quinta-feira, 30 de abril de 2009

um dia

ia ter graça fazer uma coisa do género.

a la minute

Animações nos pátios sul e norte no decorrer dos intervalos. Descontraídas queremos lá saber se estamos a fazer figuras, o que é isso de fazer figuras?, provocatórias venham daí também , alegres, uma organização em cima do joelho a propósito do dia mundial da dança. Como deve ser, aliás, com tanta dança ali na escola não há qualquer necessidade de uma comemoração elaborada. Duvido aliás que o público casual tenha feito a associação; como deve ser, de novo, não precisa. A dança ali na escola tem sido vivida dentro e fora das paredes todos os dias.

A acrescentar à animação e quebra de rotina, um pequeno contributo para a mudança de mentalidades "não nos levemos demasiado a sério".


terça-feira, 28 de abril de 2009

animações (2)

(continuando na senda das animações na comunidade da primeira edição)

O grupo do Afonso, Filipe, Francisco, Vera, Carolina, Rita (espero não me esquecer de ninguém) planeou a sua animação numa escola primária. Desenvolveram alguns contactos, a primeira escola não foi receptiva, a segunda sim todavia não dispunham de espaço. A consequência foi trazê-la à nossa. Uma excursão de miúdos muito organizados, na típica fila dupla, a entrarem pela porta do nosso pavilhão foi um espectáculo ele mesmo. As manobras seguintes para os organizar dentro do pavilhão foi outro.

O Afonso, prevendo um desequilíbrio de géneros difícil de gerir nestas idades, tinha trazido um lápis para pintar bigodes nas miúdas se estas excedessem o número de rapazes. No caso contrário não haveria problema pois havia imensas ajudantes - não só algumas raparigas da turma da AP2, como da AP1 (o grupo do "Centro de Dia").

Pintados os bigodes, emparelhados os miúdos, organizadas as rodas havia que ensinar as coreografias. O espaço enorme, as dificuldades acústicas aliadas ao reduzido tempo de concentração dos miúdos (ainda assim, apenas os miúdos mais velhos vinham fazer de facto a aula, os mais pequeninos vinham para assistir) e ao fraco débito da aparelhagem, tornaram a missão quase impossível. Lá se conseguiu a expensas de um imenso cansaço por parte dos alunos da AP que comandaram as operações.

Foi também um balanço claramente positivo - as estratégias encontradas foram adequadas à situação (tal como na véspera, no centro de dia, houvera um desajuste entre o conteúdo e o público), a solidariedade que se manifestou entre alunos sem responsabilidade na animação e que de pronto vieram ajudar foi bonita de se ver, a escola primária(na voz dos seus professores e director) saiu satisfeita.

Os miúdos?

Os miúdos tiveram o seu momento. O recreio que se seguiu à aula, quando os mais pequeninos descem das bancadas e ocupam o pavilhão juntando-se aos mais velhos, correndo todos como uns cachorrinhos à solta, sem um propósito definido pelo puro prazer do exercício, foi digno de se ver. O nosso pasmo mudo substituído por um sorriso "ganharam o dia", é a loucura total como diz o Filipe, o homem da câmara.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

noites

de dança


Por sugestão da Carla que também vive por aqui, aqui fica uma sugestão para o Dia Mundial da Dança (há por aí milhares, enfim, talvez uma dezena num raio alcançável por nós).

São duas noites - 29 e 30, espectáculos às 21:30 no Auditório Eunice Munoz em Oeiras. Entrada livre mas limitada à lotação; o auditório é pequeno havendo interesse, impõe-se a reserva.

São duas noites de semana e o programa não é demasiado excitante. Ainda assim, quem sabe?

Adenda: ambas esgotadas.

domingo, 26 de abril de 2009

ares frescos

Uma inspiradora golfada de ar fresco. Literalmente, que estava muito frio sobretudo à noite.



Só a temeridade dos quinze anos, a urgência de passar a linha, tomar o gosto ao desconhecido - bom, aqui pressentia-se agreste - lhes permitiu tirar gozo deste banho gelado.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

yakamoz (2)

Uma sugestão para este fim de semana que bem precisados devem estar de descontrair - dança contemporânea no Centro Cultural Malaposta - sábado às 21.30, domingo às 17.00.

É uma produção do grupo Péantepé "amadores são aqueles que amam". Uns colegas, portanto.



Aconselho.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

garbo

Há qualquer coisa neste grupo de indefinível, tento encontrar um adjectivo e não consigo. Uma aragem italiana, quase felliniana embora me lembre dos filmes dele a preto e branco e se há consenso em relação a estes figurinos é com certeza, uma enorme eclosão de cores. Talvez mais na onda de um Kustorica.

