Hoje vinha no metro lendo o jornal. Numa das paragens, entraram várias pessoas, uma senhora falava em voz alta; absorta, não levantei os olhos. Passado um pouco, a carruagem mais vazia, apercebi-me que na realidade a senhora falava para o geral. Aliás, inquiria em tom provocatório "é proibido falar?". Continuei de olhos baixos, já não embrenhada mas não querendo cruzar o meu olhar com o dela, recusando entrar no seu mundo, deixa-me estar aqui sossegadinha, "o nosso egoísmo não tem limites" costumava dizer o meu pai.
Há pouco, lembrei-me deste filme, vencedor em 2008 do Tropfest, o maior festival de curtas metragens. O primado da força da ideia sobre o orçamento e o superficial, nos dizeres da organização.
Dedicado à Brígida e "às meninas de cinema" que recolheram - e generosamente ofereceram - tanto material do nosso trabalho, estando ainda envolvidas na realização de uma curta-metragem subordinada ao Sente só.