beautiful.
Era um título de livro que fez furor há uns anos e continua ainda, creio, a ser respeitável. Penso que não o li todo, era também demasiado nova e não voltei a ele, estará na altura. Defende, penso, o conceito de que a gestão local, porque à dimensão do homem que em si é pequeno, é a mais apropriada e a única, ambiental e por consequência economicamente, sustentável.
De cada vez que abro a internet e me saltam os títulos dos jornais aos olhos, dá-me um estremeção. Vem sempre qualquer avaria do ministério da educação que, numa perpétua fuga em frente, nos enterra cada vez mais.
[aflige-me sobretudo desde que conheço algumas das pessoas que para lá vão. Nos primeiros tempos de professora, tinha-lhes o respeito hierárquico, da distância, do desconhecimento. Ingénua, acreditava que no degrau acima da responsabilidade estariam, por defeito, os mais capazes. Não é nada disso, como um próprio ministro da educação disse em tempos,
a 5 de Outubro só tem uma solução - arrasar e começar tudo de novo. Agora sei que por lá se entretêm os que não gostam dos alunos nem de dar aulas, que têm aversão aos colegas e às escolas. As trapalhices sucessivas, as alterações constantes de tudo, os pedidos
para ontem de informações, as convocatórias para amanhã, as inscrições para um campeonato para agora, denotam uma organização despudorada]
Ontem foram os mega-agrupamentos (em todo o mundo se reduzem as dimensões das escolas), hoje é desonestidade da avaliação dos contratados. Todos sabem que ela foi realizada em condições desiguais de escola para escola. Todos sabem que ela era impraticável de ser realizada com seriedade. Numa das cadeiras que tive na faculdade aprendi que um teste tinha, acima de tudo, de ter duas qualidades - garantia e validade. Esperando que a memória não me atraiçoe (outra boa possibilidade é isto tudo estar mais que desactualizado, no outro dia, disse-me um colega que a questão do enquadramento no basquetebol já não se põe, basta a leitura do jogo), em traços largos: a validade de um teste diz-nos que esse teste está a medir efectivamente aquilo que se pretende medir (por exemplo, se quero medir a agilidade de um indivíduo, tenho de definir com exactidão o que entendo por agilidade e, a seguir, desenhar um teste que meça efectivamente essa qualidade); a garantia diz-nos que a aplicação do teste em condições semelhantes não irá dar azo a resultados significativamente diferentes, isto é, ele garante-nos os resultados.
Voltando à avaliação dos contratados - tal como dos outros aliás - foi feita em moldes tais que os resultados não são comparáveis entre si. Pior, logo à partida, o modelo estava tão mal desenhado que essa impossibilidade era auto-evidente.
E sim, desci a Avenida num dia, subi-a no outro e fui ainda a S. Bento em protesto não pela ideia da avaliação, eu defendo-a embora com intuitos diferentes (não de distinguir o mérito, em educação é difícil "de quem gostas mais é do pai ou da mãe?", somos todos úteis nas nossas idiossincrasias mas de afastar o desmérito, esse sim, um espinho, às vezes um cancro, em qualquer organização) mas isto poderá ficará para uma outra altura.
Agora, dizem, a avaliação dos contratados terá já efeitos neste concurso. Isso significa que os lambe-botas, os espinha-quebrada, só me saem vitupérios em raiva, verão recompensado o seu oportunismo. (não terá sido sempre assim, reconheço-o, estarei a ser injusta em alguns casos, é que todos conversamos "e como foi na tua escola? e na tua? e na tua? alguns serão até excelentes e muito bons? Mas e todos os outros?)
Condições desiguais no micro-cosmos de cada escola não serão impeditivas da colocação de todos no grande saco das colocações nacionais. O pequeno é maravilhoso, terá também perigos, mas para quando a colocação a nível da escola? Ninguém a quer, parece, nem os próprios. Lembro-me de há uns bons dez anos ter tido essa conversa com umas estagiárias em Paço de Arcos. Tinham feito um trabalho muito válido com os alunos e, em conversa de sala de professores, comentei isto mesmo "que pena as colocações não poderem ser feitas pelas escolas". "Nem pensar!"retorquíram" e depois? era a cunha, não tínhamos quaisquer hipóteses". Fiquei na altura muito mal impressionada com a falta de confiança que tinham em si próprias, nem acreditavam no seu próprio valor. Talvez houvesse ali algum pragmatismo.
Enredados nesta grande teia, não vislumbro a solução.


Este intrépido navegador está sempre, bravo e ousado, no seu posto de trabalho. Comove-me esta confiança em nós, em todos nós, por parte do dono deste carro. Está, frequentemente parqueado aqui em frente, no Verão aberto e sem capota. E o hipopótamo (?) aviador ali, pronto para a viagem (esta foto foi tirada bem cedo pela manhã, sossego total na rua, apenas eu e a Pinha passeando).
É um bairro pequenino, projectado à nossa escala. Talvez por isso - mas eu acho mesmo que é pela sua bravura - nenhum ladrozeco de meia tigela o tenha levado.
Porque não confiar?