quarta-feira, 25 de novembro de 2009

taxímetro

vs o direito de sair.



O começo não foi bom, reconheça-se. Não prepararam o que iam dizer, a investigação foi insuficiente, não sentiram o que estavam dizendo (uma honrosa excepção), não nos cativaram. Não seria fácil transmitirem a paixão pelo filme ao mesmo jeito do homenageado, podiam ter sido neutros, não seria preciso irritarem-nos. Terei de reformular - irritarem-me. Pareceu-me pelas gargalhadas que a assistência apreciou. O que é motivo adicional de enervamento: que a fasquia desça tão baixo e e a incompetência mereça aplauso.

Não tem de ser assim. Não é uma questão de idade ou de experiência. É uma questão de fasquia. De a colocar mais alto e de querermos passar por cima, não por baixo.

Há vantagens na mudança, vamos conhecendo outras maneiras de fazer as coisas.

Venho de uma escola onde todos os anos uma professora de biologia, a prof. Isabel Chaves, organizava com os seus alunos de 12º ano, os encontros da Bioética. Os alunos, fora das aulas (pois eram assuntos extra-programas) investigavam a fundo um assunto que lhes apelasse dentro desse grande tema aglutinador. Podia ser o aborto, podia ser a eutanásia, as touradas, a manipulação genética, qualquer coisa. O trabalho era feito em grupo e dentro de cada escolhiam-se alunos a favor e contra. Muitas vezes a divisão era artificial, isto é os alunos preparavam-se afincadamente para defender a existência de touradas não obstante, no seu íntimo, serem contra. Os encontros de Bioética decorriam tipicamente durante três dias. Nesses dias, cada grupo de alunos (4 a 5 alunos em cada grupo) tinha uma hora (na altura as aulas tinham 50 min) para si. Deste modo, durante uma tarde, havia 4 temas. A sala de alunos era preparada com uma mesa para os "palestrantes", o resto enchia-se com cadeiras para assistência. Dentro de cada tema, os palestrantes apresentavam o seu caso durante 10 minutos (mais ou menos). Eram apresentados os argumentos a favor por 2 ou três, depois o microfone passava para o outro lado da mesa e os outros apresentavam os seus argumentos contra. A partir daí, a assistência podia intervir, pedir esclarecimentos, contrapor e a mesa ia respondendo de acordo com o tipo de intervenção.

Era dias muito ricos para a escola e uma experiência preciosa para os intervenientes. A preparação era minuciosa, os alunos preparavam-se para todo o género de perguntas, tinham de estar habilitados cientificamente para responder. Relembro que as matérias da biologia não cobriam os temas tratados, dependia tudo deles e da sua capacidade de trabalho. Assistiu-se a debates memoráveis naquela escola. E os alunos faziam tudo.
É claro que tinham por trás, a espicaçá-los, a professora Isabel Chaves. Mas fundamentalmente era o seu brio que os fazia ir mais alem.

A professora tinha também um outro papel muito importante: o de educar a assistência. Não só nesse - em todos os debates o fazia - ia para a frente da audiência de microfone em punho e advertia que iam assistir ao debate tal e tal, que a partir do momento em que este começasse ninguém podia sair antes dele ter sido dado por terminado e que por vezes isso implicava abdicar do intervalo. Os debates não se compadecem com o cronómetro. Se alguém não estava disposto a assumir esse compromisso, então deveria sair logo naquele momento. Conseguiu. Educou uma escola a assistir e a participar em debates.

Na nossa escola ainda não quisemos ir por aí. Acreditamos que os alunos podem fazer tudo, até ligar o taxímetro. Hoje começou mal e começou tarde. A folha de sala distribuída à entrada (tivemos 15 minutos para a ler, tempo suficiente) referia a duração do filme 112 minutos. Quase duas horas portanto. Tirando a chatice das "bocas parvas" que nem foram muito numerosas e sempre dão aquele ar nostálgico de cinema de província (lembro-me do Iberia nas Caldas da Rainha da minha infância), tivemos também a luminosidade dos telemóveis dos meninos que pediram aos respectivos professores para iram assistir à sessão para não terem aula. Para não terem aula, a mais alta motivação de uma franja larga de alunos.

Podiam ter ido logo embora. Escolheram ligar o contador e sair ao toque. Percebo que não se ligassem, acho que nos assiste esse direito. É diferente de uma conferência e mesmo nessa - a rigor - também nos assiste. Agora, o toque é que me eriça. A burocracia do toque.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

where there's a will

there's a way, dizia o comentador entusiasmado, numa entrada impossível de um jogador de basquetebol. Ele entra pelo garrafão adentro, vindo bem detrás da linha dos três pontos, contorce-se evitando o contacto por entre uma amálgama de jogadores e lá lança, mesmo barrado por vários braços, convertendo o cesto.

Uma frase gira.

Estava aqui procurando uns vídeos para um exercício amanhã (veremos o que vai dar, o histórico de primeiras vezes não me é favorável e já estou a ser gentil, é bom quando escapa à categoria de fracasso esplendoroso) e dei com ela. De facto, ele lá encontrou o seu caminho.