quarta-feira, 27 de maio de 2009

consumismo

A foto da metáfora bem conseguida. Um pinheiro seco, ressequido, morto (ena tanta redundância) seguro por tijolos de cimento (nem sequer a caridade orgânica do barro), perdido, isolado no meio do asfalto. Coberto de lixo inútil (não, agora não é redundância, há-o bem útil), chamando-nos a atenção para o debate.

Um tema candente. De um modo ou de outro todos o somos. Seja nas banais roupas ou sapatos, nos adereços de pechibeque, nos relógios a condizer com o pullover, na tv, no transporte privado motorizado, nos livros, cd's, dvd's, internet.



O debate. À hora de começo estávamos dois professores e três alunos (penso que todos da organização). As cadeiras em círculos concêntricos apelavam à partilha, à troca íntima. As veneráveis estantes pejadas de livros, espectadoras indiferentes (as portas de rede fechadas a cadeado frisando bem a distância) ora um entusiasmo juvenil ora de um desespero adulto (noutros dias, noutras horas, é um simpático lugar de reunião).

Depois, um entrada conjunta de vários alunos com um professor, logo mais um conjunto de alunos e outro professor. Coincidência? Pode ter sido, espero que tenha sido. Mas gostaria - aquela curiosidade fútil - de saber quantos alunos estavam presentes sem aulas, isto é, quantos - propositadamente - se deslocaram à biblioteca para debaterem este tema que quer queiram ou não (leia-se tal como a Mafaldinha "todos fazemos parte da estatística, seja por vermos televisão seja por a não vermos) afectará, dramática, decisivamente, o seu futuro.

O debate? Debater ideias não é fácil quando não há muita prática. Resvalar para a caricatura é sempre uma vertigem - parabéns ao moderador que conseguiu evitar que dissecássemos o AL Gore e as suas viagens em jacto particular mais os cinco frigoríficos na sua mansão vs a sua bem sucedida (em termos de reconhecimento público e também na respectiva conta bancária) pregação.

Ficarmos na superficialidade dos pré-conceitos quando não temos o suporte dos conhecimentos (ou não queremos expor-nos) seria o expectável e foi isso que sucedeu. Ainda assim, uma iniciativa louvável pela pedrada na abulia colectiva, pela oportunidade que nos deu para nos opormos ou nos apoiarmos.

E este Maca-Camões é também um dos motivos porque fico feliz da opção de cortar as amarras há quatro anos atrás. Tem havido vários - o Francisco M. com as suas produções teatrais, a Inês L. e a agitprop, a AE do ano passado com a iniciativa da tutoria (será que chegou a funcionar? uma bela ideia ainda assim, talvez avançada no tempo) a conseguirem - penosamente - aplicar o conceito da escola participativa.

terça-feira, 26 de maio de 2009

debates

Esta é semana de todos os debates, apresentações, palestras, documentários. Sem o dom da ubiquidade, todos teremos de escolher.

Eu amanhã escolho o Debate sobre consumismo promovido e organizado pelo Maca (Movimento Activista por um Camões Alternativo). Ontem cruzei-me com alguns dos organizadores que carregavam tijolos, meti-me com eles mas fiquei sem perceber qual a razão da penitência. À tarde, no meio do pátio norte, vejo uma árvore seca pintada de azul, coberta de lixo. Céus que coisa horrível!, pensei, as "artes estão demasiado vanguardistas" (sempre o juízo precipitado). Reconhecidos os tijolos, bordejei a instalação, percebo o seu propósito. Genial!, impossível de passar despercebido, este não será um debate a que não iremos porque não vimos o seu incaracterístico cartaz no meio de dezenas de outros incaracterísticos cartazes.

Um caso em que o horrível resulta sem ser gratuito. Não é fazer feio para que se destaque, está bem adequado ao tema. Provoca e desafia.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

e onde é o bar

da universidade?, respondeu-me um colega a um reenvio de um email informando da abertura de um curso de pós-graduação na Universidade Aberta. Dei uma gargalhada mas logo de seguida sobrevém um arrepio, o mesmo que tive no noutro dia em pleno conselho pedagógico quando se discutia as futuras intervenções na nossa escola. O ambiente era de alguma euforia quando alguém descrevia as melhorias para breve, cada um imaginando o seu sector brilhante, moderno, arrumado, todo o material necessário à distância de um braço quando o presidente do pedagógico deitou água na fervura. Falou em hipotecarmos o futuro ao fazermos obras e transformações de milhões de euros que demorarão 30 anos a pagar. Daqui a 30 anos, disse, as escolas não serão como são hoje. Provavelmente nem haverá escolas como agora as conhecemos, senão vejamos as universidades. O número de cursos online aumenta todos os dias, daqui a meia dúzia de anos faremos um curso universitário a partir de casa.

