quarta-feira, 30 de junho de 2010

outono


encontrei algumas, todas do outono, é a estação mais fotografada. Naturalmente. Aliás, não será por acaso o motivo escolhido para o cabeçalho do blogue. A alegria esfuziante das folhas que se prestam a abandonar a mãe e a dançar ao vento. Por si.

Que metáfora, hem?
(um piscar de olho com um sorriso)

instalações no

Verão, na nossa escola. Com arremedos de Christo em contenção orçamental.

A fotografia está uma trampa, reflexo da limitação conjunta dos meus olhos sem óculos e lente do telemóvel. É que nem dá para perceber o que lá está, só aqui no computador e com o auxiliar de visão percebo o borrão. Imaginemos que é de inspiração na pintura impressionista.

Esta está um pedacinho melhor. Para quem não identifique, a legenda: é a passadeira vermelha do baile de gala após lavagem. A criatividade manifesta-se nestas soluções.

domingo, 27 de junho de 2010

ciclos

as árvores do Camões




É curioso que tenho dezenas de fotos da alameda e dos plátanos no pátios em todas as estações do ano (menos as do Verão) e não sei em que pasta estarão arrumadas.

terça-feira, 22 de junho de 2010

um espaço

que nos espera.


Mesmo irritada, mesmo não apetecendo muito, vejo isto, o trabalho da profª Bárbara que andou na semana passada empoleirada no escadote, ela que tem medo de passar a pé na ponte 25 de Abril e que, lá em cima, embrenhada na sua tarefa de passar a fita por cima da viga, controla o seu medo e entusiasmo-me de novo.

Vamos a isso.

controlo

O que nós não podemos controlar é o que nos mete mais medo. Falo por mim. O terror que sempre sentia, quando noite dentro me dirigia às urgências pediátricas com uma criança ardendo em febre no banco de trás. O terror inominável que algo sucedesse, uma convulsão uma perda de consciência à qual eu não soubesse dar resposta. Estacionar, pegar-lhe ao colo, aguardar ao guichet, é a minha vez, depois a triagem, aguardar numa ansiedade galopante, brincar com ela como se nada fosse, o médico, raio-x, o médico de novo, despe, aguarda o efeito do ben-u-ron, banho, espera, tira a febre, ainda não, aguarda, brinca um pouco mais, tira de novo, já baixou, vamos lá então. Infecção pulmonar? Uff, que alívio, tem nome a doença, como se trata?

Há uns anos o meu irmão Filipe planeou e realizou uma semana de kayak na Antárctida. (tem aquela ideia peregrina que para cada local há um meio de transporte ideal, sendo a filosofia como parece ser óbvio, não percorrer o maior número e quilómetros possíveis num dia e sim, o integrar-se como se dele fizesse parte, no meio ambiente)
Na fase de preparação entrevistaram-no e à família. Fizeram uma pergunta rápida a cada um de nós; respondi e senti-me depois muito tola, que do que tinha mais medo era de um ataque de um bicho. Tinha em mente as focas-leopardo (o Filipe faz sempre uns estudos exaustivos e tinha as estatísticas na ponta da língua) que são o animal mais mortífero daquelas paragens, bem pior que as pobres orcas com tão má reputação e tão pouco proveito.

Por melhor planeada que estivesse, por mais planos B e C, se uma só foca-leopardo se interessasse por ele com um pouco mais de vigor, não teria uma hipótese. Virava-se e naquela água a rondar o ponto de congelação teria menos de meia dúzia de minutos para remoer. Ninguém poderia guardar rancor à foca, afinal tal como na anedota do escorpião, estaria apenas a cumprir com a sua natureza.

A ver, desligar o som, a banda sonora é execrável e/ou totalmente desajustada.


Controlo.
A ilusão de conseguirmos algum para que possamos fazer o bem induz-nos a opções na nossa vida. Falo por mim que sofro horrores com a falta dele. (a impotência de num engarrafamento estar dentro de uma lata e de não poder sair dela, abandonando-o logo ali, é o melhor dos argumentos para mim, da opção pelo transporte público. Desse, pode sair-se a (quase) qualquer momento)

Não passa de uma ilusão. A falta de apoio, a resistência passiva - e até activa - que senti nas três primeiras edições deste projecto iam desmoralizando, desgastando. Falta de fibra, é verdade, não afirmei já aqui que a dificuldade estimula? Adiante, a verdade é que assumi que ganhando um pouco mais de controlo, o percurso sairia facilitado. Se isso sucedeu numa faceta, as desvantagens na outra vertente não compensaram. Derivei por aqui e na verdade não era nada disso que tinha em mente.

Na verdade, o que me enerva sobremaneira é a total falta de controlo que temos nas nossas escolas. Esta absurdidade dos mega-mega-agrupamentos idealizados para poupar nos recursos humanos do "remador" (vide conhecida anedota dos remadores vs treinadores/opinadores) ao invés de dispensar os idealizadores, eles mesmos, que se entretêm na modorra dos gabinetes a inventar reforma sobre reforma, questionário atrás de questionário, idiotice sucedendo-se a idiotice é de tal maneira gritante que pasmo com a nossa complacência. Ficamo-nos todos, estoirados que estamos de lutas menores ( comparando com esta) incapazes de mais que uma ténue reacção.

