profs. de EF em aula e obtido o seu consentimento, era depois feita a divulgação para o resto da escola. É uma questão importante, esta da massa crítica, todos temos essa experiência por exemplo numa feira. Se uma banca estiver apinhada de gente, teremos curiosidade furaremos e lutaremos por uma peça de roupa. Se alguém ao lado a cobiçar, então é quase certo que a compraremos ainda que estejamos na dúvida. (sou de Carcavelos recordo, com larga experiência neste assunto)
Acontece também o mesmo, por vezes, nas aulas. Tenho mais más experiências com turmas muito pequenas que com grandes, independentemente do seus perfis.
Nestas oficinas o número de partida é mesmo importante. É claro que é preferível que todos os alunos estejam lá de moto próprio e muito motivados. Mas é como no "ouvir o silêncio", por vezes têm de ser forçados/convencidos. E depois, o resto fica por nossa conta. Tantas vezes, eles gostam.
Desta vez isso não sucedeu pelo que tínhamos, à partida, menos de 20 aderentes, quase todos da turma H. Valeu-nos o seu entusiasmo, a alegria que puserem na aula, o retorno que deram às suas colegas.
A sessão seguinte não ocorreu pois não apareceram "clientes". Há que tirar as ilações devidas. A divulgação teve a falha que constatámos no dia anterior: os que assistiram às divulgações nos pátios não fizeram a ligação directa para a oficina; algumas meninas a quem eu tentava cativar disseram-me ter percebido que seriam elas próprias a ter de dançar, isto é, perceberam que tinham de apresentar algo. A tal questão da leitura do cartaz, o primeiro provocador não foi lido como nós o escrevemos, o segundo idem, pessoal que vai para Marketing, atenção!
A época é má, estamos todos estafados, foi um ano muito cheio. O ideal para estas actividades é o meio do mês de Maio. Este ano não deu, que se tome nota para o seguinte.
Ainda assim, eu faço um balanço positivo. O produto não se realizou, é certo (não no total) mas o percurso foi bem trabalhado. Estávamos preparadas e a prova é que pelo menos este pedaço correu bem. O outro também teria corrido, tenho a certeza.
Um apreço para a solidariedade dos meninos da turma H que não se inibiram perante o preconceito. Impecáveis!
E o estilo? Céus, impecáveis, mesmo, divertidíssimos! Só por este pedaço já valeu a pena.