Sair da escola indo ao encontro da comunidade, esta agora situada num raio mais largo, para realizar uma animação foi uma proposta lançada para cima da mesa no início do ano.
A primeira edição da AP gostou da ideia, houve alguns projectos concretizados. Este foi o único em que os alunos saíram de facto; nos restantes, trouxeram a comunidade até à escola (uma experiência transcendente sem dúvida, será merecedora de uma outra menção).
A Patrícia fez os contactos preliminares. Ela e a Catarina, creio, pertenciam a um grupo de jovens da Paróquia e, com a ajuda do Padre, prepararam uma animação no Centro de Dia. Fomos de metro e no caminho o Ivo lia, em voz alta, os apontamentos da Patrícia. Bem organizados, tinham as várias fases em sequência. Terminavam com um Plano B.
- Plano B? - perguntou o Ivo - não está cá nada.
- Não está porque não há - respondeu a Patrícia - logo se vê.
Chegámos bem cedo a seguir ao almoço, a sala de convívio estava cheia de mesas com grupos jogando dominó e cartas. A Patrícia tentou fazer a apresentação mas ninguém lhe ligava, o apelo do jogo era mais forte. Finalmente, com a ajuda de uma senhora da casa e que, ainda assim, teve de invocar o nome do Padre (ausente naquela tarde com pena nossa) dizendo que ele tinha dado ordens para que todos colaborassem (invertendo assim, e justamente, o sentido da colaboração), as pessoas a custo, concederam em levantar-se e arrastar as mesas para os cantos. Conseguida a clareira (o pequeno filme em baixo mostra o último grupo de resistentes) a Patrícia explicou o propósito e a metodologia - primeiro fariam uma demonstração e depois ensinariam as danças a todos.
Perante a indiferença geral, o grupo de alunos (Patrícia, Ivo, Catarina, Carolina, Ana Santinho, havia ainda um outro rapaz da AP robôts e a Anabela) dançaram uma dança de roda. "Estas danças antigas não nos interessam nada" e continuaram nos seus afazeres. Passou-se então à segunda dança - um cha cha cha. Aí já houve alguma resposta, alguns pares vieram para o meio dançar. O ambiente continuava porém, a ser de reserva e quase hostilidade (em duas ou três pessoas), afinal tínhamos vindo perturbar a rotina diária. Até que, já não sei de quem foi a ideia, se da Patrícia, se da senhora que tomava conta do Centro, alguém foi lá atrás e produziu uma cassete com as músicas dos bailes. O delírio total, a pista encheu-se num ápice e não voltou a esvaziar. Todos dançámos com todos, foi uma animação, encontrou-se o plano B. Ou encontrou-nos ele...
Os rapazes foram um sucesso, várias senhoras quiseram casar o Ivo com as netas ou sobrinhas. No final, perguntaram quando voltávamos, sugeriram uma vez por semana, os mais entusiastas, duas. Foi um encanto de uma tarde.
E depois o que aprendemos - não haver um plano B rigoroso pode não ser fatal, basta que haja abertura e leitura da situação. Que houve. Ir ao encontro das vivências das pessoas é a melhor estratégia para lhes captar a atenção e a boa vontade. Tal foi demonstrado com a música pimba.
Finalmente, quem animou quem? Nós saímos de lá eufóricos, ganhámos a tarde e foi das melhores experiências daquele ano.