segunda-feira, 18 de maio de 2009

conteúdo vs forma

e ainda a importância da leitura da situação.

O plano de hoje pressupunha um aquecimento rápido, ensinar a pequena coreografia de ragga da "Próxima paragem" e depois o "Jai ho". Esta dança era sem dúvida a parte de leão, o chamariz se quisermos, da sessão. O timing perfeito, o filme foi um dos mais vistos deste ano, ganhou imensos oscares, a música é animada alegre, a dança idem, ficam no olho e no ouvido. E depois é uma dança em linha, excelente para um aquecimento e, convenhamos, estamos necessitados de diversificar o nosso repertório - já enjoa tanto Saturday night fever e tanto merengue.

A sessão de hoje foi bem preparada, as professoras sabiam o seu papel, a maior parte das monitoras também, houve alguma divulgação, o ginásio estava com uma densidade q.b. A aparelhagem começou por nos torpedear, alguns problemas iniciais que atrasaram o arranque. Depois, talvez por desconhecimento de parte do público (admito que pensassem que viriam apenas para o jai ho), o ragga não foi muito bem recebido e parte dos alunos começou a desmobilizar. A falta de extensão do microfone também não ajudou.

Foi então que a aparelhagem fez das suas e ficámos mesmo sem qualquer emissão de música. Dez minutos de atrapalhação generalizada e, perante o impasse, comecei a preparar a miserável aparelhagem de substituição ao mesmo tempo que se optou por iniciar o Jai ho. Felizmente o António teve uma iluminação e percebeu que o problema estava num fio cortado e ficou - qual menino de dedo no buraco do dique - o resto da sessão a segurar nas pontas.

De qualquer modo, a leitura das reacções do público conduzia-nos a uma alteração de planos. A insistência no ragga conduziria, nos cinco minutos seguintes, à desistência irritada de meia dúzia de rapazes que já não regressariam, defraudados nas suas expectativas.

Teria sido uma pena pois parece-me que eles apreciaram bastante o Jai ho. Viu-se pelas caras de satisfação e pela execução esforçada e competente.

E isto leva-me a arriscar uma conclusão - a forma é muito importante. Termos sido pontuais, termos preparado a sala a tempo, estarmos bem equipados (hum.... nem todos), as coreografias consolidadas, um discurso treinado, atentos às dificuldades dos participantes, tudo isto de pouco teria servido se estes não se relacionassem com o conteúdo.

O Jai ho foi sem dúvida o conteúdo certo para o público de hoje.

Por fim, se não tivéssemos lido a situação, arriscávamos-nos a terminar com meia sala.
Não foi perfeito, poderíamos ter sido mais céleres a resolver a situação ou a decidir a alteração. Foi o possível e foi muito bom.

Foi um bonito trabalho de equipa.



E uma vez mais a nossa gratidão para com a Brígida que fez uma substituição de última hora.