terça-feira, 14 de abril de 2009

a nossa contribuição

para o burlesco.
Nossa, entenda-se, do pessoal dos bastidores. A ideia da ventoinha vinha de trás, mais um adereço para desconstruir a peça do James Bond. Mas houve sempre outras prioridades, treinar isto, modificar aquilo, parecia que nunca mais acordávamos sobre a sua versão definitiva. E foi-se adianto a questão operacional - ir buscar a ventoinha, tratar de uma extensão, encontrar quem a operasse - para as calendas. Depois, os dias do ensaio geral e da estreia correram tão mal que nem pensar em arranjar mais lenha para nos queimarmos. Finalmente na quinta feira às quatro horas, finda a 4ª sessão que correra sem incidentes e até um pouco mole (estava tudo estafado, o público em apatia pós-prandial não colaborou), a Tatiana sugeriu que tratássemos então da ventoinha. "Boa ideia, Tatiana, ou agora ou nunca, além disso isto está tudo a correr tão bem, vamos lá introduzir um elemento de risco, uma surpresa. Além disso temos de dar um bónus a quem veio ver todos". De maneira que lá fomos, a São Besteiro e o João que adoram alinhar nestas coisas colaboraram com a extensão, a ventoinha veio do bar, o Dinis disse logo que sim, treinou a seco (não havia tempo para treinar com as cordas e as Bond Girls).

O resultado é o que se vê.



Na régie só ouço um grito surpreso "que é aquilo?" O António, embrenhado na sua mesa de mistura não tinha sido avisado do bónus. Eu, de qualquer dos modos teria apanhado um susto, com o cabo a ficar preso, o Dinis quase a ser abalroado pela Tatiana no refluxo da onda, a cena a meio passo de ter acabado num completo desastre, não fora nada daquilo que tínhamos imaginado quando nas aulas pensáramos na ventoinha. Foi muito melhor! Para mim foi um verdadeiro bónus, tive um ataque de riso que demorou toda a peça a passar, o grito ecoando "que é aquilo?", a figura do Dinis de ventoinha em punho perseguindo a Bond Girl, logo tendo de fugir dela. Uma cena do melhor cinema mudo, ainda choro a rir de cada vez que vejo.

(O que sucedeu foi que a Isabel pisou, inadvertidamente o cabo da extensão prendendo o Dinis. Obrigada meninos por estes momentos, pela vossa colaboração pronta, desinteressada, disposta a tudo)