O apelo do palco e a vontade de dar uso ao que se aprendeu em termos de produção deu origem à sugestão de realizar um novo espectáculo no final do ano. Um tema unificador - os anos 90 e as suas influências nos actores / produtores. Todos nasceram nessa década (alguns em 1990, a maior parte em 91, ainda um em 92) e cresceram com o Rei Leão, a Pequena Sereia, a Pocahontas, os Pokemons, os Teletubbies, o Buerere e outros que tais.
Assistir às primeiras trocas de ideias foi bizarro pois tirando o Simba, o Timon e outros colegas, tudo o resto é-me desconhecido. Ouço falar no Macaco Adrião, nas velhas, no João Baião e não estabeleço nenhuma associação. Do João Baião conheço a cara, claro mas não identifico a postura quando o imitam. Buerere conheço o nome, Dragon Ball tenho a ideia de serem uns desenhos animados violentos. Sinto-me irmanada com a Marina que cresceu na Moldávia e a quem, também, nada disto evoca seja o que for.
Há uns anos tinha um amigo que me instava a ver o Contra-informação. "De que serve?" perguntava-lhe eu, "não vou perceber nada, eu não vejo o telejornal, nunca vou perceber as graças". "Não precisas", contra-argumentava o Jorge, "aquilo percebe-se tudo só por si, aliás é 2 em 1, ficas a par das notícias". Bom, eu leio os jornais, mantenho-me informada se bem que em diferido e já digeridas. Mas lá fiz o esforço; não persisti, percebia vagamente, porém, não o suficiente para me envolver.
Todas as minhas filhas nasceram nesta década; perguntei-lhes se conheciam estes nomes. Sim, felizmente têm avós que as integraram socialmente.
[no ano passado, uma das francesas que acantonou cá em casa disse-me que não tinha televisão e acrescentou que fazia parte dos 5% (7%? não me lembro do número exacto mas creio ser pouco inferior a dois dígitos) de franceses sem televisão em casa]
É uma bela ideia esta de ir beber a inspiração às músicas e às imagens que os impressionaram na primeira infância. Aliás, também por isso (o resto será pela experiência já ganha) o trabalho tem evoluído tão depressa.
Divago com a ideia de um trabalho conjunto com pessoas na década a seguir. Completar com referenciais de quem esteja hoje entre nos trinta anos. Twin Peaks, sem dúvida, a série de culto que todos seguíamos tem uma banda sonora perfeita: inconfundível, escura, densa, dramática. Northern Exposure, outra série, a minha preferida, menos fácil todavia. Lembro-me da música do genérico mas creio que a restante não seria distintiva.
Bem vindo de volta aos noventa, dirá, e muito bem, o cartaz de divulgação (frase saída hoje de um brainstorming na aula). A expectativa é alta.