Mas o estilo vago de cada um, todos diferentes entre si (no sector da esquerda parecia haver alguma alusão aos pescadores, no da direita às damas de sociedade conservadora na primeira metade do século passado) dá um ar, como direi? de troupe de saltimbancos que viajavam de terra em terra apresentando o seu espectáculo. As vicissitudes da vida de nómadas, uma sociedade que já não precisa deste tipo de entretenimento e que apenas os vai ver por um sentimento de dívida nostálgica. O ar de companhia fanada dado pelos fatos dissonantes, contradito pelo imenso garbo com que actuaram. O orgulho de quem sabe ter sido grande e, se a mó de baixo que agora atravessam não lhes permite manter um guarda roupa a preceito, sabem não obstante que o seu verdadeiro valor está neles mesmos.

Maravilha!



Um pouco como aquelas pessoas que podem não ter tido um grande almoço e terem dúvidas se irão ter jantar, mas não é por isso que não se arranjam a primor antes de sair para a rua.

Tive verdadeiro orgulho em vocês hoje, meninos.

Adenda: no final a Marlene dizia rindo-se, qualquer coisa como isto "se me perguntarem qual foi o dia em que fiz a maior figura". Não sei, acho que há algo de catártico em fazer figuras destas. É que foram bonitas figuras.

terça-feira, 21 de abril de 2009

fim da semana

alucinante.

Receber encomendas é bom sinal, significa que temos algo que agrada a outrem o suficiente para nos comprar, contratar ou ...pedir. No caso concreto, a solicitação para integrarmos a cerimónia da entrega de prémios do IV Concurso Literário Camões indica que somos apreciados e que, além disso e mais importante, confiam em nós para abrilhantarmos (este termo é um pouco pimba mas penso que podemos passar por cima disso) a dita. Não nos exibirmos a nós, sim contribuirmos para destacar, realçar aquilo que é verdadeiramente o motivo do evento - os escritores / poetas e as suas obras.

Gostei também deste convite pelo pretexto que nos deu em várias frentes - para mim, ir recuperar os meus apontamentos do curso de dança antiga, ter de aprofundá-los e trabalhar um estilo de dança novo; para vós, entrarem também nessa onda bem diferente e depois terem de encontrar soluções rápidas e baratas para os figurinos. A Luísa que fez uma saia, a Susana que foi recuperar os seus fatos de Carnaval de infância (a cena hoje de uma Branca de Neve vogando pela sala, acompanhada de uma princesa prateada desmaiando ao sopro do mimo foi outro momento para o álbum das memórias) e o aparato que imagino amanhã são indicadores da capacidade de produção.

E é giro, ter assim estes desafios a que temos de dar resposta no espaço de uma semana.

Depois, na quinta feira a ideia é nos intervalos ir para os pátios e deixarmos-nos ir ..... na música. Uma instalação, agitar, abanar, arrastar (os outros), alegrar a escola. Dançar as coreografias mais populares, disco, merengue, salsa (?), cha cha cha (?)

À noite, mais um espectáculo e depois na sexta-feira alinhar com a instalação do 25 de Abril que está a ser organizada pela Associação de Estudantes (?), pelo Dinis e Isabel de certeza. Tenho pena de não estar cá nesse dia, adoraria assistir.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

cartaz

O Filipe, simpático, mandou-me o cartaz corrigido, não me tinha apercebido que tinha sido ele a fazer o lettering, outro trabalho de equipa, este cartaz.



E já agora, que estamos na semana da Educação Física lá na escola, há uma pequenina colecção de fotografias do Sente Só Camões à entrada da Biblioteca. Estão todas muito boas, vale a pena passar por lá. Entretanto, o prof. Ricardo Frias disse que iria também colocar um filme a passar, estou cheia de curiosidade - o das actividades do Curso Tecnológico de Desporto que estava hoje em exibição estava muito bom.

domingo, 19 de abril de 2009

animações (1)

Sair da escola indo ao encontro da comunidade, esta agora situada num raio mais largo, para realizar uma animação foi uma proposta lançada para cima da mesa no início do ano.

A primeira edição da AP gostou da ideia, houve alguns projectos concretizados. Este foi o único em que os alunos saíram de facto; nos restantes, trouxeram a comunidade até à escola (uma experiência transcendente sem dúvida, será merecedora de uma outra menção).

A Patrícia fez os contactos preliminares. Ela e a Catarina, creio, pertenciam a um grupo de jovens da Paróquia e, com a ajuda do Padre, prepararam uma animação no Centro de Dia. Fomos de metro e no caminho o Ivo lia, em voz alta, os apontamentos da Patrícia. Bem organizados, tinham as várias fases em sequência. Terminavam com um Plano B.

