quinta-feira, 30 de julho de 2009

tangentes

Péssima organizadora de viagens, deixo sempre tudo para a última, confiante, eterna optimista, que o acaso se encarregará de encher as brancas. De uma maneira ou de outra, por bem ou por mal, ele não se nega. Desta vez exagerei, só ontem telefonei para a Decathlon a pedir umas caixas de cartão para embalar as bicicletas. Estranharam um pouco, não devem estar habituados, mas acederam com boa vontade. Hoje, ao fim do dia, fui levantá-las. Apresentei-me, fui fazer umas compras e regressei. Os moços, ocupados, simpáticos, sorriram e disseram que sim, podia levar. Um deles, sorriu um pouco mais e perguntou:

- Reconhece-me?
(franzi o nariz, um não mudo)
- Fui seu aluno em Paço d'Arcos...
(semicerrando os olhos, tentando localizá-lo no espaço) - Hum... em que turma?
Ele sorriu e a resposta perdeu-se no barulho da loja.
(a medo) - humm....Filipe?
- José. A professora confundia-me sempre com o Filipe C....... Eu fazia atletismo.
- ah!!! (um instantâneo de um miúdo magricelas, brincalhão, irrequieto, correndo sempre) Zé!

Ficámos ali um bom pedaço a conversar enquanto ele aparafusava e afinava uma bicicleta. Está na FMH, anunciou-me orgulhoso, prestes a licenciar-se e a ingressar na vida. Na realidade já trabalha, quer ali, quer como treinador de natação. Disse-me que de vez em quando vê-me numa corrida e, de facto, lembrei-me que nesse mesmo ano em que fui sua professora ele tinha também participado na corrida da ponte.
Sossegou-me quanto às bicicletas, também já viajou com a dele de comboio e não houve azar.

Um prazer, uma emoção que sempre me dá com cada reencontro fortuito. Aqui num momento em que arbitrava o torneio de voleibol de Natal. Inesperadamente (não era grande jogador nem tinha muita experiência), revelou-se um belíssimo árbitro, com presença de espírito, tranquilidade, acutilância. E (a memória desenrola-se) além disso muito responsável e abnegado: recordo-me que arbitrou todo o dia sem um queixume ou uma evasão.

A graça de ser professor (em linguagem matemática) - fazemos parte de um mesmo conjunto, ou, com menos sorte, limitamos-nos a umas secantes, por vezes entramos mesmo em rota de colisão (aqui numa aproximação à navegação) e finalmente, depois de sairmos da órbita uns dos outros, temos a sorte destas breves, amáveis tangentes.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

lá longe

algures pelos Estados Unidos.

O campeonato começa amanhã, uma bela foto (à sorrelfa*) dos treinos preliminares. Desejos para que lhes corra bem.

(*teria posto um ligação directa para a foto mas não dá)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

há dias felizes

para as instituições. Hoje foi um deles para a nossa escola. Saíram as colocações, sempre uma lotaria, dos professores para os quadros de escola, os que ficam a fazer parte e não precisam de concorrer (enfim, até nova ordem, mais dia menos dia acabará esta tranquilidade).

A grande novidade é que a prof. Bárbara ficou efectiva. Para vocês isto não dirá talvez muito pois quando vieram para a escola, ela já lá estava. Os últimos concursos já foram de três anos e isso foi óptimo. Tivemos a sorte de terem ficado ali professores dedicados, que gostam dos alunos, de dar aulas, da escola, de fazer coisas.

Se há algo que caracterize este grupo de educação física é esta - sem descurar as aulas - vontade imperiosa de estar sempre metido em várias actividades ao mesmo tempo. Têm-me sido uns anos muito gratos e uma boa parte é devida a este grupo de professores.

Resta agora esperar que o prof. Ricardo Frias fique lá colocado na segunda parte, bem como os profs. Ricardo Castro, Luís, Cristina e até, quem sabe?, o tripeiro Pedro.


A foto não é de hoje; estava aqui guardada para um dia que viesse a propósito. É que me sinto sempre abençoada quando vejo um animal selvagem no seu habitat natural. O simpático coelho dificilmente se qualifica como selvagem mas, de tão arisco, não é fácil ver-se. No caminho para a escola, ao longo do inverno, costumo ver (mais ouvir) ratos. Ao pé da estação de Oeiras há um talude que imagino perfurado numa complexa rede de túneis. Eles fogem ao pressentir alguém na noite e fazem uma restolhada nas folhas secas.

Estes coelhos estão numa zona bem mais aberta e, têm sido frequentes à alvorada desde que a primavera esticou os dias. Não sei se há muitos e já sobre-popularam o pequeno baldio, se simplesmente estão mais afoitos, confiantes no nosso civismo. Deixam-se sempre a sorrir, com a sensação de ter ganho o dia. Como hoje. É uma questão de trabalho de equipa. Nós professores passamos a vida a advogá-lo mas na realidade com uma boa dose de cinismo pois não o praticamos. Com excepções e ali na escola há bastantes para o que já vi e vivi noutras.

Espero que amanhã tenham tanta sorte como a que hoje nós, professores naquele cantinho, tivemos.

festival internacional dança oeiras

É aqui mesmo à minha porta, não muito longe da vossa.
O programa ecléctico e de alta qualidade.

Consultem! E inscrevam-se.

Ontem, a convite das minhas filhas, fui ver um espectáculo de um grupo amador aqui de Oeiras. Foi no Casino Estoril, numa sala relativamente pequena, o dobro da nossa, talvez, mas com uma inclinação muito ténue. Os nossos lugares eram bem recuados o que foi pena pois o espectáculo foi muito bom. Gostei das várias peças - entre a dança jazz, as orientais e umas misturas de salsa com contemporânea. Aliás, as ligações estavam muito bem. Não sou grande fã quer das orientais, quer das danças sociais em espectáculos deste cariz mas neste estavam óptimas. Apelativas, criativas, nada previsíveis.

Enfim, com uma excepção: numa das peças utilizaram aquela música Mambo number five e não teve nada a ver com a "nossa" do ano passado. De facto, tenho de confessar que estive todo o espectáculo em duas camadas, ou dito de outra forma, em dois níveis de percepção (às vezes três, quando me ocorria uma ou outra abordagem para o próximo ano). Um nível, o de apreciação pura, o desfrute, o deleite, a entrega ao momento. Um segundo nível, uma certa irritação por elas serem tão boas e nós estamos ainda tão aquém. Não é comparável de modo nenhum, apresso-me a dizer. Elas poderão ser amadoras mas dançam há anos e anos. Mesmo a mais recente (uma amiga das minhas filhas) veio da ginástica acrobática, o que tem imensa transferência. E por fim, têm uma excelente professora. De dança. Faz toda a diferença. Seria como, em Março levar uma equipa de basquetebol de desporto escolar formada em Setembro a defrontar uma equipa federada de um clube com pergaminhos.

Toda esta conversa também para dizer que uma das professoras que dá oficinas neste festival Fido, é a professora Paula Careto, a coreógrafa de Estados da Alma, o espectáculo de ontem. Tenho imenso pena dos afazeres da escola não me permitirem frequentar.

Regressando lá atrás, às comparações tontas, fiquei muito contente, uma vez mais pela qualidade que alguns dos nossos trabalhos conseguem, ainda assim, alcançar. E não me refiro, evidentemente, apenas ao Open Bar. Temos, ao longo destes três anos, peças muito boas, momentos brilhantes, apontamentos comoventes.