Encolhi-me lembrando-me da educação física. E como vai ser a educação física? Em frente do computador jogando jogos virtuais? (como aliás já há), fazendo abdominais e dorsais ao jeito da Jane Fonda nos anos oitenta?

Mas é claro que o prof. Manuel Gomes tem toda a razão. Volta e meia também ouço umas lições de cursos universitários no youtube e maravilho-me, uma vez mais, com os horizontes da internet. Mas e o bar? (eu nem fui frequentadora, ia às aulas e vinha para casa ou para todos os outros afazeres; ainda assim, relacionar-me era uma opção).

Comemorar os 100 anos adquire agora uma outra urgência.

sábado, 23 de maio de 2009

noite de convívio

Estamos todos convidados mais os pais, os amigos, as famílias.



Os "comes e bebes" serão ao ar livre, um churrasco no pátio norte. Memorável, promete a organização.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

referenciais

O apelo do palco e a vontade de dar uso ao que se aprendeu em termos de produção deu origem à sugestão de realizar um novo espectáculo no final do ano. Um tema unificador - os anos 90 e as suas influências nos actores / produtores. Todos nasceram nessa década (alguns em 1990, a maior parte em 91, ainda um em 92) e cresceram com o Rei Leão, a Pequena Sereia, a Pocahontas, os Pokemons, os Teletubbies, o Buerere e outros que tais.

Assistir às primeiras trocas de ideias foi bizarro pois tirando o Simba, o Timon e outros colegas, tudo o resto é-me desconhecido. Ouço falar no Macaco Adrião, nas velhas, no João Baião e não estabeleço nenhuma associação. Do João Baião conheço a cara, claro mas não identifico a postura quando o imitam. Buerere conheço o nome, Dragon Ball tenho a ideia de serem uns desenhos animados violentos. Sinto-me irmanada com a Marina que cresceu na Moldávia e a quem, também, nada disto evoca seja o que for.

Há uns anos tinha um amigo que me instava a ver o Contra-informação. "De que serve?" perguntava-lhe eu, "não vou perceber nada, eu não vejo o telejornal, nunca vou perceber as graças". "Não precisas", contra-argumentava o Jorge, "aquilo percebe-se tudo só por si, aliás é 2 em 1, ficas a par das notícias". Bom, eu leio os jornais, mantenho-me informada se bem que em diferido e já digeridas. Mas lá fiz o esforço; não persisti, percebia vagamente, porém, não o suficiente para me envolver.

Todas as minhas filhas nasceram nesta década; perguntei-lhes se conheciam estes nomes. Sim, felizmente têm avós que as integraram socialmente.

[no ano passado, uma das francesas que acantonou cá em casa disse-me que não tinha televisão e acrescentou que fazia parte dos 5% (7%? não me lembro do número exacto mas creio ser pouco inferior a dois dígitos) de franceses sem televisão em casa]

É uma bela ideia esta de ir beber a inspiração às músicas e às imagens que os impressionaram na primeira infância. Aliás, também por isso (o resto será pela experiência já ganha) o trabalho tem evoluído tão depressa.

Divago com a ideia de um trabalho conjunto com pessoas na década a seguir. Completar com referenciais de quem esteja hoje entre nos trinta anos. Twin Peaks, sem dúvida, a série de culto que todos seguíamos tem uma banda sonora perfeita: inconfundível, escura, densa, dramática. Northern Exposure, outra série, a minha preferida, menos fácil todavia. Lembro-me da música do genérico mas creio que a restante não seria distintiva.