Amanhã temos o arraial, é verdade.
Pois nem esse me apetece.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

currículo oculto

Comecei hoje mais uma acção de formação na área da dança. Conteúdos algo repetidos - danças tradicionais portuguesas e europeias - mas com o meu domínio periclitante, funcionará sobretudo como consolidação tanto dá até que fura.

Depois, a professora principal tem características que muito admiro e não me canso de observar: uma paixão genuína e incansável pelo que faz e pelas danças tradicionais em particular, um profissionalismo - por exemplo no cumprimento escrupuloso do horário (hoje, adiei a saída da escola até à última, embalei avenida abaixo, rua do ouro fora, precipitei-me estação adentro de bicicleta pela mão, apenas para constatar que me enganei na gare (nem olhei o quadro, o pára-em-todas costuma ser na linha 2 ou 3, estava na 4) e perdi o comboio, cheguei atrasada cinco minutos, já tinham começado - e na descontracção com que admite e emenda o erro. A acção começou como é habitual com uma sessão de apresentação, o inevitável power-point. Um erro de ortografia latejava no écran: previlegiar, céus, coitada, que chatice. Ninguém disse nada, é um erro pronto.

A prática começou logo de seguida com a outra professora. Ainda estávamos no aquecimento já a Margarida escrevia no quadro branco, em letras garrafais privilegiar em vez previlegiar, esta com um erro em frente. Fantástico, não é, de todo, comum, esta prontidão na correcção, esta humildade em professora doutora.

A sessão valeu a pena tal como irá valer o resto do curso. Que diferença para o que frequentámos (quase todos de EF ali da escola) em Outubro, nível introdutório de danças sociais (a ideia era mais uma vez consolidar, sabia à partida que os conteúdos eram repetidos), uma quase total perda de tempo. A aula começava tarde, os intervalos esticavam-se com impudor, os alunos - nós - suplicávamos para que a professora desse matéria, nos pusesse a dançar, nos ensinasse. Ela, que tanto sabia daquilo, é mesmo sabedora, por qualquer motivo que não descortinámos, escusou-se até ao fim. Um desespero.

Hoje, não foi nada disso, foi sempre a dar.

Depois, o regresso, numa digna noite de solstício, quente e sem vento, pelo paredão enluarado. Um privilégio.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

se eu fosse um cone

era de chocolate, disse um dos jovens no nosso auditório no decorrer da festa da Escola Móvel, demos todos uma gargalhadita. Foi um espectáculo simples, todos eles entravam com esta frase e um desenho relacionado no bibe de papel grosso. A continuação era diferente, especial para cada um deles. Estavam agrupados por séries - houve a dos planetas, houve a das plantas, a dos peixes (entrou um cardume de sardinhas muito juntinhos, foi outra gargalhada), dos animais e outras que tais. Só não falavam os que faziam coisas - os malabaristas e umas meninas que dançavam.

O chocolate fez-nos rir por ser pueril, uma lufada fresca em contexto elaborado.

Uma opção que desconhecia, esta de se poder frequentar a escola através de um computador. O público alvo são os miúdos que viajam de terra em terra - feirantes, circo - e ainda as mães adolescentes que têm de abandonar a escola. Recebem um computador (?, não entendi bem esta parte, se é oferecido ou cedido; a vodafone paga as comunicações, isso percebi) e têm as lições através dele; recorrem à plataforma moodle (aquela coisa agressiva, difícil de perceber mas que passada a primeira barreira, dizem, é muito útil e funcional ainda que continue a ser horrorosa) e vão tirando dúvidas online com os professores. Estes estão todos fechados numa sala - tipo ficção científica - e vão, pelo que percebi alternando entre os diversos alunos. Aliás, foi curioso que depois de dizerem "se eu fosse uma árvores, criava raízes nas dunas da praia" a seguir apresentavam-se, alguns com nomes reconhecíveis como Cardinali, e a respectiva turma 7ºA1. Bizarro, ter uma turma virtual mas terá com certeza um propósito.

Depois, todos os períodos reúnem-se numa escola (alojam-se em camaratas militares) onde fazem actividades e têm algumas aulas presenciais. Uma frase gira de uma miúda "se eu fosse a directora da escola móvel fazia mais semanas presenciais".

Não é só desgraças, o nosso sistema de ensino. Dar a possibilidade de estudar a jovens que de outro modo com grande dificuldade (mesmo assim não há-de ser fácil) o conseguiriam e abrir-lhes as portas para prosseguirem para mais altos voos é fantástico. Basta que um o deseje e o consiga para ser uma estatística favorável; há-de ser um programa caro.

E depois, acredito também que o que se aprende no processo será também útil para os alunos do ensino normal. Eles assumiram-se ali como diferentes e com que orgulho o afirmaram.

