Isto vem hoje a propósito do Karaoke. Adorei a postura do intérprete central (refiro-me apenas à sua posição no palco, creio que todos tinham "pesos" iguais) da equipa vencedora na categoria dos "sem conhecimentos de alemão". A pose daqueles rapazes de óculos escuros, fato, não mexiam um músculo facial e poucos dos outros enquanto cantavam o "da da da" e mais o impronunciável Ich lieb' dich nicht, du liebst mich nicht foi de morrer a rir, estiveram fantásticos. Mas o do meio, o Dinis (irá ser um dos nossos directores de cena) com um ar de quem não parte um prato, de quem está ali mas podia estar à espera do autocarro, a fazer uns gestos do mais preciso e deliberado, contradizendo toda a sua pose nonchalant (estamos na semana das línguas, permitamos-nos estas derivas), um sorrisinho a espaços de quem se ri de si próprio, foi tudo delicioso.
A coreografia do coro de meninas estava também muito engraçada, uma delícia assistir àquela canção. Espero que alguém tenha filmado, fiquei com pena de não o ter feito.
Entretanto, afinal amanhã sempre poderemos ir para o auditório no período da tarde. O que não invalida o planeamento. Os minutos de palco continuarão sempre a ser contados e muito, muito disputados. Afinar luzes chega a demorar uma hora por peça. Não temos esse tempo, nem com o bónus de amanhã. À nossa modesta escala, faz-me lembrar a minha amiga Maria João que percorreu o mundo realizando observações em vários observatórios astronómicos, alguns em lugares bem remotos como o deserto do Atacama. As observações eram solicitadas com vários meses (anos até, creio) de antecedência e a equipa de cientistas tinha direito àquela noite apenas. Corresse alguma coisa mal e nada havia a fazer, excepto marcar nova observação e esperar vez dali a outro ano e picos.
Em baixo, uma imagem de hoje, do longo dia de hoje, prenúncio do de amanhã. Quem corre por gosto não cansa? Pois.