Fui hoje ver a ante-estreia do filme "Os mistérios de Lisboa ou What the tourist should see", cortesia do presidente da Câmara de Lisboa ou seja, entrada livre. Um filme de Fonseca e Costa baseado no livro de Pessoa, escrito como um guia tal e qual como o título indica em 1925, porém não publicado. Foi encontrado na arca nos finais do século e então impresso.
Convite do meu irmão a quem o assunto interessa (eu já tinha aliás folheado o livro e pensado que seria uma boa aquisição para a nossa biblioteca), resposta afirmativa minha, ainda por cima envolvia um jantarinho com o primo na cervejaria ao lado. (estive doente toda a semana, metabolismo totalmente sincronizado com o calendário lectivo, desde pequena que é assim, só fico doente em férias neste caso feriados, estava a precisar de arrebitar)
Uma ante-estreia é sempre uma excitação, de um filme português um pouco mais, de Fonseca e Costa então, é um expoente. Foi no S. Jorge, um microfone no palco anunciava como aliás é de regra, umas palavras iniciais. Dirigiram-se 4 pessoas, duas mulheres e dois homens. Começaram as mulheres, Teresa Rita Lopes, uma especialista em Pessoa. Falou, falou, falou, um discurso palavroso, deslocado da audiência e do propósito, não cativou, não elucidou, limitou-se a maçar. Depois, Inês Pedrosa, directora actual da casa Fernando Pessoa, escritora que merece o meu respeito (céus, o que eu chorei com Fazes-me falta; não resistiu a uma segunda leitura anos passados mas não renego o que senti) pega na palavra. Palavrosa também, discurso inconsequente, cega aos sinais da audiência que desligando, pôs a conversa em dia com o vizinho do lado, imparável ignorou as palmas com que a tentámos avisar. Espantoso como duas mulheres indubitavelmente inteligentes, cultas, escolhem ignorar o público e prosseguem, impávidas, egoístas, o seu plano pessoal, perseguindo sabe-se lá que directrizes.
Depois Fonseca e Costa sintético, lapidar, incisivo, interessante. A finalizar, António Costa idem. Não faço juízos do seu trabalho na Câmara de Lisboa mas não desmereceu a admiração que me conquistou com o seu desafio burro vs Ferrari. Estas coisas parvas mas tive pena que as mulheres tivessem saído a perder, os homens foram bem mais interessantes que elas.
E pergunto-me porquê? Porque foram elas cegas? Nunca ninguém lhes disse? Não aprenderam a fazer apresentações em público? Não tiveram de apresentar trabalhos em frente das turmas? E os professores não lhes disseram nada?
Admitindo que não, tiveram azar na formação, ainda assim são mulheres com responsabilidades. Têm milhares de bons exemplos, basta ver. Por exemplo as Ted Talks. São todas boas, não há que enganar.
E, claro, fiquei a pensar neste ano. Acabo-o com alguns amargos, com a sensação de não ter dado o meu melhor (leia-se de não ter dito tudo) por receio de não querer ferir, por sentir que estava a massacrar, que não havendo receptividade mais valia deixar andar. Foi um erro, é sempre um erro.
Deixo aqui este excerto do jornal de hoje:
The morning after Nadal won his first grand slam, the 2005 French Open, at 19, Costa, himself a former top 10 player, found Toni reading a handwritten list in the hotel dining room.
"What is that?" asked Costa.
"I was thinking," said Toni, "about all the things he did bad."
"Maybe you don't tell him this today," said Costa.
"No," said Toni. "Has to be now."
Tennis is a mental game, and everyone who plays it has an inner narrative that serves as a self-fulfilling prophecy or a self-created stumbling block.
Roger Federer's narrative is one of perfection, an enviable storyline provided you're winning. But when you're losing, perfection is an albatross - a "monster", as Federer puts it - because it doesn't permit even the most cursory failure.
Nadal's narrative, squarely focused on the need to improve and to strive, is more forgiving and humane. "To improve you have to have mistakes," he says. "That is the problem with improving. You have to accept that problem."
Sempre o desporto como ilustração. Não é por acaso, é porque o desporto mimetiza a vida, a outra vida. E algo me diz que nenhuma das senhoras de hoje teve uma experiência significativa nessa área.