O programa das comemorações dos 100 anos é ambicioso, creio já o ter dito, e aliás é consensual. Nem tudo o que lá consta vai acontecer - vide, por exemplo, a mensagem anterior com o cancelamento de algo que me/nos diz directamente respeito - o que é de lamentar. Ainda assim, a riqueza de tudo o que já aconteceu e do que - temos a certeza - irá ocorrer, transmite-nos uma sensação de completude. E dá-nos a ideia (penso que adequada) que as comemorações foram o pretexto para algo de maior.
Há de tudo - palestras, debates, conferências, concertos, teatro, ópera, exposições, instalações e sei lá que mais.
Começou com uma Sessão Solene que pretendeu - e conseguiu - ser isso mesmo: Solene. Aperaltámos-nos, cabeleireiros, saltos altos, risco nos olhos, gravatas, casacos, sapatos engraxados, todos muito bonitos. Flores, copos com água, mesas drapeadas, pena alguns discursos terem sido tão expectáveis. E logo pelas pessoas com maiores responsabilidades, tão vazias de ideias, secas de emoções. Depois, o espanto perante a debandada geral, o abdicar da parte que poderia - e foi - ser mais viva, mais interessante. Como disse uma professora abismada "um espectáculo caríssimo, sim! porque ver as pessoas que actuaram noutro contexto custaria um dinheirão". Verdade, e elas vieram graciosamente, porque tinham sido alunas, porque a escola lhes foi importante, porque - de algum modo - ainda têm essa dívida imaterial.
Na semana passada uma quinta-feira de arromba. Uma palestra/debate pela manhã em que o arquitecto Ventura Terra foi lembrado pelo Verador do urbanismo da CML, arq. Salgado e o novo projecto para a nossa escola foi aflorado pelo arq. Falcão de Campos. Evasivo este, assertivo aquele, foi uma ocasião rara para pensarmos questões que nos afectam a toda a hora. Falta sempre o tempo, parece, nestas ocasiões para se aprofundar um pouco mais, faz parte do formato, não há volta a dar-lhe.
Porém, à tarde, o formato perfeito - uma fusão concerto/aula. Bom, não aula, mais uma apresentação, uma introdução a. Falo do concerto de Jazz Multimédia protagonizado pela JB Jazz, uma escola de Jazz. Fantástico, falaram-nos sobre Jazz, trouxeram excertos, pequenos filmes, tocaram peças representativas de cada estilo, ensinaram-nos a aplaudir. E isto tudo com enorme inteligência e bom humor. Adorei! Uma mistura ímpar de profissionalismo, paixão, frescura. Virão todos os meses, valerá a pena estarmos atentos.
O programa é extenso, como sabemos, não será possível irmos a todas. A ter de escolher: JB Jazz de certeza, uma aposta ganha.
Uma escola a regurgitar de vitalidade, indo ao passado e logo regressando, um saltinho aqui no presente, uma janela para a frente, um ano que vai passar a correr.