- Plano B? - perguntou o Ivo - não está cá nada.
- Não está porque não há - respondeu a Patrícia - logo se vê.

Chegámos bem cedo a seguir ao almoço, a sala de convívio estava cheia de mesas com grupos jogando dominó e cartas. A Patrícia tentou fazer a apresentação mas ninguém lhe ligava, o apelo do jogo era mais forte. Finalmente, com a ajuda de uma senhora da casa e que, ainda assim, teve de invocar o nome do Padre (ausente naquela tarde com pena nossa) dizendo que ele tinha dado ordens para que todos colaborassem (invertendo assim, e justamente, o sentido da colaboração), as pessoas a custo, concederam em levantar-se e arrastar as mesas para os cantos. Conseguida a clareira (o pequeno filme em baixo mostra o último grupo de resistentes) a Patrícia explicou o propósito e a metodologia - primeiro fariam uma demonstração e depois ensinariam as danças a todos.



Perante a indiferença geral, o grupo de alunos (Patrícia, Ivo, Catarina, Carolina, Ana Santinho, havia ainda um outro rapaz da AP robôts e a Anabela) dançaram uma dança de roda. "Estas danças antigas não nos interessam nada" e continuaram nos seus afazeres. Passou-se então à segunda dança - um cha cha cha. Aí já houve alguma resposta, alguns pares vieram para o meio dançar. O ambiente continuava porém, a ser de reserva e quase hostilidade (em duas ou três pessoas), afinal tínhamos vindo perturbar a rotina diária. Até que, já não sei de quem foi a ideia, se da Patrícia, se da senhora que tomava conta do Centro, alguém foi lá atrás e produziu uma cassete com as músicas dos bailes. O delírio total, a pista encheu-se num ápice e não voltou a esvaziar. Todos dançámos com todos, foi uma animação, encontrou-se o plano B. Ou encontrou-nos ele...



Os rapazes foram um sucesso, várias senhoras quiseram casar o Ivo com as netas ou sobrinhas. No final, perguntaram quando voltávamos, sugeriram uma vez por semana, os mais entusiastas, duas. Foi um encanto de uma tarde.

E depois o que aprendemos - não haver um plano B rigoroso pode não ser fatal, basta que haja abertura e leitura da situação. Que houve. Ir ao encontro das vivências das pessoas é a melhor estratégia para lhes captar a atenção e a boa vontade. Tal foi demonstrado com a música pimba.

Finalmente, quem animou quem? Nós saímos de lá eufóricos, ganhámos a tarde e foi das melhores experiências daquele ano.

sábado, 18 de abril de 2009

oficinas

Ensinar aguça-nos o espírito, cristaliza-nos o saber e descobre-nos a ignorância. Cito bastante esta afirmação de João Lobo Antunes (in Um modo de ser) embora a modifique um pouco, transportando-a para a primeira pessoa do plural ao invés da terceira do singular tal como foi proferida pelo autor. Não há dia nenhum em que no decorrer das aulas a não sinta em qualquer detalhe fundamental, todos os detalhes o são. Na quinta feira, por exemplo, com o pormenor da pega na Pavana.

Ensinar descobre-nos a ignorância, sem dúvida; por melhor que preparemos as aulas, nunca dominamos todos os assuntos à exaustão. Aguça-nos o espírito, saímos de lá como feras da jaula, furiosos por saber mais, saber melhor. Vamos logo à procura da informação, este erro não volto a cometer, este assunto vou conhecer melhor. E depois, cristaliza-nos o saber. Preparamos-nos tanto, ensaiamos, repetimos, esmiuçamos, começamos tudo de novo de modo a não dar passos em falso, tentamos dominar o assunto ao ínfimo pormenor, acabamos inevitavelmente por saber alguma coisita.

Na primeira edição, a proposta da realização de oficinas de dança dentro da comunidade escolar tinha vários objectivos - desmitificar a dificuldade "eu não tenho jeito", mostrar que pode ser divertido "afinal, até é giro", espicaçar, melhorar a confiança dos participantes convidados. Depois, a nível interno dos alunos da AP, os mesmos de sempre - desenvolver a curiosidade, a pesquisa, o tratamento e a apresentação da informação; a autonomia e o trabalho em equipa.

Estes dois vídeos ilustram na perfeição a concretização de tudo o que se pretendeu. Para se chegar a este dia, a turma teve de tomar decisões - que dança? que passos? quem ensina no palco? quem demonstra, ajuda e esclarece cá em baixo? como fazê-lo? o que dizer? como dizer? que postura adoptar (e manter)?

