Um ensaio geral que de geral não teve nada, depois de um dia inteiro enfiados numa sala sem ver a luz do dia, não augurava nada de bom. Essa ideia de que o ensaio geral tem de correr mal para que a estreia corra bem, não me convence.
No nosso historial isso aconteceu de facto no primeiro Dança, Camões! mas a explicação deu-a o Zé "este espectáculo deve estar abençoado". Estava com certeza pois os espectáculos, todos eles, correram sempre bem e não me lembro de alguma aula ou ensaio ter tido metade da fluidez. A tal transcendência.
Depois, na segunda edição, quase que nem treinámos no auditório (aquele problema da inundação que o encerrou por meses) mas como trabalhámos tanto cá fora, estávamos mais que prontos na véspera. Tenho a lembrança de um bom ensaio geral e de uma boa estreia. E a bem dizer de uma boa série de espectáculos. Os problemas nesse ano foram de outra natureza.
O ano passado bons treinos e ensaios mas terrível coordenação na recta final, fez com que só ganhássemos o pé na terceira apresentação ou mesmo na quarta.
Este ano, correu ontem muito mal e hoje, surpreendentemente - pois reconheçamo-lo, as ligações não estavam preparadas - foi bom. Não foi brilhante, é certo, tivemos muitas falhas. Ainda assim, no seu conjunto um espectáculo equilibrado e, mais do que isso, jovem, dinâmico, alegre.
Não devia - pois já ando nisto há tempo bastante - mas fico surpresa pela capacidade de superação dos jovens, dos alunos, das pessoas em suma.
Um dia bom, mais um, neste nosso trânsito pela vida.