Bem vindo de volta aos noventa, dirá, e muito bem, o cartaz de divulgação (frase saída hoje de um brainstorming na aula). A expectativa é alta.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

disposições

Na segunda feira deu-me uma quebra grande à hora de almoço. Um fim de semana trabalhoso, preenchido, cheio de sol e emoções, duas aulas logo pela manhã com duas simpáticas, enérgicas, desassossegadas turmas de décimo ano, algum cansaço acumulado provocaram uma sensação de vertigem, tontura, algum distanciamento da realidade que me cercava. Enquanto, reclinada no bar, de cabeça encostada na parede, aguardava o efeito do café, pensei para mim "se eu fosse aluna, ia-me embora, era hoje que dava uma falta". Mas não sou aluna e não o podia fazer, ainda por cima com a oficina do Ragga e Jai ho logo ali.

Claro que me passou e assim que começou - aliás antes, com a preparação do ginásio - voltou a energia e a boa disposição. Ser professor ou ser mãe, no fundo - ter responsabilidades é muito bom para a saúde.

Ontem, por razões diferentes, também pensei "hum... se eu fosse aluna, amanhã não vinha, amanhã dava uma falta bem dada. Arranjava um afazer à tarde inadiável". Ainda bem que não sou aluna e não o pude fazer. É sempre mais sensato encarar de frente as dificuldades.

terça-feira, 19 de maio de 2009

efemérides

Celebram-se hoje - 19 de Maio - 100 anos da estreia dos Ballets Russes, no Théâtre du Châtelet em Paris.

Excertos do jornal Público de ontem:

"(...) a dança como hoje a concebemos nasceu em grande medida a partir do sucesso que foi a primeira noite transformada em 20 anos de actividade consecutiva da primeira grande companhia de dança independente do mundo. Sem os Ballets Russes o século XX teria arrancado (...) sem a ideia de que os criadores de várias áreas, da música às artes plásticas, podiam sentar-se a trabalhar juntos para um mesmo fim.
Picasso, Matisse, Braque, Miró, Dalí, Stravinsky, satie, Cocteau - todos colaboraram com eles (...) e preparava o terreno para que décadas depois pudéssemos vir a conhecer nomes como Lucinda Childs, Trisha Brown, Merce Cunningham e Pina Bausch.
"Os Ballets Russes transformaram o ballet numa forma de arte moderna e vital", resume a investigadora norte-americana Lynn Garafola. "A ideia de que o estilo pode ser transformado, que não tem que ser a Bela Adormecida ou o Lago dos Cisnes como o [Marius] Petipa estava a fazer [na Rússia do século XIX], a ideia de que o ballet pode basear-se na expressão corporal e incluir a ideia de pesquisa, de procura de novas formas, que deve estar ligado à contemporaneidade, qualquer que ela seja, a ideia de que uma companhia não é um museu, nasce às mãos de Sergei Diaghilev", conclui esta especialista."

Estiveram em Portugal em 1917 (creio aliás que já falei nisso aqui) num período agitado da história europeia (revolução russo, plena 1ª Grande Guerra) e da nossa (sidonismo e 1ª República). Apresentaram vários espectáculos, sendo que o Sol da Meia-Noite, de Léonide Massine terá sido o mais perturbante, como se pode constatar por esta crítica que saiu na altura:

"Uma fantasia de manicómio, indiscutivelmente caricatural. O impenetrável simbolismo deste bailado causa espanto. Espécie de ode futurista, concebida por farsantes e dançada por malucos, esta peça de baile interessa pelo ineditismo dos seus processos, pelo contorcionismo alvar a que obriga os seus intérpretes e pela originalidade dos seus trajes. O cenário não vale nada."

O Público não menciona mas já li várias vezes descrições dos motins que a Sagração da Primavera causou na estreia em 1913.

Fascinante o impacto de um espectáculo nas pessoas de modo a estas, indignadas, revoltarem-se a ponto de perturbarem a ordem pública. Fascinante.

Adenda: um aspecto fundamental que ontem me esqueci de referir foi o pioneirismo dos Ballets Russes no destaque dado aos bailarinos. Com efeito, no século dezanove, os ballets eram montados sobretudo para as bailarinas, os homens eram acessórios ou suportes "best suporting role...", aqui numa acepção literal. Com os Ballets Russes os homens passaram a ter papéis centrais nos bailados.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

conteúdo vs forma

e ainda a importância da leitura da situação.

