por cento "são fáceis", diz ela. Qualquer um pode lá chegar, basta reduzir um pouco aqui, um pedaço ali. O que custa é chegar aos 30, 40 por cento. Subscrevo, reconhecendo, como ela, que para mim é fácil. Não gosto de compras, somos praticamente vegetarianas aqui em casa, não usamos aquecimento (algumas excepções, lá em cima no sótão e apenas para que se consiga dormir, a lareira uma dúzia de noites), o carro está parado à porta a maior parte dos dias, férias de avião uma vez a cada três anos. Há algumas melhorias na calha - janelas duplas e isolamento lá em cima quando houver um pé de meia, desfazer-me da máquina de secar. Desistir por completo do carro será mais difícil embora ele ande a colaborar (já afirmei alto e bom som que quando este se finar não compro outro, veremos se serei capaz de honrar). Escrevo tudo isto e vejo afinal que tenho um imenso espaço para corte.
Uma miúda apaixonada, e, sobretudo honesta. Sem pejo em confessar o seu embaraço pelo paradoxo da campanha: desde que a começou o que a leva a viajar de uma ponta à outra do globo a sua pegada carbónica tem aumentado. A própria realização do documentário "A idade da estupidez" ?será a idade do estúpido?) obrigou-a a vender a alma ao diabo. Lembrei-me da discussão sobre a "coisa" promovida pelo Maca.
Gosto também do seu entusiasmo pelo desafio. Um pouco alucinada é certo, como se o desastre anunciado nos (vos?) viesse salvar de uma vida condenada à futilidade de magnas decisões como comprar uns ténis nike. Nem tanto ao mar nem tanto à terra, porém as motivações de cada um aqui são irrelevantes, o que interessará mesmo será o resultado final. Que depende mais de cada um de nós e da força colectiva do conjunto de todos nós (perdoem as redundâncias, pretende-se aqui o tom enfático) que de medidas que os governos não querem/podem/ousam tomar.