No outro dia o Paulo colocou aqui um comentário engraçado, metendo-se connosco, comigo. Fartei-me de rir, deixou-me bem disposta, agora já lido bem com esta competição entre turmas e entre edições. "O que é que acha, o nosso foi melhor não foi?, o do ano passado foi bem melhor..." Perguntam sorrindo sabendo que me entalam. É como com os filhos, são todos diferentes e únicos. Gostamos deles de maneiras variadas, por razões diversas, não nos ocorre comparar. Nas turmas já não é assim e vocês todos têm essa experiência - há professores com quem a empatia é imediata, outros é a uma relação seca que acontece. Para mim, a turma H dos últimos três anos terá sempre lugar cativo no meu panteão. Pelo trabalhão que deram no 10º ano, pela ferocidade com que se defrontavam nos jogos, pela alegria, pela entrega, por - no 11º ano - começarmos a aula 15 minutos antes do toque de entrada e terminarmos ao de saída, por alinharem em tudo, por estarem prontos para irem até ao infinito e mais além.
Neste ano, no Sente Só Camões há uma inspiração nítida no imaginário da Broadway, nos musicais, nos filmes. Há um refrão - que não sendo utilizado - me corre, espontâneo na cabeça "money, money, money makes the world go around, the world go around the clock". Nas várias edições da AP e começou logo na primeira, a competição entre turmas foi o motor que impulsionou os alunos para o patamar seguinte. Foi naquele primeiro ensaio de grupo - o equivalente ao de dia 6, que as turmas se confrontaram pela primeira vez com o trabalho realizado. Alguns alunos encheram-se de brios, como é vulgo dizer-se, e meteram os pés ao caminho.
Lembro-me de na altura odiar aquela competitividade, parecia-me gratuita.
O ano passado voltou a suceder e, mais uma vez odiei. Não era saudável. Esta edição tem sido (parecido?) mais tranquila, havendo apenas a ambição de fazer melhor que na anterior. Isso é óptimo, claro. Todos queremos ser melhores que os predecessores, subir mais alto, voar mais longe, todos esses clichés.
De modo que aparecer aqui um comentário de um aluno do ano passado a provocar os presentes é do mais pertinente que posso aspirar. Ainda por cima bem humorado, maravilha, que bom isto acontecer!