terça-feira, 8 de junho de 2010

culturas

No D. Dinis também, tínhamos uma cultura de convívio primeiro, competitividade depois, tudo a par do espírito desportivo. Os alunos eram incentivados a formarem equipas, tantas quantas quisessem dentro da turma (os torneios duravam 3 dias em cada período pelo que havia espaço para todos) e, ainda, a convidarem adultos dentro da comunidade escolar para integrarem as suas equipas. O princípio era que cada um podia apenas participar numa equipa pelo que os professores e funcionários (e havia muitos e muitas a alinharem) tinham de optar. Acontecia então como acontece agora que numa turma se formava uma super equipa; os melhores agrupavam-se e deixavam de fora os mais fracos. Estes que queriam também participar e queriam fazê-lo com tantas chances quantas possíveis (ou seja, não gostavam de ser massacrados), por vezes, convidavam professores. Isso era muito bom pois equilibrava muito os campeonatos. Apareciam sempre os velhos do restelo, aqui d'el rei que não é justo. A resposta do grupo era "e é justo os mais fortes excluírem os mais fracos?" Assim, todos jogam. E era verdade.

Há dois anos, encerrava-se o meu ciclo com a minha direcção de turma, fiz-me convidada para uma das equipas de basquetebol. Simpáticos, os rapazes, aceitaram-me. Foi um escândalo na escola "que não é justo e não é justo e diabo a sete". Ri-me, argumentando com os meus 45 anos (e de mulher) vs os 18 deles (de rapazes). Lá se calaram mas só quando fomos eliminados.



Depois, no volei a equipa, simpática, convidou-me de novo. Não fui nenhuma mais valia, bem pelo contrário e os competidores não se ressentiram. Aliás, fui massacrada com gosto e deliberação pelo serviço poderoso, dirigido de um jovem de um 12º ano de que já não me recordo. As nódoas negras nos braços, essas demoraram em passar.

Foi um privilégio, insistirei sempre nesta tecla, ter sido professora destes rapazes generosos que não olhavam a pontos.

Enfim, saudades...