O plano de hoje pressupunha um aquecimento rápido, ensinar a pequena coreografia de ragga da "Próxima paragem" e depois o "Jai ho". Esta dança era sem dúvida a parte de leão, o chamariz se quisermos, da sessão. O timing perfeito, o filme foi um dos mais vistos deste ano, ganhou imensos oscares, a música é animada alegre, a dança idem, ficam no olho e no ouvido. E depois é uma dança em linha, excelente para um aquecimento e, convenhamos, estamos necessitados de diversificar o nosso repertório - já enjoa tanto Saturday night fever e tanto merengue.

A sessão de hoje foi bem preparada, as professoras sabiam o seu papel, a maior parte das monitoras também, houve alguma divulgação, o ginásio estava com uma densidade q.b. A aparelhagem começou por nos torpedear, alguns problemas iniciais que atrasaram o arranque. Depois, talvez por desconhecimento de parte do público (admito que pensassem que viriam apenas para o jai ho), o ragga não foi muito bem recebido e parte dos alunos começou a desmobilizar. A falta de extensão do microfone também não ajudou.

Foi então que a aparelhagem fez das suas e ficámos mesmo sem qualquer emissão de música. Dez minutos de atrapalhação generalizada e, perante o impasse, comecei a preparar a miserável aparelhagem de substituição ao mesmo tempo que se optou por iniciar o Jai ho. Felizmente o António teve uma iluminação e percebeu que o problema estava num fio cortado e ficou - qual menino de dedo no buraco do dique - o resto da sessão a segurar nas pontas.

De qualquer modo, a leitura das reacções do público conduzia-nos a uma alteração de planos. A insistência no ragga conduziria, nos cinco minutos seguintes, à desistência irritada de meia dúzia de rapazes que já não regressariam, defraudados nas suas expectativas.

Teria sido uma pena pois parece-me que eles apreciaram bastante o Jai ho. Viu-se pelas caras de satisfação e pela execução esforçada e competente.

E isto leva-me a arriscar uma conclusão - a forma é muito importante. Termos sido pontuais, termos preparado a sala a tempo, estarmos bem equipados (hum.... nem todos), as coreografias consolidadas, um discurso treinado, atentos às dificuldades dos participantes, tudo isto de pouco teria servido se estes não se relacionassem com o conteúdo.

O Jai ho foi sem dúvida o conteúdo certo para o público de hoje.

Por fim, se não tivéssemos lido a situação, arriscávamos-nos a terminar com meia sala.
Não foi perfeito, poderíamos ter sido mais céleres a resolver a situação ou a decidir a alteração. Foi o possível e foi muito bom.

Foi um bonito trabalho de equipa.



E uma vez mais a nossa gratidão para com a Brígida que fez uma substituição de última hora.

sábado, 16 de maio de 2009

quanto vale a sua

dança?

Uma pergunta impertinente num cartaz fabuloso.



Quando eu for grande gostava de fazer coisas assim. Mensagem clara, tudo se percebe. Arrumado, brincalhão, provocatório. As cores de África, os corpos, as vestes.

Eu iria se cá estivesse.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

pressão (e mudança de planos?)

Um momento alto do ano passado foi a noite do arraial. Futebol, convívio, bailarico, amizade, confusão, espontaneidade, as famílias de uns, os amigos de outros, foi a descompressão merecida de um ano difícil (são-o todos, afinal).

Este ano andava desanimada por não estar contemplado um arraial no nosso programa. "...porque isto e porque aquilo, porque já temos o baile de gala, porque há muitas actividades, porque..." Afinal, parece que sempre se faz.... mais cedo que o previsto, vai representar mais uma pressão sobre todos.

No dia 28 de Maio está prevista uma noite com tunas e mais algumas participações pelo que fará todo o sentido incluir o nosso Arraial. Quando falo em nosso penso sobretudo na Educação Física que é o grupo que organiza a logística, trata da decoração, enfim, operacionaliza. Em nosso também porque as áreas de projecto de dança têm aderido com o seu entusiasmo e paixão.

Antecipar a estreia da geração 90 para dia 28 (mantendo talvez as outras apresentações no horário diurno) parece ser um desafio irrecusável. É?