(fiz os primeiros três anos numa escola um pouco diferente. Numa das matérias praticava-se o ensino programado, isto é, cada um de nós ia ao seu ritmo. Havia um armário com livros de exercícios e nós íamos fazendo. Quando acabávamos um livro, mostrávamos ao professor e se estivesse tudo bem íamos buscar o seguinte. Parte da aula era oral e era comum mas o resto era por nossa conta; lembro-me de aquilo ser muito estimulante)

Neste espectáculo de encerramento foi pena não terem contratado um animador em condições. Foi desenxabido, foi o possível com os conhecimentos existentes, imagino. Mas com tantos animadores profissionais que em duas horas conseguem pôr um grupo de duros de ouvido a tocar em orquestra com garrafas de plástico com grãos de arroz o que não fariam com uma semana de trabalho com um grupo talentoso como são estes miúdos.

Numa busca agora mesmo, o jornal do projecto.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

noites de verão

No ano passado não tivemos um arraial formal, com as fitas da ordem, as lanternas nas árvores, os manjericos e todo o aparato. Foi no final de Maio e esteve inserido nas comemorações do centenário. Vieram antigos antigos alunos (alguns bem desvairados, foi uma animação), antigos mais recentes alunos, muitos alunos a finalizarem, alguns ainda a meio do ciclo, professores, funcionários, famílias.

Encontrou-se o modelo quase perfeito:

a tuna, recordando a alguns, indicando o caminho a outros e valendo por si mesmos, eram muito bons;

os alunos do presente, aqui os vencedores do karaoke alemão 2009, modalidade desconhecedores da língua, cantaram de novo o da da da;

entraram depois os meninos e meninas da AP dança,

e finalmente, o melhor, nós todos cá fora.

De modo que, apareçam! Este ano vamos mesmo ter sardinhas, os enfeites já estão pendurados e iremos logo directos ao assunto: convívio, comida, animação espontânea (leia-se o karaoke à la carte). Passem palavra.

terça-feira, 15 de junho de 2010

não cuspas para o ar

que te cai em cima.

É uma expressão detestável pelo nojo que evoca. Tive um amigo que a usava com alguma frequência, pela sintonia que tínhamos em questões de escola, é a que hoje se me impõe.

Um telefonema vindo do nada a meio da manhã. Uma voz feminina educada, apresentando-se, perguntando primeiro se o momento era bom para falarmos, "sim, esteja à vontade" dizendo que está a reunir uma equipa para, no não-diremos-o-nome trabalhar o ensino artístico no ensino regular. O meu nome e contacto tinham-lhe sido sugeridos pelo prof. tal e tal como referência na área da dança na escola.

Ali, naquele breve instante, inchei quase levitando. Ela foi avançando, explicando um pouco mais em que consistia o projecto até eu conseguir intervir, dizendo que estava agora envolvida num outro projecto, que tinha um compromisso e que não poderia aceitar, não valendo sequer a pena a conversa que sugeria. Acrescentei que percebia a razão da referência pois o professor tinha assistido a um dos espectáculos e ficara bem impressionado mas que ainda assim, eu duvidava que as minhas qualificações fossem as adequadas.

Ficou assim a conversa, eu não vacilei sequer mas sei que o teria feito se as circunstâncias fossem outras. Não obstante tudo o que disse e penso sobre os serviços do não-diremos-o-nome teria explorado um pouco mais o desafio, teria ido ter com ela para termos a tal conversa. Resisto a tudo menos a uma tentação dizia Oscar Wilde, creio, acho que sou um pouco assim.

A primeira mudança de escola voluntária foi a última, todas as outras foram impostas. De facto, nos primeiros 13 anos de professora, estive em 12 escolas e porque numa, no D. Dinis, pude concorrer à recondução, figura que então havia. A colocação era um desânimo pois nunca conseguíamos aprofundar o trabalho do ano anterior. Dar aulas era sempre, e na verdadeira acepção, um constante recomeço.

Estabilizei 9 anos em Paço de Arcos mas apenas nos dois primeiros senti haver um progresso, e falo da educação física. Nos seguintes, fazendo uma retrospectiva, tratou-se mais de conter os danos. Não havia a massa crítica ou seria eu que estava em notória contra-maré. Quando tudo o resto na escola parecia encaminhar-se no mesmo sentido, senti que era eu que estava mal, não me revia na cultura de escola e que precisava de começar de novo.

"para que llegue es conveniente crear novas circunstancias"

Dei com esta frase num camarim do Teatro Camões quando já estava na escola secundária de Camões. Um aval, digamos, fizeste bem. Tive sorte, reconheço-o.

No momento actual, não fosse o projecto da gestão, teria vacilado pois é um desafio. Podia correr mal, não havia quaisquer garantias tal como eu não as tive, quando em 2005 preenchi um boletim com 5 códigos de escolas a 20 km da minha casa onde não conhecia ninguém. Se a equipa artística corresse mal, pois bem, haveria que seguir em frente. Em frente seguiria também se corresse bem, em ambas as possibilidades de regresso à escola, eu gosto mesmo é das trincheiras. Teria vacilado ainda porque o (meu) ciclo completou-se este ano, porque as minhas inquietações mais prementes agora são outras, porque a ap dança para mim terminou aqui. Continuará na escola com a prof. Helena, como saberão os alunos de 11º ano que já se inscreveram, um renascer para uma outra fase. Andava a pensar quando abordaria o assunto, está feito.