Todos eles sabiam estes passos, afinal eram os básicos. Mas, depois das decisões tomadas, ensaiaram vezes e vezes sem conta como se estivessem em acção. A Patrícia e o Ivo, ela o papel das meninas, ele o papel dos rapazes, passo a passo como se os colegas não soubessem. Estes colaboraram, não sabendo, isto é, desempenharam nos treinos, o papel do novato. Treinaram tudo, desde o "bom dia, nós somos ..." até ao "esperemos que tenham gostado". No dia, fizeram tudo sozinhos, autonomia completa. Analisaram a sala, viram os progressos dos participantes, decidiram acelerar ou retardar a introdução da fase seguinte de acordo com a leitura que iam fazendo. Lá em baixo, misturados com os participantes, os monitores vestiam a pele de anfitrião - tinham por missão última que todos saíssem dali com uma sensação de bem-estar. Para isso, tinham de se assegurar que todos apanhavam o barco, colocavam-se junto daqueles com maiores dificuldades, esclareciam, ajudavam. Depois, a pares, verificavam se ninguém estava sozinho. Se estivesse, iam dançar com essa pessoa (tinham assim de dominar quer o papel de rapaz, quer o papel de rapariga).



Não é fácil gerir um ginásio cheio como este estava. Era a estreia deles numa produção deste teor. E correu muitíssimo bem, como se pode atestar por este pedacinho em baixo.
A escolha da cor das t'shirts foi feliz, resultaram a 100 por cento.
(engraçado, ver em primeiro plano a Bia e Sofia do ano passado, lá atrás a Catarina, o Ricardo e a Marlene deste ano, estavam então no 10º ano)



Foi um perfeito e verdadeiro trabalho de equipa.

A redacção dos relatórios deve cumprir todas os fins que vocês apontam na introdução. Tem um bónus que é eu aperceber-me, através da vossa visão, de aspectos, áreas, alcances que não tinha pensado inicialmente nem dos quais me apercebera durante a vigência do projecto.

A Sara Faria, aluna deste primeiro grupo fez uma observação muito pertinaz "esta disciplina teve como principal objectivo três “superares”: - o de nos superarmos enquanto alunos aprendizes desta área de projecto; - o de os superarmos a eles, comunidade escolar após o espectáculo apresentado e ainda o de eles se superarem a eles mesmos, alunos de outras áreas de projecto que, nunca tinham feito dança (na sua maioria)."

De facto, a proposta da realização das oficinas no decorrer do terceiro período não obedecera a esta lógica estrita. O espectáculo estava no segundo para não mobilizar demasiado o tempo dos alunos num período decisivo para acesso ao ensino superior, as oficinas no terceiro porque estando cativada a atenção da escola e ganho o seu respeito seria muito mais fácil a adesão. Como se verificou. Mas a Sara viu, e muito bem, uma progressão de complexidade crescente e de subida de patamares.

Em termos de futuro não sei qual dos produtos - espectáculo ou oficinas - terá trazido maiores benefícios aos alunos da AP dança. O espectáculo poderá ter tido mais impacto, o tremendo investimento, os aplausos inebriantes, a adrenalina a bombar, o tal ambiente dos bastidores. Mas a Sara deixou-me a pensar - talvez as oficinas, pelo que mobilizaram de competências diversas, tenham maiores repercussões na vida académica e profissional.

de uma vez por todas

vamos dizer-vos quem somos por isso calem-se e ouçam.

É uma peça de teatro que estará em cena ainda amanhã. Espectacular! como disse o prof. Ricardo à saída, cheio de boas ideias (para aproveitarmos, entenda-se) na voz do prof. João Jaime.


(imagem tirada do site da Culturgest)

Vão ver e depois comentem.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

última sessão

para a edição deste ano.

A pedido de vários professores que não conseguiram assistir, vamos realizar mais uma, a derradeira sessão deste espectáculo.


(fiz aqui uma pequena modificação no cartaz; este era um dos cinco que esteve exposto, apaguei as datas antigas e acrescentei a nova. Não tinha as fontes originais, ficou um pedaço aldrabado, as minhas desculpas à Sara)

Alguém que queira ainda assistir, esta é a oportunidade para o fazer.