Adenda: como dizia no outro dia, um dos grupos (a propósito da produção do Sente só): um aspecto negativo foi ter pouco tempo para trabalhar; por outro lado, foi positivo na medida em que a pressão ajudou os alunos a focalizarem-me mais, perdendo menos tempo.

danças nos museus

No próximo fim de semana os museus em todo o mundo irão estar muito animados. Por cá, a dificuldade vai ser a escolha. O programa detalhado pode encontrar-se em instituto dos museus e da conservação mas eu faço, desde já, alguns destaques:

Sábado
momento de dança barroca no Palácio Nacional da Ajuda (21 horas) e momento de dança romântica (23:30)

danças da Corte de D. João I, sala do cisne, Palácio Nacional de Sintra (22 horas e 23 horas)

oficina de danças tradicionais (17 horas) no Museu de Etnologia, Restelo (já lá fui uma vez, há alguns anos, foi engraçado).

Tudo entrada livre, parece-me. Mas a oficina de danças tradicionais deve precisar de inscrição prévia via telefone (o espaço é muito pequeno).

As actividades são inúmeras - o Museu do Traje chama os gostam de moda - uma imperdível será visitar o Aqueduto à noite. Tenham medo, tenham muito medo.

Eu que tenho uma vida social próximo do zero, não estarei cá este fim de semana. É azar.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

pequenos projectos

Com o fim do ano a aproximar-se, ultimam-se os projectos finais desta edição. A turma 2 prepara-se para realizar uma oficina destinada à comunidade escolar. Será no dia 18 de Maio pelas 13:30 e as danças a ensinar serão uma curta coreografia de ragga e um pedaço do Jai Ho, a alegre dança do genérico do Quem quer ser bilionário.



Aqui a Brígida ensina a coreografia às colegas da AP dança.

A turma 1 prepara um pequeno espectáculo final que irá estrear no dia 2 de Junho pelas 10 horas no auditório. O tema incide nos anos 90, a década em que todos nasceram e as influências dos programas da TV, filmes da Disney, desenhos animados, músicas no seu crescimento e naquilo que hoje são. Irão ter alguma colaboração da turma 2.

Outras pequenas oficinas de hip hop estão ainda em gestação (deveriam acontecer já amanhã e depois) mas tiveram de ser adiadas por motivos de saúde.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

o próximo

Hoje vinha no metro lendo o jornal. Numa das paragens, entraram várias pessoas, uma senhora falava em voz alta; absorta, não levantei os olhos. Passado um pouco, a carruagem mais vazia, apercebi-me que na realidade a senhora falava para o geral. Aliás, inquiria em tom provocatório "é proibido falar?". Continuei de olhos baixos, já não embrenhada mas não querendo cruzar o meu olhar com o dela, recusando entrar no seu mundo, deixa-me estar aqui sossegadinha, "o nosso egoísmo não tem limites" costumava dizer o meu pai.

Há pouco, lembrei-me deste filme, vencedor em 2008 do Tropfest, o maior festival de curtas metragens. O primado da força da ideia sobre o orçamento e o superficial, nos dizeres da organização.



Dedicado à Brígida e "às meninas de cinema" que recolheram - e generosamente ofereceram - tanto material do nosso trabalho, estando ainda envolvidas na realização de uma curta-metragem subordinada ao Sente só.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

dança na gare

Recebi esta informação; na senda das intervenções nos espaços públicos, esta parece prometedora. Interrogo-me aliás, em vista do prof. de Hip hop se alguns de vós não estarão entre os artistas.


(acontece sempre isto quando faço uma gravação de um pdf em jpeg e depois o upload para aqui - uma corrupção nas cores originais. As letras estavam a vermelho e aqui ficam azuis. No computador continuam encarnadas, bizarro...)

Adenda: confirma-se que os alunos da ap1 que frequentam a Full Out irão estar presentes na Gare do Oriente no sábado. Mais uma oportunidade para ver Mix Hop ou será uma outra composição?

terça-feira, 5 de maio de 2009

momentos felizes



O acerto nesta figura é excelente, um sincronismo perfeito resultado de muito treino, inúmeras repetições e, claro, dedicação sem limites.

(por lapso, naquele dia em que transferi as fotos do prof. Lino e do Filipe para o meu computador extraviei este lote, talvez o melhor de todos, tem fotografias magníficas)

Aproveito para repetir o que disse na altura: não há alinhamentos unânimes. O que ficou como definitivo teve como pressuposto uma coerência no espectáculo, um equilíbrio de géneros de dança (não colocar dois tangos na mesma parte, por ex.), alternância por um lado, continuidade pelo outro, palco mais cheio vs peças com menos gente, em suma um espectáculo tão interessante para o público quanto possível. Tentei ainda, dentro da coerência acrescentar algum encadeamento histórico em pequenos agrupamentos de peças.