Com este convite ocorre-me - o que nós brilhamos à conta dos alunos.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

formas

(leia-se fôrmas, como formas de bolos, formas de sapatos, isto é, o substantivo relativo ao acto de formatar, a minha gramática já lá vai, muito ao longe, não deve estar bem...do ponto de vista formal)

Hoje, ao almoço, dizia-me um amigo, rindo-se, que os franceses estudam o sistema de ensino dinamarquês, os ingleses estudam os suecos, os suecos por sua vez investigam os coreanos que analisam os tailandeses e assim sucessivamente (os países não seriam estes o que pouco importa, voltamos à galinha do vizinho que é mais gorda que a nossa). Nós, neste momento temos os finlandeses em alta.

Esta busca é positiva, direi, denota uma insatisfação permanente, uma recusa na acomodação. Lembro-me do encantamento da Christy, uma canadiana que num ano de intercâmbio cultural viveu com uma família portuguesa e frequentou o 11º B em Paço de Arcos, com o nossa organização por turma "one big family, going together everywhere". O sistema canadiano é semelhante ao americano, os alunos inscrevem-se nas disciplinas que pensam serem importantes para a sua formação e o seu currículo e fazem um ensino secundário à sua medida. É a tal questão de não haver chumbos - um bom ponto a favor mas tem este inconveniente na dificuldade na socialização dos alunos mais tímidos pela falta de oportunidades em criarem laços. Terá outros pontos positivos e outros negativos, estes foram os apontados por ela. E bom, vê-se nos filmes.

Reconheci-me na piada, de facto, estou sempre a olhar por cima da vedação, namorando a gorducha alheia.

Acaso feliz, sempre ele, venho de volta para a escola, noto uma figura familiar atravessando uma rua. Fixo com intensidade "tem graça, tão parecido com o Vata", torço o pescoço para trás um pouco na dúvida. Dou nas vistas, olha-me, sorri para mim "Setora!". Era o Vata, aluno há 12 anos em Paço de Arcos. Um querido, outro! "estamos iguais, setora!", injusta "tu não, estás de óculos, quase não te reconhecia".


é o do meio, o de boné

Uma turma de 11º ano de mecânicos e electrotécnicos (junção de dois cursos tecnológicos), só rapazes como seria de esperar (no ano seguinte apareceu uma rapariga, tinha umas disciplinas penduradas) com uma postura invulgar. Enérgicos, alegres, aceitavam todos os desafios. Todos tinham bicicleta e fizemos algumas aulas fora da escola (as aulas eram então de 130 minutos). Combinávamos, eu entregava um papelito no conselho directivo, e ala que se faz tarde. Fomos até ao Estoril, fomos até ao Guincho e aí fazíamos beisebol ou o jogo do disco "à americana".

Por incrível que pareça, fizemos até duas aulas de dança contemporânea! um tratado, aquela turma. No ano seguinte fomos até S. Martinho do Porto fazer actividades náuticas, caminhar, cozinhar, jogar snooker nos cafés da marginal. Um acampamento e pêras, a parte mais trabalhosa foi, sem dúvida, as caminhadas. Aqueles rapazes não compreenderam o conceito "mas caminhar para quê?, qual é a graça, setora de andar aí pelo meio dos montes?". O Vata era o mais inconformado, de tal maneira que, depois do banho, na praia dos Salgados "o caminho é para cima?" e à resposta afirmativa, desatou a correr e só parou no cimo do monte. Não sei quantos quilómetros nem qual é o declive, mas é muito duro. Só mesmo o Vata com a sua resistência fora-de-série, foi o recordista destacado do Cooper, na década em que lá estive.

Formas. Foi um breve momento naquela escola, ou em qualquer outra, presumo, em que um ruidoso grupo de rapazes podia sair da escola, em alegre caravana de bicicletas para ter uma aula na praia, regressar para o Português duas horas depois sem que ninguém se incomodasse com perigos " e se?" ou por outra, sem que os riscos fossem paralisantes.

De algum modo, um clima que me sinto de novo a viver embora em moldes algo diferentes.

Uma galinha rechunchuda a minha/nossa, hoje, ao constatar o que se pode fazer em liberdade.

sábado, 12 de junho de 2010

small is

beautiful.

Era um título de livro que fez furor há uns anos e continua ainda, creio, a ser respeitável. Penso que não o li todo, era também demasiado nova e não voltei a ele, estará na altura. Defende, penso, o conceito de que a gestão local, porque à dimensão do homem que em si é pequeno, é a mais apropriada e a única, ambiental e por consequência economicamente, sustentável.

De cada vez que abro a internet e me saltam os títulos dos jornais aos olhos, dá-me um estremeção. Vem sempre qualquer avaria do ministério da educação que, numa perpétua fuga em frente, nos enterra cada vez mais.

