Devia ser ao contrário (cresci em África nos primeiros anos) mas não é. Dou-me mal com o calor, a onda, esta, está por fim a passar.
Aqui em casa abrem-se as janelas - ao mundo e suas criaturas - assim que passam as mordeduras de Janeiro, fecham-se quando o frio é já insuportável. Novembro, Dezembro, varia. Atrás temos um baldio, um querido baldio com vida genuína. Nunca dei por ratos, mas há-os com toda a certeza, coelhos também, cobras sim vêem-se, corujas ouvem-se e vêem-se, é fabuloso.
Um pouco depois da primavera chegaram as andorinhas, fazem voos rasantes do lado da rua. Por qualquer razão fazem todos os ninhos nos beirais poentes. Um destes dias, de manhã cedo ouço uma comoção na cozinha, um gritinho seguido de uma restolhada, parecia um livro a ser sacudido com violência. Não acudi, sabia a Ana a ler na mesa, imaginei-a a tentar afastar um insecto. Perdi uma boa oportunidade, era afinal uma andorinha mais desgovernada que entrou pela janela e depois não conseguia sair. Quando cheguei, a Ana já as tinha escancarado, libertando-a.
Ontem, chego tarde da escola, vejo ao lusco fusco uma lagartixa no tecto do meu quarto. Hesito em a deixar ficar, quem sabe uma aliada nas minhas batalhas nocturnas com melgas e seus compadres, depois lembro-me das histórias de elas, fatigadas, se despegarem caindo sobre os incautos. Já me basta a mosquitada. Tento tirá-la de um golpe com a vassoura para a devolver "lá fora". É claro que não resulta, há-de andar algures pelo quarto. De noite elas não têm muita energia, espero que hoje recupere e encontre, por si só, a saída.
Enfim, uma animação. A alvorada aí está e mais um dia.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
terça-feira, 16 de junho de 2009
da da da
Tinha pedido ao Dinis e seus colegas para colocar aqui o vídeo da sua actuação na Festa Convívio de 28 de Maio. O grupo consentiu mas teve preferência pela actuação inaugural no dia do Concurso de Karaoke de Alemão. De modo que aqui está.
Mais um vídeo que não faz completa justiça, aliás nem incompleta, não faz de todo! ao real. Constrangimentos deste meio; ainda assim permite uma ideia mais fiel que as palavras emocionadas de uma espectadora suspeita.
Mais um vídeo que não faz completa justiça, aliás nem incompleta, não faz de todo! ao real. Constrangimentos deste meio; ainda assim permite uma ideia mais fiel que as palavras emocionadas de uma espectadora suspeita.
domingo, 14 de junho de 2009
tempo de celebrar
o Verão, o fim de um ciclo, o interregno antes do começo de um outro, a amizade, os laços, o bom tempo, o ar livre, o sol que continua subindo um pouco mais em cada dia, o que quisermos.
Este bairro onde vivo é muito bem concebido. Tem uma zona central com jardim infantil, campo de jogos e respectiva sede, campo de ténis, tudo rodeado por prédios baixos. Depois, uma rua larga circular com mais prédios baixos no lado de fora. Estacionamentos amplos, exposição solar igual para todos (ninguém faz sombra a ninguém) jardins cuidados.
Há um sentimento de aldeia, muitos conhecem-se de há trinta anos. Ajuda, creio, o bairro ter sido comercializado no "ultramar" no início dos anos 70 e ainda nos emigrantes europeus. Com a descolonização os primeiros habitantes acabaram sendo os "retornados" com toda uma vivência particular e diferente dos metropolitanos. Uma excelente capacidade de iniciativa, vontade de se organizarem, alegria de viver, desde logo constituíram um clube cultural e recreativo que pouco a pouco foi crescendo.
Todos os anos as festas do clube animam o bairro e arredores. Estão cada vez mais elaboradas sem perderem a espontaneidade, o "terra-a-terra". Fazem o típico churrasco e em cada noite há um programa diferente. No próprio clube há um grupo de danças de salão, de danças populares, do ventre, já houve hip hop e sevilhanas. Depois convidam este ou aquele grupo.
Este exemplo é de alunos de uma escola que, imagino, a Marlene há-de conhecer por ficar em Rio de Mouro. Fizeram uma abordagem gira às danças de salão, aqui o cha cha cha. Fizeram também rumba cubana, jive e hip hop.
Filmado da minha janela, dei em voyer.
Jive, não sei se com o grupo avançado de danças de salão do bairro (há agora 4 níveis), se com convidados. Pouco importa, são estonteantes.
Este bairro onde vivo é muito bem concebido. Tem uma zona central com jardim infantil, campo de jogos e respectiva sede, campo de ténis, tudo rodeado por prédios baixos. Depois, uma rua larga circular com mais prédios baixos no lado de fora. Estacionamentos amplos, exposição solar igual para todos (ninguém faz sombra a ninguém) jardins cuidados.