O facto de uma pessoa entrar 4 vezes numa parte e nenhuma na outra foi absolutamente irrelevante; o facto de entrar em duas peças seguidas foi cuidadosamente ponderado mas os argumentos apresentados em cima, suplantaram a inconveniência.

Se o alinhamento traduz uma visão, a minha visão? É verdade, dificilmente poderia ser de outro modo. Mas não reflecte de modo nenhum uma hierarquia seja do que for. A título de exemplo, o alinhamento do Ao ritmo do Camões. Foi tão polémico como este, muito franzir de sobrolho, ranger de dentes, tudo igual. Uma peça que todos quantos assistiram se lembrarão este e por muitos anos (a tensão na sala era palpável em cada apresentação) estava perdida no meio de uma das partes. Não iniciava nem finalizava. E todos nos lembramos dela. Quando as coisas têm valor não precisam de muleta, ou como dizia o Manuel Campos "ao mau jogador até o bigode o incomoda".

actos falhados

No outro dia, a propósito do dia da dança, foi este o título que me ocorreu para a posta. Não o utilizei por duas razões: algum pudor, não quis melindrar, por saber que alguns não aguentam e acham o juízo destrutivo; a segunda razão foi os objectivos para o evento não estarem claramente definidos. Pretendia-se ensinar? praticar? agitar? animar? divulgar? quebrar a rotina? Se considerarmos este último, o sucesso foi completo. Não precisamos de fazer um estudo exaustivo para o concluirmos. Vivemos naquela escola 180 dias por ano, atravessamos os pátios várias vezes ao dia, é raro ver-se um grupo de malucos aos pulos.

Agitámos um pouco também, como disse nesse mesmo dia, expusemos-nos, mostrámos que não receávamos fazer figuras. A nossa escola é algo monocromática, olhamos de longe e vemos uniformidade. É certo que haverá grupos mas não se distinguem à vista desarmada. Não vemos (muitos) rapazes de cabelos compridos, raparigas de cabelo curto, rapazes de saias, raparigas estilo "andanças", até mesmo as turmas de artes se diluem no conjunto.

(para quem advogava ontem precaução na emissão de juízos de valor, isto hoje não está nada mau, já lá vão uma série deles)



Para aquilo que foi afinal um movimento espontâneo dentro da Ap, foi engraçado. Foi uma lança em África, ganhámos experiência para um dia que queiramos fazer uma coisa a sério e sim, animámos. Mas também é certo que não desencadeámos nenhuma vaga de fundo, daí o título intuitivo auto-censurado.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

juízos

de valor.

Numa conversa, há muito anos, o meu primo dizia qualquer coisa como isto "os juízos de valor são a maior fonte de conflito entre as pessoas" e discorreu um bom pedaço sobre o assunto. Fiquei a matutar nisso, volta e meia lembro-me dessa noite em que discutíamos estes originais e profundíssimos assuntos enquanto vagueávamos pela rua.

Um julgamento de valor é uma apreciação subjectiva sobre algo, subjectiva porque baseada num ponto de vista pessoal. É, se quisermos, uma conjectura.

Ao darmos valor e emitirmos juízos baseados em impressões / opiniões e não em factos, embarcamos por vezes em equívocos tremendos. A literatura está cheia deles, as mais das vezes trágicos. (também os há deliciosos mas as histórias subsequentes são menos interessantes) O efeito grupo distorce-nos a clareza, prejudica-nos a isenção do olhar, tolda-nos o raciocínio. Há aquela cena tão engraçada no Clube dos Poetas Mortos em que o professor pede aos alunos que andem, no pátio, de modos diferentes. Nem todos conseguem "é difícil manter as nossas convicções debaixo do olhar dos outros", comenta o professor. É verdade. Nós fizemos bastantes exercícios nesse sentido. Não terão ainda resultado a 100%, temos tempo de maturação diferentes.

E não é fácil.