[aflige-me sobretudo desde que conheço algumas das pessoas que para lá vão. Nos primeiros tempos de professora, tinha-lhes o respeito hierárquico, da distância, do desconhecimento. Ingénua, acreditava que no degrau acima da responsabilidade estariam, por defeito, os mais capazes. Não é nada disso, como um próprio ministro da educação disse em tempos, a 5 de Outubro só tem uma solução - arrasar e começar tudo de novo. Agora sei que por lá se entretêm os que não gostam dos alunos nem de dar aulas, que têm aversão aos colegas e às escolas. As trapalhices sucessivas, as alterações constantes de tudo, os pedidos para ontem de informações, as convocatórias para amanhã, as inscrições para um campeonato para agora, denotam uma organização despudorada]

Ontem foram os mega-agrupamentos (em todo o mundo se reduzem as dimensões das escolas), hoje é desonestidade da avaliação dos contratados. Todos sabem que ela foi realizada em condições desiguais de escola para escola. Todos sabem que ela era impraticável de ser realizada com seriedade. Numa das cadeiras que tive na faculdade aprendi que um teste tinha, acima de tudo, de ter duas qualidades - garantia e validade. Esperando que a memória não me atraiçoe (outra boa possibilidade é isto tudo estar mais que desactualizado, no outro dia, disse-me um colega que a questão do enquadramento no basquetebol já não se põe, basta a leitura do jogo), em traços largos: a validade de um teste diz-nos que esse teste está a medir efectivamente aquilo que se pretende medir (por exemplo, se quero medir a agilidade de um indivíduo, tenho de definir com exactidão o que entendo por agilidade e, a seguir, desenhar um teste que meça efectivamente essa qualidade); a garantia diz-nos que a aplicação do teste em condições semelhantes não irá dar azo a resultados significativamente diferentes, isto é, ele garante-nos os resultados.

Voltando à avaliação dos contratados - tal como dos outros aliás - foi feita em moldes tais que os resultados não são comparáveis entre si. Pior, logo à partida, o modelo estava tão mal desenhado que essa impossibilidade era auto-evidente.

E sim, desci a Avenida num dia, subi-a no outro e fui ainda a S. Bento em protesto não pela ideia da avaliação, eu defendo-a embora com intuitos diferentes (não de distinguir o mérito, em educação é difícil "de quem gostas mais é do pai ou da mãe?", somos todos úteis nas nossas idiossincrasias mas de afastar o desmérito, esse sim, um espinho, às vezes um cancro, em qualquer organização) mas isto poderá ficará para uma outra altura.

Agora, dizem, a avaliação dos contratados terá já efeitos neste concurso. Isso significa que os lambe-botas, os espinha-quebrada, só me saem vitupérios em raiva, verão recompensado o seu oportunismo. (não terá sido sempre assim, reconheço-o, estarei a ser injusta em alguns casos, é que todos conversamos "e como foi na tua escola? e na tua? e na tua? alguns serão até excelentes e muito bons? Mas e todos os outros?)

Condições desiguais no micro-cosmos de cada escola não serão impeditivas da colocação de todos no grande saco das colocações nacionais. O pequeno é maravilhoso, terá também perigos, mas para quando a colocação a nível da escola? Ninguém a quer, parece, nem os próprios. Lembro-me de há uns bons dez anos ter tido essa conversa com umas estagiárias em Paço de Arcos. Tinham feito um trabalho muito válido com os alunos e, em conversa de sala de professores, comentei isto mesmo "que pena as colocações não poderem ser feitas pelas escolas". "Nem pensar!"retorquíram" e depois? era a cunha, não tínhamos quaisquer hipóteses". Fiquei na altura muito mal impressionada com a falta de confiança que tinham em si próprias, nem acreditavam no seu próprio valor. Talvez houvesse ali algum pragmatismo.

Enredados nesta grande teia, não vislumbro a solução.




Este intrépido navegador está sempre, bravo e ousado, no seu posto de trabalho. Comove-me esta confiança em nós, em todos nós, por parte do dono deste carro. Está, frequentemente parqueado aqui em frente, no Verão aberto e sem capota. E o hipopótamo (?) aviador ali, pronto para a viagem (esta foto foi tirada bem cedo pela manhã, sossego total na rua, apenas eu e a Pinha passeando).

É um bairro pequenino, projectado à nossa escala. Talvez por isso - mas eu acho mesmo que é pela sua bravura - nenhum ladrozeco de meia tigela o tenha levado.

Porque não confiar?

quinta-feira, 10 de junho de 2010

a escola normativa

Talvez eu ande cansada, ande a perder o discernimento (tê-lo-ei tido alguma vez?), talvez tenha sido sempre assim, talvez fosse melhor não entrar em justificativos, talvez....

Uma das conferências que mais gostei neste longo ano (ele nem foi longo, pelo contrário, por um lado parece que começou ontem, por outro setembro parece ter acontecido há décadas atrás, tal a sucessão mal-digerida de acontecimentos, ensinamentos, tudo ainda que não termine em ntos) foi



com o conferencista Jorge Ramos do Ó.