Há um sentimento de aldeia, muitos conhecem-se de há trinta anos. Ajuda, creio, o bairro ter sido comercializado no "ultramar" no início dos anos 70 e ainda nos emigrantes europeus. Com a descolonização os primeiros habitantes acabaram sendo os "retornados" com toda uma vivência particular e diferente dos metropolitanos. Uma excelente capacidade de iniciativa, vontade de se organizarem, alegria de viver, desde logo constituíram um clube cultural e recreativo que pouco a pouco foi crescendo.
Todos os anos as festas do clube animam o bairro e arredores. Estão cada vez mais elaboradas sem perderem a espontaneidade, o "terra-a-terra". Fazem o típico churrasco e em cada noite há um programa diferente. No próprio clube há um grupo de danças de salão, de danças populares, do ventre, já houve hip hop e sevilhanas. Depois convidam este ou aquele grupo.
Este exemplo é de alunos de uma escola que, imagino, a Marlene há-de conhecer por ficar em Rio de Mouro. Fizeram uma abordagem gira às danças de salão, aqui o cha cha cha. Fizeram também rumba cubana, jive e hip hop.
Filmado da minha janela, dei em voyer.
Jive, não sei se com o grupo avançado de danças de salão do bairro (há agora 4 níveis), se com convidados. Pouco importa, são estonteantes.
lacunas na formação
Fui hoje ver a ante-estreia do filme "Os mistérios de Lisboa ou What the tourist should see", cortesia do presidente da Câmara de Lisboa ou seja, entrada livre. Um filme de Fonseca e Costa baseado no livro de Pessoa, escrito como um guia tal e qual como o título indica em 1925, porém não publicado. Foi encontrado na arca nos finais do século e então impresso.
Convite do meu irmão a quem o assunto interessa (eu já tinha aliás folheado o livro e pensado que seria uma boa aquisição para a nossa biblioteca), resposta afirmativa minha, ainda por cima envolvia um jantarinho com o primo na cervejaria ao lado. (estive doente toda a semana, metabolismo totalmente sincronizado com o calendário lectivo, desde pequena que é assim, só fico doente em férias neste caso feriados, estava a precisar de arrebitar)
Uma ante-estreia é sempre uma excitação, de um filme português um pouco mais, de Fonseca e Costa então, é um expoente. Foi no S. Jorge, um microfone no palco anunciava como aliás é de regra, umas palavras iniciais. Dirigiram-se 4 pessoas, duas mulheres e dois homens. Começaram as mulheres, Teresa Rita Lopes, uma especialista em Pessoa. Falou, falou, falou, um discurso palavroso, deslocado da audiência e do propósito, não cativou, não elucidou, limitou-se a maçar. Depois, Inês Pedrosa, directora actual da casa Fernando Pessoa, escritora que merece o meu respeito (céus, o que eu chorei com Fazes-me falta; não resistiu a uma segunda leitura anos passados mas não renego o que senti) pega na palavra. Palavrosa também, discurso inconsequente, cega aos sinais da audiência que desligando, pôs a conversa em dia com o vizinho do lado, imparável ignorou as palmas com que a tentámos avisar. Espantoso como duas mulheres indubitavelmente inteligentes, cultas, escolhem ignorar o público e prosseguem, impávidas, egoístas, o seu plano pessoal, perseguindo sabe-se lá que directrizes.
Depois Fonseca e Costa sintético, lapidar, incisivo, interessante. A finalizar, António Costa idem. Não faço juízos do seu trabalho na Câmara de Lisboa mas não desmereceu a admiração que me conquistou com o seu desafio burro vs Ferrari. Estas coisas parvas mas tive pena que as mulheres tivessem saído a perder, os homens foram bem mais interessantes que elas.
E pergunto-me porquê? Porque foram elas cegas? Nunca ninguém lhes disse? Não aprenderam a fazer apresentações em público? Não tiveram de apresentar trabalhos em frente das turmas? E os professores não lhes disseram nada?
Admitindo que não, tiveram azar na formação, ainda assim são mulheres com responsabilidades. Têm milhares de bons exemplos, basta ver. Por exemplo as Ted Talks. São todas boas, não há que enganar.
E, claro, fiquei a pensar neste ano. Acabo-o com alguns amargos, com a sensação de não ter dado o meu melhor (leia-se de não ter dito tudo) por receio de não querer ferir, por sentir que estava a massacrar, que não havendo receptividade mais valia deixar andar. Foi um erro, é sempre um erro.
Deixo aqui este excerto do jornal de hoje:
The morning after Nadal won his first grand slam, the 2005 French Open, at 19, Costa, himself a former top 10 player, found Toni reading a handwritten list in the hotel dining room.
"What is that?" asked Costa.
"I was thinking," said Toni, "about all the things he did bad."
"Maybe you don't tell him this today," said Costa.
"No," said Toni. "Has to be now."
Tennis is a mental game, and everyone who plays it has an inner narrative that serves as a self-fulfilling prophecy or a self-created stumbling block.
Roger Federer's narrative is one of perfection, an enviable storyline provided you're winning. But when you're losing, perfection is an albatross - a "monster", as Federer puts it - because it doesn't permit even the most cursory failure.