terça-feira, 14 de abril de 2009

a nossa contribuição

para o burlesco.
Nossa, entenda-se, do pessoal dos bastidores. A ideia da ventoinha vinha de trás, mais um adereço para desconstruir a peça do James Bond. Mas houve sempre outras prioridades, treinar isto, modificar aquilo, parecia que nunca mais acordávamos sobre a sua versão definitiva. E foi-se adianto a questão operacional - ir buscar a ventoinha, tratar de uma extensão, encontrar quem a operasse - para as calendas. Depois, os dias do ensaio geral e da estreia correram tão mal que nem pensar em arranjar mais lenha para nos queimarmos. Finalmente na quinta feira às quatro horas, finda a 4ª sessão que correra sem incidentes e até um pouco mole (estava tudo estafado, o público em apatia pós-prandial não colaborou), a Tatiana sugeriu que tratássemos então da ventoinha. "Boa ideia, Tatiana, ou agora ou nunca, além disso isto está tudo a correr tão bem, vamos lá introduzir um elemento de risco, uma surpresa. Além disso temos de dar um bónus a quem veio ver todos". De maneira que lá fomos, a São Besteiro e o João que adoram alinhar nestas coisas colaboraram com a extensão, a ventoinha veio do bar, o Dinis disse logo que sim, treinou a seco (não havia tempo para treinar com as cordas e as Bond Girls).

O resultado é o que se vê.



Na régie só ouço um grito surpreso "que é aquilo?" O António, embrenhado na sua mesa de mistura não tinha sido avisado do bónus. Eu, de qualquer dos modos teria apanhado um susto, com o cabo a ficar preso, o Dinis quase a ser abalroado pela Tatiana no refluxo da onda, a cena a meio passo de ter acabado num completo desastre, não fora nada daquilo que tínhamos imaginado quando nas aulas pensáramos na ventoinha. Foi muito melhor! Para mim foi um verdadeiro bónus, tive um ataque de riso que demorou toda a peça a passar, o grito ecoando "que é aquilo?", a figura do Dinis de ventoinha em punho perseguindo a Bond Girl, logo tendo de fugir dela. Uma cena do melhor cinema mudo, ainda choro a rir de cada vez que vejo.

(O que sucedeu foi que a Isabel pisou, inadvertidamente o cabo da extensão prendendo o Dinis. Obrigada meninos por estes momentos, pela vossa colaboração pronta, desinteressada, disposta a tudo)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

nichos

A cada um, o seu público.

Na semana passada fui à Culturgest ver Gustavia, um espectáculo de dança. Dança? Hum, escrevo dança e sinto a necessidade de especificar um pouco mais. Não dança contemporânea, não dança moderna ou pós moderna ou pós pós moderna. Volto à minha falta de conhecimentos abalizados que não me permitem categorizar. Queiramos ou não, a categorização faz falta se queremos trazer algo para um terreno de análise, discussão (ainda que em monólogo, como aqui).

Hesitei em ir. Do que conhecia de uma das intérpretes/coreógrafa - La Ribot - não gostava; a outra - Mathilde Monnier - conhecia apenas de nome e do youtube e gostava. Uma probabilidade de 50% que a parceria desse certo. Mas o que me convenceu foi o que vinha no jornal, transcrição aliás do programa recebido à entrada.

"Gustavia reúne duas coreógrafas com percursos muito diferentes mas animada por uma comum reflexão sobre as questões do futuro da arte e da representação. Este espectáculo apoia-se no universo do burlesco clássico, que possui códigos e técnicas próprios que atravessam não só o cinema (Peter Sellers, Tati, Marx Brothers, Keaton, Chaplin, Nanni Moretti...), mas também o palco e a perfomance (Leo Bassi, Anna e Bernard Blume...) e as artes plásticas (Bruce Nauman...)
O burlesco utiliza técnicas de "toca e foge"; é a arte de transformar a incompetência em competência. Permite distinguir os heróis burlescos dos heróis contestatários. Surge tanto do excesso de palavras como da sua ausência. O burlesco do corpo apoia-se no esforço gratuito, na repetição e no acidente. O que é legível no burlesco está oculto na dança, uma vez que esta, na sua essência, não tem nada, ou quase nada, de cómico.
(...)
"


É difícil resistir a uma apresentação tão cativante. Começa por nos inquietar com o futuro (eu sofro bastante com o meu conservadorismo nesta área), depois acena-nos com tamanha galeria de anti-heróis, finalmente uma reflexão tão verdadeira, "a dança, na sua essência não tem nada, ou quase nada de cómico". (nós tentamos dar-lhe essa qualidade mas fazemos-lo sempre pela teatralização, não pela dança em si). Lá fui.

Um flop, como seria de esperar (é fácil dizer isso agora). Teve alguns momentos engraçados, o tal burlesco nalguns casos mas aqui pela via do fácil, da imitação. La Ribot andou "horas" de tábua ao ombro em percurso errático pelo palco, voltas e meias voltas sucessivas, derrubando, em cada uma delas, Mathilde que se tentava erguer. A tábua era macia, um material sintético amigo da bailarina. O final foi engraçado pelas palavras. Elas discursavam à vez, enfim, diziam uma frase começando sempre "une femme " com uma acção diferente. Um dueto de mulheres falando sobre outras mulheres. Estava muito bem, fez rir e fez pensar.

