quarta-feira, 27 de maio de 2009

consumismo

A foto da metáfora bem conseguida. Um pinheiro seco, ressequido, morto (ena tanta redundância) seguro por tijolos de cimento (nem sequer a caridade orgânica do barro), perdido, isolado no meio do asfalto. Coberto de lixo inútil (não, agora não é redundância, há-o bem útil), chamando-nos a atenção para o debate.

Um tema candente. De um modo ou de outro todos o somos. Seja nas banais roupas ou sapatos, nos adereços de pechibeque, nos relógios a condizer com o pullover, na tv, no transporte privado motorizado, nos livros, cd's, dvd's, internet.



O debate. À hora de começo estávamos dois professores e três alunos (penso que todos da organização). As cadeiras em círculos concêntricos apelavam à partilha, à troca íntima. As veneráveis estantes pejadas de livros, espectadoras indiferentes (as portas de rede fechadas a cadeado frisando bem a distância) ora um entusiasmo juvenil ora de um desespero adulto (noutros dias, noutras horas, é um simpático lugar de reunião).

Depois, um entrada conjunta de vários alunos com um professor, logo mais um conjunto de alunos e outro professor. Coincidência? Pode ter sido, espero que tenha sido. Mas gostaria - aquela curiosidade fútil - de saber quantos alunos estavam presentes sem aulas, isto é, quantos - propositadamente - se deslocaram à biblioteca para debaterem este tema que quer queiram ou não (leia-se tal como a Mafaldinha "todos fazemos parte da estatística, seja por vermos televisão seja por a não vermos) afectará, dramática, decisivamente, o seu futuro.

O debate? Debater ideias não é fácil quando não há muita prática. Resvalar para a caricatura é sempre uma vertigem - parabéns ao moderador que conseguiu evitar que dissecássemos o AL Gore e as suas viagens em jacto particular mais os cinco frigoríficos na sua mansão vs a sua bem sucedida (em termos de reconhecimento público e também na respectiva conta bancária) pregação.

Ficarmos na superficialidade dos pré-conceitos quando não temos o suporte dos conhecimentos (ou não queremos expor-nos) seria o expectável e foi isso que sucedeu. Ainda assim, uma iniciativa louvável pela pedrada na abulia colectiva, pela oportunidade que nos deu para nos opormos ou nos apoiarmos.

E este Maca-Camões é também um dos motivos porque fico feliz da opção de cortar as amarras há quatro anos atrás. Tem havido vários - o Francisco M. com as suas produções teatrais, a Inês L. e a agitprop, a AE do ano passado com a iniciativa da tutoria (será que chegou a funcionar? uma bela ideia ainda assim, talvez avançada no tempo) a conseguirem - penosamente - aplicar o conceito da escola participativa.