sábado, 8 de maio de 2010

antígona (2)

"Todos nós vamos ao teatro para assistir a um milagre: ao milagre da transposição de toda a obra de arte. Este sofre, aquele ri, duma alegria que só são nossas porque as adaptamos ao nosso pobre romance quotidiano, em que a farsa e a tragédia, nos seus limites, apenas se esboçam debaixo do sebo corriqueiro, na vida insossa de cada um."

Assim começa o encenador, ontem protagonizado pelo Jordan, num interessante desempenho. A voz, o corpo, o olhar, numa convicção de quem vive e nos faz viver. O texto é muito bom, repito-me e isso é começar logo vários degraus acima. Os jovens ontem não caíram, pelo contrário, uma produção ritmada, com drama, cativante quer para o mundo do teatro "lembrando a todos que o teatro não é um modo de ver a vida, mas também uma forma de a transformar", nas palavras da encenadora, a prof. Mª Clara na folha de sala, quer para o mundo das palavras.

Pela minha parte fui reler o texto e fui depois à procura do hipertexto. Outros textos e outros textos sobre o drama, interpretações e relações. Enfim, um fascínio. Ah, e de ontem, adorei Tirésias, o cego, uma interpretação superior de Rita Júlio. Arrepiante pelo vagar, pelo despojamento, pela contenção com que se moveu, pela segurança com que enfrentou um Creonte algo histriónico.

Repete amanhã às 17.30 e na segunda-feira às 10 e às 15.15. A não perder.