Foi um dia bonito na escola, o passado dia 16.
Teve a inauguração do jardim com as flores da prof. Fernanda Lebres e seus alunos de artes, um projecto executado no ano lectivo passado. Teve a entrega dos diplomas de 12º ano aos alunos que terminaram em Julho, inaugurou-se a exposição do arq. Ventura Terra em simultâneo com objectos do espólio e museu da escola, houve a apresentação e venda do livro dos 100 anos, e houve, sobretudo, o regresso à escola de todos quantos quiseram e puderam.
A partir das três da tarde começou-se a viver uma efervescência que foi crescendo à medida que se aproximavam as 17.30, hora para começar a sessão solene. O ginásio encheu-se de cabeças brancas e outras nem tanto, cá fora na esplanada ficaram os alunos mais novos que assistiram em directo (ficaram bem melhor servidos - viam e ouviam bem, estiveram ao fresco todo o tempo; dentro do ginásio a partir de dois terços do espaço não se ouvia bem, o som não tinha boa qualidade, estava muito calor).
Os discursos, com algumas excepções foram decepcionantes. Os dois últimos então, demasiado longos, sem uma ideia própria, politizados (propaganda no caso da Ministra, clichés estafados no caso do Presidente) deram o golpe de misericórdia num público que me espantou. Com efeito, não imaginaria que prescindissem daquilo que considerei a melhor parte - a parte cultural - a dança, a música, a declamação de poemas, o canto.
Não só o programa em si e pelos artistas terem todos sido alunos do Camões, como pelos apresentadores que também o tinham sido. Esperar-se-iam histórias dentro da história e foi isso que veio a suceder. Beatriz Batarda de uma simplicidade cativante, Jorge Palma cheio de sentimento e genica, algo tímido porém, não conhecia essa sua faceta. O Maestro do Lisboa Cantat com umas histórias engraçadíssimas entre canções, Ana Paula Russo generosa, alegre, bem disposta, profissional, dando o seu melhor com uma sala que se esvaziava. E depois, todos os improvisos, uns apresentadores a chamarem um outro que não estava previsto mas que afinal estava ali na sala, porque não?, um clarinetista que não estando no programa inicial, insistiu em tocar de novo naquele palco e com um encore auto-proposto pôs toda a plateia a rir (com um solo em que o clarinete ria, ria troçando de uma professora antipática). Jorge Silva Melo (que foi aluno) com a sua voz encantadora lendo-nos Mário Dionísio (que foi professor) e fascinando-nos.
E, os primeiros de todos, "os nossos meninos" como diz carinhosamente a D. Olinda, a D. Fernanda, como dizemos nós também, professoras. Os nossos corajosos meninos, convidados no dia anterior e que responderam sim, à chamada. Um plano B, quando o A falha, e que resulta afinal tão bem. Melhor até porque feito com gosto, com alegria, porque sai de dentro, porque é genuíno. Curiosamente, vim para casa lendo o livro (sim, também não resisti, comprei-o logo) e vejo tantas citações às turmas B. Uma prática reprovável, claro, e que já não se pratica - a de arrumar os alunos por notas. A turma B era sempre dos bons alunos, aliás um testemunho (creio que o próprio Jorge Palma) refere que começou na turma B e acabou na E.
A safra B de 2009 foi excepcional, disseram todos os professores, não pelas notas, sim pelas pessoas. Uma turma memorável e parte importante dela foi da "dança".
Obrigada meninos pela prontidão, pela generosidade, pela entrega. Era importante para a escola do presente que a sessão fosse aberta pelos alunos do presente. De modo nenhum se quereria concluir que antigamente é que era quando nós sabemos que agora se é e que o futuro está bem entregue.
Parabéns por serem como são.