Não tomei notas e tenho pena, o professor foi fascinante até pelos termos que empregou. O psiquismo, por exemplo, termo que me evoca o charlatanismo mas que ali nenhuma relação tinha. Ficou-me a questão da escola conservadora, da escola reprodutora da normalidade. A importância de se conhecer a escola que foi para que se perceba a que é e se imagine a que poderá vir a ser.

A vocação instrução - veicular conteúdos, transmitir o saber, a vocação educação relacionada com a moral e o ser. A escola repetidora e a dificuldade de acomodar o pensar diferente.

Já passou muito tempo, deveria talvez ter reflectido sobre isto logo após. Aliás, foi um sentimento unânime de fatia grande da assistência - isto hoje não chega, agora estamos curiosos, estamos alertas, queremos debater, não se vá embora. Mas a escola normativa não se compadeceu e tivemos mesmo de sair. Em obediência à inexorável marcha do tempo, perdoe-se o cliché que ademais aqui é forçado, tratava-se tão só do gongo seguinte para uma outra aula.

É que ontem, enquanto procurava a foto da equipa de volei que sabia existir, dei também com esta. Seria uma boa ilustração para o espírito desportivo e creio que a estava a guardar para esse fim. O Jonas fez parte da turma do 10 i, a minha dt à recepção ao Camões. Foi uma trabalheira durante todo o ano (para ambos) e, de facto, a coisa não acabou bem. Se bem repararem, os seus dedos esticados somam um número - 6.



Foram os valores que o Jonas teve em EF no final do ano lectivo. Mas o que é espantoso, e por isso também esta foto hoje, é que se ele guardou ressentimento, logo o sublimou. Teve de repetir o 10º ano e, por conseguinte, de se afastar daquela turma fabulosa. Nunca cortámos relações, bem pelo contrário, mantivemos uma estima cordial à prova de quaisquer apreciações formais, espartilhadas.

Era um aluno especial, com uma organização muito própria e uma cultura (unanimemente reconhecida por todos os professores) bem acima da média. Isso não obstou a que a instituição não esmorecesse na sua sanha regularizadora. Falo por mim e o meu seis. Deu-me cabo da cabeça todo o ano, alego. Não fez, resistiu, baldou-se, recusou-se e sei lá que mais. Encostou-me à parede, em suma.

Trabalho é trabalho, cognac é cognac, o Jonas soube separar. Um aluno especial, repito. Aqui, dois anos passados, no arraial de final de ano. Não bebemos copos nenhuns (nesse ano não houve bebidas algumas, excepto uma garrafita de champanhe que o André, previdente e porque a ocasião o exigia - o final do secundário, contrabandeou para dentro do bar e foi depois partilhada pelo bando), estávamos em plena posse do nosso controlo.

Uma turma fora de série, um conjunto raro de alunos, numa escola que resiste com galhardia ao pendor normativo.

terça-feira, 8 de junho de 2010

culturas

No D. Dinis também, tínhamos uma cultura de convívio primeiro, competitividade depois, tudo a par do espírito desportivo. Os alunos eram incentivados a formarem equipas, tantas quantas quisessem dentro da turma (os torneios duravam 3 dias em cada período pelo que havia espaço para todos) e, ainda, a convidarem adultos dentro da comunidade escolar para integrarem as suas equipas. O princípio era que cada um podia apenas participar numa equipa pelo que os professores e funcionários (e havia muitos e muitas a alinharem) tinham de optar. Acontecia então como acontece agora que numa turma se formava uma super equipa; os melhores agrupavam-se e deixavam de fora os mais fracos. Estes que queriam também participar e queriam fazê-lo com tantas chances quantas possíveis (ou seja, não gostavam de ser massacrados), por vezes, convidavam professores. Isso era muito bom pois equilibrava muito os campeonatos. Apareciam sempre os velhos do restelo, aqui d'el rei que não é justo. A resposta do grupo era "e é justo os mais fortes excluírem os mais fracos?" Assim, todos jogam. E era verdade.

Há dois anos, encerrava-se o meu ciclo com a minha direcção de turma, fiz-me convidada para uma das equipas de basquetebol. Simpáticos, os rapazes, aceitaram-me. Foi um escândalo na escola "que não é justo e não é justo e diabo a sete". Ri-me, argumentando com os meus 45 anos (e de mulher) vs os 18 deles (de rapazes). Lá se calaram mas só quando fomos eliminados.



Depois, no volei a equipa, simpática, convidou-me de novo. Não fui nenhuma mais valia, bem pelo contrário e os competidores não se ressentiram. Aliás, fui massacrada com gosto e deliberação pelo serviço poderoso, dirigido de um jovem de um 12º ano de que já não me recordo. As nódoas negras nos braços, essas demoraram em passar.

Foi um privilégio, insistirei sempre nesta tecla, ter sido professora destes rapazes generosos que não olhavam a pontos.

