
Este pretenso (e promissor) debate começou por uma sugestão de um aluno e foi depois organizado pelo director da escola.
O primeiro obstáculo foi o do costume - o relaxismo costumeiro (ali na escola) na hora de início (não tenho memória de algo, no auditório, ter começado antes de 15 minutos decorridos sobre a hora aprazada) e a propósito, eu faria uma tentativa de educar o público. Avisando, relembrando, insistindo, avisando novamente .......e fechando as portas 5 minutos depois da hora marcada para o início.
Depois - e eu não me apercebi disso mas concordo com a observação - a existência de um folheto que divulgava os resultados de um inquérito aplicado a alguns alunos da nossa escola e que pretendia"recolher informações relativamente ao interesse dos jovens pela política, à participação na mesma e, simultaneamente, avaliar os seus conhecimentos políticos.", fez divergir o foco do debate. Isto é, os deputados e representantes dos partidos políticos que tinham sido convidados, sobretudo, com o intuito de informarem os alunos acerca das políticas dos respectivos partidos para a juventude (bom, temos de reconhecer que o próprio título do evento convidava ao equívoco), agarraram-se aos resultados apresentados no folheto e ignoraram, olímpicos, as tímidas perguntas dos moderadores.
Em seguida - terceiro obstáculo - embalados, meteram a "cassete". A representante do Bloco de Esquerda foi a primeira a falar; repetiu várias vezes que a iniciativa (do debate) era extremamente importante, extremamente importante, extremamente importante, riscou o disco, bloqueou o que quer que seja. Uma seca, adormeceu-nos a todos com os seus chavões. Depois teve a palavra o representante do CDS um pouco mais vivo e preparado mas sem sair da "chapa 4". E cada vez mais adormecidos, fomos tentando sobreviver até à fase do debate. Sejamos justos, e concordando ou não com o seu discurso - eu não concordo! - o moço do PSD foi mais directo, tentando fugir ao modelo imposto. A fechar, a pérola do PS, nem de propósito pareceu escolhida a dedo para vender o programa do governo.
Por fim, chegada a vez do debate, ou melhor, do público colocar as suas questões. As primeiras, baralhadas, pouco objectivas, não se percebiam sequer muito bem. E depois, aquilo que começa a ser mania, de começarem por congratular os prelectores "agradecendo a sua exposição tão esclarecedora" ou serei eu talvez que nunca fico assim tão esclarecida e que encontro tantas vezes falhas, ia dizer inúmeras, não exageremos.
Outra irritação, o hábito das palmas. Parecemos macaquinhos amestrados, reflexo de Pavlov, seja lá o que for, cada vez que alguém se cala, lá vêm as palmas correctas. Impressiona-me o aplauso sem sentido, neste caso sem sentimento. O olhar divaga, a atenção não está ali, no entanto, logo que o palestrante se cala, um estremecimento de quem desce à sala seguido de uma saraivada de palmas. Não há qualquer sentido crítico.
Que foi aliás, uma das questões que ainda se tentaram debater - a escola forma o sentido crítico?, a escola ensina a pensar?, a escola está adaptada e a adaptar-se aos tempos de hoje?
Há sempre a excepção, há sempre algo que faz valer a pena ter lá estado. No caso, o conjunto de questões colocadas por dois alunos no final (já a sala estava por um quinto mas que importância tem isso? Nenhuma, o problema ali foi estarmos todos exaustos e famintos, quando por fim, o interesse apareceu) e a afirmação / provocação de um deles, em resposta a uma intervenção da representante do PS:
"Se nos contentarmos com o "é melhor agora que no fascismo", então pronto, está bem", isto é, com o mal dos outros podemos nós bem, estava talvez na altura de 36 anos depois, deixarmos de usar esse argumento e olharmos em frente, para os lados, para qualquer ângulo excepto para trás.
Fez-me lembrar a minha amiga Mª João, a mais internacional das minhas amigas - a que sendo portuguesa tem vivido mais tempo lá fora - e que já não pode ouvir esse argumento do "tempo do fascismo".
De modo que de em obstáculo em obstáculo chegámos ao fim com um sentimento de frustração. Uma boa ideia que morreu na praia. Tentar de novo, sem dúvida, noutro modelo e com outra preparação e envolvimento.