Mas dança? Pareceu mais uma brincadeira entre elas. Percebeu-se que se divertiram imenso a montar a peça; enquanto assistia na sala escura, interrogava-me - no típico recurso mesquinho - mas porque é que eu hei-de pagar a terapia destas mulheres?

Bom, o público adorou, aplaudiu entusiasticamente de pé, tudo. Eu saí de fininho.

Ontem de manhã fiz uma alvorada. De vez em quando faço uns biscates para o meu irmão, é raro infelizmente, tem havido pouco trabalho. Ontem, tinha um bike tour, um passeio de bicicleta por Lisboa. Nos moldes que tenho feito, é destinado a estrangeiros em estadia curtas. Conduz-se o grupo pelos passeios largos ou ruas calmas e fazem-se paragens em que se conta a história da cidade. Gosto de o fazer, encontram-se sempre pessoas diferentes e muito interessantes (só pessoas interessantes se aventuram a andar de bicicleta em Lisboa). Quando ontem me dirigia para o local de partida (este trabalho envolve alguma logística, leva bicicletas na carrinha para o início, traz carrinha para a chegada, regressa de bicicleta para a partida) interrogava-me "mas porque é que eu me meto nisto? São sete da manhã, um domingo perdido, será que vai correr bem?" Esta questão do "correr bem" é que me deixa mais ansiosa, é uma perfomance nossa, temos de deixar o turista com a sensação de ter tido uma experiência única. E depois há ali uma dose de conversa / andar de bicicleta que não é muito fácil de gerir. Por vezes fico com a sensação de estar a dar "uma seca", o que eles querem é andar, outras vezes é o contrário. Ontem, tinha sido informada de ser uma família de belgas. Hum, será que vai ser em francês ou em inglês?

Foi em português. Não eram belgas mas sim alemães e viverem em Portugal há cerca de trinta anos. Os pais falavam com ligeiro sotaque, a miúda poderia ser portuguesa. Estou liquidada, pensei na segunda paragem quando a senhora me disse "é a primeira guia que conta isso assim", isto hoje vai ser um desastre. Conhecem Lisboa melhor que eu, como qualquer turista de longa duração que se preze já exploraram todos os cantos, já foram a todas as visitas guiadas, conhecem a nossa história de trás para a frente.
Sorrindo, respondi, "bom, é a graça da história, depende muito dos olhos de quem a conta". Acabou por ser uma visita interessantíssima, talvez a melhor que já conduzi. Eles eram conhecedores e curiosos, queriam saber sempre mais. Quando preparámos este Bike Tour fizemos imensa pesquisa, comprei bastantes livros sobre a cidade (aliás, continuo fazendo-o, o magnetismo de Lisboa, há sempre algo que queremos aprofundar um pouco mais) e construímos uns textos que, progressivamente fomos reduzindo. As pessoas querem história mas querem sobretudo ver. O que acontece é que não utilizando, esquece-se. Felizmente no sábado tinha feito um outro e estava com os conhecimentos mais frescos. Mas estava danada por não ter ido recuperar os textos originais (isto é tão esporádico para mim que de cada vez tenho de me preparar em casa, estudar a lição, vá), teriam sido muito úteis ontem.

Ainda assim eles gostaram muito. Tanto que me deram uma gorjeta no final. Nunca tinha tido uma gorjeta, achei o máximo, fiquei felicíssima. Tive o meu público, ontem.

Adenda no dia seguinte - a ansiedade, lembrava-me hoje eu, em pleno conselho pedagógico quando se discutiam as áreas de projecto em geral, vem do meu saber livresco neste assunto. "A natureza excessivamente formal, livresca e enciclopedista" é um dos constrangimentos, segundo se lembram do nosso sistema de ensino que as AP's pretendem remediar. Fomos auto-didactas na nossa pesquisa e apesar da confiança na maioria das fontes, vem-me sempre aquele estudo publicado na revista Nature à cabeça: o que comparou o número de erros da Wikipedia e da Enciclopédia Britânica (esta teve mais). O facto de o conhecimento vir de um livro não é garante da sua fidelidade.

sábado, 11 de abril de 2009

sempre em movimento

Uma fonte de energia inesgotável, os 17 anos.

Enquanto esperávamos que terminasse a palestra para entrarmos no pavilhão, depois de vários dias até às quinhentas, umas corriditas pelo meio, o ensaio geral, as duas sessões da véspera, as aulas de educação física de manhã e para os rapazes aos saltos lá atrás com uma bola de basquetebol, uma orientação pela cidade de Lisboa nessa mesma tarde.

terça-feira, 7 de abril de 2009

podemos

fazer a diferença. Todos nós. Um de nós de cada vez.