Enfim, saudades...

matrizes

Há cerca de um mês recebo um telefonema de uma colega de educação física de uma escola onde estive no início da carreira. Foi uma sorte, um feliz acaso do destino na lotaria das colocações. Era o terceiro ano que dava aulas e os dois primeiros tinham tido a sua dose razoável de frustração. Miúdos impecáveis em qualquer delas, os miúdos são-no sempre, mas grupos (é o mais importante, repito, educar é um trabalho de equipa) tristes, passivos, acomodados, sem ponta de chama. Com excepções individuais, claro, mas sem capacidade ou vontade de "dar a volta".

Em 85 fiquei portanto colocada no D. Dinis em Chelas. Sorte das sortes, num ano de ouro em que leccionava um lote de professores excepcionais. Falo da educação física, atenção. Fiquei lá dois anos e essa vivência foi marcante. Aprendi imenso com todos eles, foi o meu "estágio" avant la lettre, (viria a fazê-lo alguns anos depois, reforma e contra-reforma, aqui tive azar e fiz um estágio de secretaria - todos os sábados enfiada num anfiteatro a aprender .....nada e a produzir uns trabalhitos teóricos sem valor algum). Se foi bom em termos profissionais e de aprendizagem, foi melhor ainda em relações humanas. Ainda hoje nos encontramos, e sempre como se o último encontro tivesse sido ontem.

Recuperando, telefona-me a Margarida convidando-me para o jantar-surpresa dos 60 anos do Rogério, seu marido e companheiro de "luta". Há dois anos tinha sido o contrário, telefonara-me o Rogério para o jantar dos 60 anos da Margarida. Um improvável casal feliz, discutiam como loucos nas reuniões de grupo e ainda assim separavam bem as águas. Lá fui, feliz e contente.

Findo o jantar, tempo dos discursos. Abre o prof. Hermínio Barreto justificando-se que não lhe parecia bem gozar do jantar sem a paga em troca "dumas palavras", enrola-se nos óculos quando puxa do papel das notas, na sequência improvisa "é uma dificuldade, a dificuldade não atrapalha", parece-me bem, a dificuldade estimula. E fala. Um belo discurso rememorando o passado comum, etc. Escuto-o comovida, o prof. Hermínio é uma lenda na modalidade, foi um expoente na faculdade. Nunca fui sua aluna, não podemos ter sorte em tudo, mas fui algumas vezes assistir às suas aulas.

Espantava-me sobretudo a sua compassividade. Não beligerante, nunca se excitava, jamais se zangou (em público pelo menos) com quem quer que fosse. Paciência a toda a prova, explicava sempre tudo com enorme paciência.

Mais tarde, em Paço de Arcos, acompanhei uma equipa de basquetebol no torneio inter-escolas. Um dos jogadores era o neto do prof. Hermínio. Era tal qual. Em pleno jogo com outra escola, tropeçava e ainda antes do apito, entregava a bola à outra equipa acusando a violação da regra dos passos. Pisava a linha e entregava a bola, dava um toque no adversário e levantava o braço acusando a falta. "Oh Gui, espera que o árbitro apite..." Retorquía "Setora, mas eu fiz passos!" E eu calava-me. Pois se ele tinha razão, afinal não apregoamos nós esse mesmo comportamento?

São pessoas excepcionais, não há muitos como eles. Corre-lhes no sangue como soe dizer-se.

Hoje, na maratona de voleibol, palco de tantas escaramuças, questiúnculas, pequenos conflitos, só pensava "que bom, fazermos estas actividades. Damos afinal oportunidade a estes alunos de se confrontarem com a dificuldade, com a derrota, com a desilusão, com a putativa injustiça da vida e de, irem encontrando dentro deles, mais e melhores respostas.

domingo, 6 de junho de 2010

amigos

A oficina (e deveria estar a falar no plural) não correu de modo nenhum conforme previsto. Começou logo mal com a falta inesperada do nosso operador de som. Logo ele, que estava tão eficiente, que tinha o registo dos tempos, que já dominava o assunto de trás para a frente. Depois, alguém tinha, na véspera, sabotado o equipamento. Levaram o cabo que ligava o amplificador à mesa e primeiro que nós, bimbos, o percebêssemos, levámos dez minutos. Em seguida, mesmo com outro cabo que se desenrascou, as colunas recusaram-se a debitar o mais ínfimo decibel.

Plano B - a outra aparelhagem estava a postos mas teríamos de prescindir do microfone. Assim foi, não veio daí grande mal ao mundo pois a casa estava a modos que para o vazio. Não contei mas penso que se terá verificado um empate, havia tantos formandos como formadores. Pior, em termos do pretendido foi que havia apenas quatro pessoas que apareceram sem estarem em aulas, isto é, todos os outros estavam na aula da educação física.

Bom, estas oficinas foram sempre feitas nessa base, isto é, contactados os profs. de EF em aula e obtido o seu consentimento, era depois feita a divulgação para o resto da escola. É uma questão importante, esta da massa crítica, todos temos essa experiência por exemplo numa feira. Se uma banca estiver apinhada de gente, teremos curiosidade furaremos e lutaremos por uma peça de roupa. Se alguém ao lado a cobiçar, então é quase certo que a compraremos ainda que estejamos na dúvida. (sou de Carcavelos recordo, com larga experiência neste assunto)

Acontece também o mesmo, por vezes, nas aulas. Tenho mais más experiências com turmas muito pequenas que com grandes, independentemente do seus perfis.