(com o Manuel Campos, aquele treinador de quem fui adjunta, tive uma experiência rica neste campo. Tínhamos umas divergências acerca de umas atletas, um dia discutíamos mais acesos a convocatória ou não de duas delas para um jogo. Eu entendia que ele tinha uns pré-juízos sobre elas, tinha má vontade vá, e por isso não as queria convocar. "Não, repara- disse ele - é ao contrário. Tu é que tens, tu é que tens umas ideias feitas e queres decidir com base nelas. Ora repara nisto......" e desmontou-me ali os meus argumentos. Ele tinha razão, eu tinha uma opinião favorável sobre as miúdas e cega, desvalorizava as suas falhas perante os factos indesmentíveis. Desculpava-as por questões pessoais e familiares que nada tinham a ver com os seus desempenhos dentro da equipa)

Não é fácil mas podemos tentar. E depois o desperdício quando abdicamos de usar os nossos neurónios em favor dos do vizinho.


Alargando os horizontes mesmo que, como aqui, num poço incógnito no meio da serra.

domingo, 3 de maio de 2009

dançar no tempo

Estou a frequentar, neste fim de semana alargado, as 1ªs Jornadas de estudo da Dança Antiga Portuguesa. É organizado pela Associação Danças com História e o tema é a reconstituição da única Dança Baixa (ou Basse Danse) portuguesa conhecida - La Portingaloise.

Hesitei em inscrever-me - o cursinho é pago a peso de ouro, eu não - acabei por decidir-me em função da professora que já conhecia de outras andanças no norte, num curso de dança antiga há dois anos atrás. Cecília Grácio Moura é chamada de Mestra pelos elementos da Associação; é-o com inteiro mérito, não só pelo conhecimento profundo que tem da matéria como pela sua postura tranquila, paciente, não confrontante. Muito pontual - chego como sempre quinze minutos antes, já lá está com o cd a tocar, preparada para a aula. Conduz com método, vai lendo os participantes, sempre atenta e aberta a inflexões de percurso.

Hesitei também pelo conteúdo limitado: três dias a aprender uma única dança?

Já tinha tido experiência de danças renascentistas - A Pavana, entre elas - aprendiam-se numa tarde, praticavam-se na manhã seguinte e, conhecendo-nos participantes entradotes, não seria a repetição no outro dia e meio que iria melhorar substancialmente os resultados. Compreendam-me, em qualquer idade tem de haver pausa entre repetições ou acaba-se a repetir e a consolidar o erro; a partir dos quarenta pior um pouco.

Ir, foi uma decisão acertada. De facto, a coreografia está aprendida - trata-se apenas de memorizar trinta passos - agora executá-los a preceito é outra história. As Basse Danses eram danças da corte, concebidas para mostrar a magnificência dos nobres dançarinos e impressionar os convidados ou visitantes. Eram lentas e majestosas e cada passo tinha de encaixar no tempo com exactidão. A postura e a respiração eram fundamentais assim como o olhar. O rigor e a precisão do movimento, o destaque da sua característica intrínseca que o destacassem dos demais, executadas com alma, leia-se a partir de dentro.

Estou a descrever afinal preocupações bem actuais de todos os dançarinos; mesmo o lento e majestosos aplicam-se por vezes. É difícil executar com sentido àquela velocidade: qualquer indefinição / imprecisão ganha proporções tremendas.

Os participantes, com excepção de mim, fazem todos parte da associação pelo que são bastante conhecedores e esmiúçam todos os detalhes. A propósito do qual, esclareci com a Cecília a questão da posição das mãos na Pavana. A resposta fica num ponto intermédio entre a minha ideia inicial e a que terminámos fazendo - a mão da senhora sobre o a do homem, antebraços juntos apontando o chão (45º aproximadamente, um pouco à imagem da manchete embora aqui a senhora repouse o seu braço sobre o do homem para melhor se deixar conduzir).

Para além dos detalhes, tem sido muito proveitoso porque a Cecília não se contenta com o manual, prefere criar a inovar respeitando o espírito. Passámos a tarde em evoluções coreográficas com imensa transferência para qualquer outra peça. E depois, o retorno às raízes dá-nos outra dimensão do presente.

Amanhã, iremos terminar a La Portingaloise e fazer uma perninha nas Haute Danses; eram assim chamadas por serem mais saltitadas a alegres, eram dançadas pelo povo que não tinha pergaminhos a defender.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

classe

Uma colega minha inunda-me de ligações, avisos de oficinas, espectáculos, aulas abertas. Este está espantoso, presumindo que talvez não conheçam, aqui fica.