Deparei-me agora com este site Quero andar a pé! Posso? uma resposta espantosa para uma luta antiga e, pensava eu, solitária.

Quando comecei a conduzir nos meus vinte anos fazia como toda a gente, estacionava onde havia lugar, passeio, rua, era igual. Nunca me ocorreu fazer de outra maneira, deixar o carro em cima do passeio era banal, todos o faziam. Talvez tivesse atenção para não bloquear as portas dos prédios, francamente não me lembro. Depois, a minha amiga Maria João que tirou um curso esquisito - Física e tinha o sonho da astronomia - saiu de Portugal, primeiro para França, depois para Inglaterra. Andou lá por fora anos e anos, viu outras coisas. Regressava de vez em quando com maravilhosas receitas novas (da Provence, sobretudo) e com um olhar mais educado. Ensinou-me que não tem de ser assim, que ser civilizado é uma opção. Mais tarde, regressou com um namorado (português, mas também na ronda de cidadão do mundo) que levava estas coisas muito a peito. Pertencia a uma organização cívica que combatia - através da acção individual de cada um dos seus membros - candidamente os carros sobre os passeios. O João escolheu a sua, ignorava-os. Era um rapaz atlético, magro, passava simplesmente sobre eles. Chegou a ter alguns conflitos, claro, de donos que por acaso regressavam ou tinham acabado de sair (ou estavam ainda lá dentro) dos seus carros. A agilidade safou-o, creio, de cenas de pugilato mais sérias (seco e leve como era, sairia com boa probabilidade a perder). Entretanto, saiu do país por vários anos, quando regressou vinha menos combativo.

Tinha-me entretanto pegado o desconforto, nunca mais fui capaz de não reparar e de não dizer nada. Uma luta inglória como são todas as solitárias. Na época de Natal quando os carros obstruíam a rua onde vivia obrigando-me a ir para a estrada com as minhas três filhas muito pequenas, imprimia umas notas que colocava nos limpa para-brisas. Assinava, colocava a minha morada e tudo. Sem qualquer efeito prático. Em todas as corridas populares vestia a minha t'shirt da organização do João "não estacione em cima dos passeios, lembre-se de todos (tinha o desenho de uma cadeira de rodas)". Sem quaisquer efeitos práticos. Tive algumas pegas com colegas de escola, nunca tive jeito para passar a mensagem sem hostilizar.

Mas agora há um movimento. Será desta que damos este passo no sentido da cidadania?


(as coisas esquisitas que aqui acontecem, o autocolante era, é amarelo)

Só mais uma historieta, esta com graça, o típico humor britânico.

A Maria João esteve quatro anos em Manchester a fazer o doutoramento. Depois voltou, esteve por cá uns anos, voltou a sair, enfim não é isso que é importante. No decorrer de uma temporada em Portugal, recebeu a visita do seu supervisor. Mostrou-lhe Lisboa, Sintra, os arredores. Ele gostou imenso, comentando apenas que o afligia muito ver os cócós dos cães por todo o lado e os carros em cima do passeio. Teceu algumas considerações sobre as indicações que isso dava sobre o nosso grau de civilização. De Lisboa seguiu para a Alemanha e foi daqui, que telefonando para a Maria João, lhe contou que também ali se viam (contrariamente à última visita dele uns anos antes) os carros em cima do passeio. Terminou com "dog shit must be on it's way".

segunda-feira, 6 de abril de 2009

olhares (2)

detalhes


de fotografias por Filipe Ramos e Lino Neves

a autenticidade

sexta-feira, 3 de abril de 2009

humildade

No outro dia disse aqui que tinha sido uma estreia para esquecer. Bom, eu não o consigo fazer e creio que isso nunca sucederá. Os pormenores irão tornar-se difusos mas a sensação de desamparo total ficará cá sempre. Do mesmo modo lembro-me, e já falei nisso, do horror do ensaio geral de há dois anos sem me lembrar exactamente porquê. Uns granéis com as músicas sobretudo, mas houve mais com certeza.

Foi bom, uma merecida lição de humildade. De facto, ainda dois dias antes, do alto da minha sobranceria tinha dito firme - Não, nunca se repete. - à pergunta da prof. Claudina se o júri autorizava que uma das equipas repetisse a sua canção. O concurso de karaoke de Alemão não teve só boas prestações; uma das equipas concorrentes teve uma prestação tão má, tão fraca que o público começou a bater as palmas a meio de modo a que eles terminassem a actuação. Tentavam cantar La Bohème, uma canção lindíssima de Charles Aznavour mas o esforço era patético. Pediram para repetir e apesar da oposição de dois membros do júri, cantaram de novo. Novo desastre, claro está, não iriam melhorar significativamente em dez minutos. Depois, na entrega de prémios foram elogiados pela representante do Ministério da Educação pela "sua coragem". Coragem? Eu diria mais desfaçatez em impingirem-se perante o público. A favor do grupo, a abertura do público que entoou entusiasticamente La Bohème, repetindo com eles o refrão. Acabou por ser um momento bem divertido.