Nestas oficinas o número de partida é mesmo importante. É claro que é preferível que todos os alunos estejam lá de moto próprio e muito motivados. Mas é como no "ouvir o silêncio", por vezes têm de ser forçados/convencidos. E depois, o resto fica por nossa conta. Tantas vezes, eles gostam.

Desta vez isso não sucedeu pelo que tínhamos, à partida, menos de 20 aderentes, quase todos da turma H. Valeu-nos o seu entusiasmo, a alegria que puserem na aula, o retorno que deram às suas colegas.

A sessão seguinte não ocorreu pois não apareceram "clientes". Há que tirar as ilações devidas. A divulgação teve a falha que constatámos no dia anterior: os que assistiram às divulgações nos pátios não fizeram a ligação directa para a oficina; algumas meninas a quem eu tentava cativar disseram-me ter percebido que seriam elas próprias a ter de dançar, isto é, perceberam que tinham de apresentar algo. A tal questão da leitura do cartaz, o primeiro provocador não foi lido como nós o escrevemos, o segundo idem, pessoal que vai para Marketing, atenção!

A época é má, estamos todos estafados, foi um ano muito cheio. O ideal para estas actividades é o meio do mês de Maio. Este ano não deu, que se tome nota para o seguinte.

Ainda assim, eu faço um balanço positivo. O produto não se realizou, é certo (não no total) mas o percurso foi bem trabalhado. Estávamos preparadas e a prova é que pelo menos este pedaço correu bem. O outro também teria corrido, tenho a certeza.

Um apreço para a solidariedade dos meninos da turma H que não se inibiram perante o preconceito. Impecáveis!



E o estilo? Céus, impecáveis, mesmo, divertidíssimos! Só por este pedaço já valeu a pena.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

recta final

A nossa última actividade pública deste ano é amanhã. Serão as oficinas de dança em que ensinaremos excertos das peças que nos pareceram mais interessantes e exequíveis. A divulgação foi feita através do clássico cartaz


o tal suporte que por melhor que esteja, isto é por mais bem desenhado que o dito seja, nunca passa a mensagem. Já percebemos isso, estamos todos tão ofuscados pela poluição visual que perdemos a capacidade de discernimento. Excepção feita, é evidente, aos que são colocados logo na entrada e que pela dimensão e destaque, já nos habituámos a olhar "ora, deixa cá ver o que haverá esta semana".

A sugestão de fazermos umas apresentações com uns "lamirés" do que se iria passar no pavilhão foi assim, aceite por aclamação. Ontem, com um calor de morte no primeiro intervalo da tarde dançámos as brasileiras. Não correu mal, as pessoas pararam para vos verem. No final, passeei pelo público apregoando as oficinas (azar aborrecido, a rádio está muda por avaria do equipamento), pareceu-me receptivo q.b.

Hoje, no segundo intervalo da manhã foi bem mais interessante; a hora era outra, estava menos calor, as pessoas mais alertas. Foi giro circular por ali enquanto vos filmava e ouvir para já a identificação imediata "é a área de projecto dança"; depois, o entusiasmo perante a oficina. Veremos se se traduz em presenças amanhã.

De qualquer modo, este modelo precisa ainda de afinação. Não pode ser apenas uma pessoa a fazer o convite boca-a-boca. Teremos de ser todos se bem que o ideal tivesse sido o microfone da rádio. O suporte - cartaz de manifestação também poderia ter sido usado ou mesmo o homem-sanduíche.



O excerto do hula, dança bem mais difícil do que parece, no ambiente ímpar do pátio.

E entretanto, uma nota para a primeira sessão do Festival das Curtas, produção da AP Linguagens e cinema. Curtas-metragens muito boas, este ano! As preocupações técnicas que não sei ajuizar mas que percebi e que deram enorme movimento e drama. Os diferentes planos e suas montagens agarraram a nossa atenção. Muito bem conseguidos também os pontos altos, a tensão bem gerida. Os momentos cómicos conseguidos com inteligência, fabuloso! Adorei o western dos playmmobils, como conseguiram eles fazer aquilo? A banda sonora nesse estava magnífica. E tudo aliás. O rolo da palha que passava a espaços, a imobilidade tensa dos cowboys, as várias personagens que foram entrando, os escorpiões, o cavalinho de plástico, o poncho que se virava com o vento. Espero que ponham nalgum suporte onde possamos rever este "Duelo ao Sol" em versão minimalista. Muito bem, saímos bem dispostos do auditório encantados com a capacidade produtiva dos nossos alunos.

Amanhã haverá a segunda sessão e no dia 7, a destinada aos pais.

Por fim, estes dois dias foram ocasião para reflectir e para aprender. Nada é irreparável, excepto a morte, e, se eu lamento e me arrependo, por outro estou grata pela aprendizagem. E pela flor.