Nadal's narrative, squarely focused on the need to improve and to strive, is more forgiving and humane. "To improve you have to have mistakes," he says. "That is the problem with improving. You have to accept that problem."
Sempre o desporto como ilustração. Não é por acaso, é porque o desporto mimetiza a vida, a outra vida. E algo me diz que nenhuma das senhoras de hoje teve uma experiência significativa nessa área.
Convite do meu irmão a quem o assunto interessa (eu já tinha aliás folheado o livro e pensado que seria uma boa aquisição para a nossa biblioteca), resposta afirmativa minha, ainda por cima envolvia um jantarinho com o primo na cervejaria ao lado. (estive doente toda a semana, metabolismo totalmente sincronizado com o calendário lectivo, desde pequena que é assim, só fico doente em férias neste caso feriados, estava a precisar de arrebitar)
Uma ante-estreia é sempre uma excitação, de um filme português um pouco mais, de Fonseca e Costa então, é um expoente. Foi no S. Jorge, um microfone no palco anunciava como aliás é de regra, umas palavras iniciais. Dirigiram-se 4 pessoas, duas mulheres e dois homens. Começaram as mulheres, Teresa Rita Lopes, uma especialista em Pessoa. Falou, falou, falou, um discurso palavroso, deslocado da audiência e do propósito, não cativou, não elucidou, limitou-se a maçar. Depois, Inês Pedrosa, directora actual da casa Fernando Pessoa, escritora que merece o meu respeito (céus, o que eu chorei com Fazes-me falta; não resistiu a uma segunda leitura anos passados mas não renego o que senti) pega na palavra. Palavrosa também, discurso inconsequente, cega aos sinais da audiência que desligando, pôs a conversa em dia com o vizinho do lado, imparável ignorou as palmas com que a tentámos avisar. Espantoso como duas mulheres indubitavelmente inteligentes, cultas, escolhem ignorar o público e prosseguem, impávidas, egoístas, o seu plano pessoal, perseguindo sabe-se lá que directrizes.
Depois Fonseca e Costa sintético, lapidar, incisivo, interessante. A finalizar, António Costa idem. Não faço juízos do seu trabalho na Câmara de Lisboa mas não desmereceu a admiração que me conquistou com o seu desafio burro vs Ferrari. Estas coisas parvas mas tive pena que as mulheres tivessem saído a perder, os homens foram bem mais interessantes que elas.
E pergunto-me porquê? Porque foram elas cegas? Nunca ninguém lhes disse? Não aprenderam a fazer apresentações em público? Não tiveram de apresentar trabalhos em frente das turmas? E os professores não lhes disseram nada?
Admitindo que não, tiveram azar na formação, ainda assim são mulheres com responsabilidades. Têm milhares de bons exemplos, basta ver. Por exemplo as Ted Talks. São todas boas, não há que enganar.
E, claro, fiquei a pensar neste ano. Acabo-o com alguns amargos, com a sensação de não ter dado o meu melhor (leia-se de não ter dito tudo) por receio de não querer ferir, por sentir que estava a massacrar, que não havendo receptividade mais valia deixar andar. Foi um erro, é sempre um erro.
Deixo aqui este excerto do jornal de hoje:
The morning after Nadal won his first grand slam, the 2005 French Open, at 19, Costa, himself a former top 10 player, found Toni reading a handwritten list in the hotel dining room.
"What is that?" asked Costa.
"I was thinking," said Toni, "about all the things he did bad."
"Maybe you don't tell him this today," said Costa.
"No," said Toni. "Has to be now."
Tennis is a mental game, and everyone who plays it has an inner narrative that serves as a self-fulfilling prophecy or a self-created stumbling block.
Roger Federer's narrative is one of perfection, an enviable storyline provided you're winning. But when you're losing, perfection is an albatross - a "monster", as Federer puts it - because it doesn't permit even the most cursory failure.
Nadal's narrative, squarely focused on the need to improve and to strive, is more forgiving and humane. "To improve you have to have mistakes," he says. "That is the problem with improving. You have to accept that problem."
Sempre o desporto como ilustração. Não é por acaso, é porque o desporto mimetiza a vida, a outra vida. E algo me diz que nenhuma das senhoras de hoje teve uma experiência significativa nessa área.
domingo, 7 de junho de 2009
noventas
Confirmada (agora por email da Marlene) a última sessão deste ano. Será na segunda feira, 8 de Junho, pelas oito da noite no auditório. Bilhetes ora nos intérpretes ora na portaria e papelaria da escola a partir das doze horas do próprio dia.

Um pouco aldrabado, o cartaz da autoria da Marina, modifiquei a data e a fonte não era esta. É a questão do timing, quem sabe ainda se fará por aqui alguma divulgação.

Um pouco aldrabado, o cartaz da autoria da Marina, modifiquei a data e a fonte não era esta. É a questão do timing, quem sabe ainda se fará por aqui alguma divulgação.
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