Pois, nem passada uma semana, tive de engolir tudo o que disse e pensei.

A nossa estreia foi desastrosa não pelas peças em si, os intérpretes estiveram ao seu melhor nível, conseguindo (parcialmente) colmatar todas as outras falhas. Foi a iluminação, foi o som, foi o ritmo que não existiu.

O ano passado um comentário de um espectador ao Ao ritmo do Camões dizia, e cito "- conseguiram ter um ritmo de entradas e saídas limpo e dinâmico, sem momentos mortos (um espectáculo com momentos mortos é um espectáculo condenado);". Sempre foi essa a minha convicção e esse ritmo sempre tinha sido conseguido.

Ironicamente, as minhas palavras bem cedo nessa manhã quando vos falava em darmos o nosso melhor e repetia a oportunidade única que temos para causar uma primeira boa impressão. Pois queimámos essa oportunidade perante 230 alunos e professores da nossa escola. Que exagero! - disseram as minhas simpáticas colegas - não foi nada disso, as pessoas nem repararam. Talvez. Mas se assim foi, também sei porque isso sucede, porque as expectativas são baixas, porque estão habituados a atrasos, a soluços, a enganos, porque isto é um espectáculo de escola.

Não é, e nunca será, essa a minha filosofia.



A título de exemplo este pequeno pedaço de uma transição entre peça - anfitriã. Está cortado para metade, trata-se de ilustrar não de martirizar. Foi um dos muitos e terá havido ainda mais compridos. Basta dizer que a primeira sessão durou mais uma hora que as seguintes.

O pesadelo foi tão mau, a angústia que se viveu ali na régie tão opressiva que só ansiava pelo fim. Mas quando é que isto acaba? A cereja no bolo, o nosso engano na peça Shimmys quando subimos a luz e o som e faltavam três intérpretes. A atrapalhação desnorteada enquanto a Joana, bravamente desempenhava o seu papel como se nada fosse. E depois, ao fim de uns intermináveis segundos quando conseguimos interromper o som, blackout e recomeça tudo de novo. "Nunca há repetições". Ali teve de haver, foi um erro flagrante da régie. Meu, pois presumi que estavam lá todas.

Nessa noite, por acaso (sempre acasos) deparei-me com esta frase atribuída a Churchill e que tão bem retrata o que senti "If you're going through hell, keep going".

E depois, enquanto investigava o contexto, esta outra também dele, tão deliciosa:

"It's not enough that we do our best; sometimes we have to do what's required."

Felizmente conseguimos fazê-lo nos dias seguintes.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

No, I'm no one's wife

But, Oh, I love my life
And all that Jazz!
That Jazz!



Uma entrada de arromba, esta peça de abertura cantada ao vivo pela Brígida da AP cinema e dançada pela Íris e Joana da AP dança, Sara da AP fotografia e Leandra 11º F. Para mim, das melhores virtudes do projecto - este de unir vontades e permitir a expressão dando mais visibilidade a tantos talentos dispersos pela escola. Achei imensa graça à Brígida com a sua modéstia desarmante a contar que as pessoas lhe vinham dar os parabéns pelo seu belíssimo play-back. "Mas não foi play-back" respondia-lhes ela "por outro lado, acho que devo considerar um cumprimento elas terem pensado que foi play-back".

A Joana, depois, deixou isso bem explícito nos agradecimentos finais "Não foi play-back, a Brígida cantou mesmo ao vivo!"

Esta é a única foto que tenho em que se vêm as letras por inteiro. Fizeram um efeito espectacular e fazem-me sonhar com o dia em que seremos capazes de fazer todo um espectáculo coeso em que os cenários sejam parte integrante. Não digo do princípio ao fim, mas em que sejamos capazes de fazer uma peça com vinte minutos ainda que os intérpretes se vão substituindo.

o fascínio

do tango. E do cabaret. E dos clubes nocturnos.
Não sei explicar porque lhes deu tão forte, à vossa geração. Isto é, que eu tenha dado por isso, nós - e refiro-me à minha - passámos incólumes. O tempo em círculos? (repito-me, eu sei) Quiçá.



Curiosamente, escolhia eu umas fotos dos lotes do Filipe quando entra um email de um amigo. Contradizendo talvez o que disse em cima, trazia apenas um link para esta animação. Nem de propósito, uma foto um pouco desfocada, com um mesmo detalhe.