terça-feira, 31 de março de 2009

anti-heróis

As primeiras fotos aí estão. Começando por dentro, pelos protagonistas dos bastidores, funções sem glamour nem aplausos, só nervos, trabalho e sofrimento. Os dois directores de cena Isabel e Dinis, acompanhados da maquilhadora amiga da Dóris.


Enfim, com as suas compensações - a satisfação do trabalho bem feito e o bónus de alguns momentos hilariantes.

Eu não tirei mas alguém, o prof. Lino - nosso fotógrafo oficial a par do Filipe Ramos - esteve atento e não perdeu a imagem surrealista da equipa de segurança jogando cartas de óculos escuros (aqui apenas o André com eles, os outros tê-los-iam tirado momentaneamente), o João lá atrás num momento zen no términos de uma semana arrasadora.



Adenda - na terça feira fiz uma imensa trapalhada com a autoria das fotos. De facto, estas fotos fazem parte do lote do prof. Lino pelo que fiz a devida correcção e já agora, nova montagem. Aos dois fotógrafos as minhas desculpas. Corrigi também o texto em cima, o que se refere à equipa de segurança. A questão é que passei todos os bocadinhos entre as reuniões de terça feira a correr para a sala 4 e 34 a fim de retirar as fotos dos computadores. O processo, já de si moroso, complicou-se com os sucessivos avisos do meu computador alertando-me para o disco cheio. Pen para cá e para lá, formatar pen (tem as suas idiossincrasias, mesmo vazia, está cheia, só resolvo o problema formatando-a), usar o ipod como receptáculo mas não com ligação directa ao computador da escola, enfim poupo-os aos detalhes. Penso que agora estará bem. De qualquer modo, o Filipe irá fazer um DVD com as fotos melhores.

sexta-feira, 27 de março de 2009

alegrias

Tenho muita coisa a dizer mas pouco tempo para o fazer (classificações oblige); escolho três:

- o privilégio que continuo sentindo por ter cruzado o meu caminho com alguns de vocês. A generosidade que manifestaram - e prontidão, profissionalismo e alegria com que o fizeram - em colaborar na festa deste ano. As sms e emails que recebi de alunos das primeiras edições prontos a ajudar no que fosse preciso foram (são) um lembrete precioso da validade deste projecto. Foram ainda (são) um suporte, um ombro amigo, um peito largo em face das dificuldades que atravesso dia-a-dia e que nesta semana se extremaram. Se nem todas as ajudas foram utilizadas, há sempre a questão da organização do tempo a que não consigo dar resposta, todas foram significativas.
Aos rapazes que desempenharam as nada disputadas funções de controlo e segurança, que venderam bilhetes e impingiram programas, que tiveram a presença de espírito para ir ali ao lado chamar o Inem para socorrer a Catarina (não menos importante,poupando aos pais desta a visão de um dedo do pé fora do sítio), que ontem enquanto os intérpretes faziam a festa nos camarins me fizeram companhia, uma menção especial. Na mesma onda de algumas peças, inspirados talvez nos filmes de gangsters, jogaram cartas no foyer não arredando pé enquanto o auditório não fechasse. Há imagens que nos ficam mesmo sem foto, mas ainda assim tenho pena de a não ter tirado, tão engraçados que estavam com os seus óculos escuros, comendo bolachas como quem fuma um charuto e o pousa no cinzeiro.
Podia agradecer, aliás fi-lo, mas nem é isso que está aqui em causa e eles (vocês) sabem-no.

- a alegria que sinto ao ver reunido naquele foyer alunos da há dois anos, do ano passado, pais, professores da escola, amigos, toda uma comunidade que, em geral, apenas se pressente. Ouvir o burburinho, ver os sorrisos, os olhos brilhantes, o orgulho impante dos pais traz-nos à superfície para um novo fôlego.

- o prazer que me dá quando alguns pais me vêm cumprimentar e se apresentam "sou o pai de ...., a mãe de .... muito prazer em conhecê-la".

quinta-feira, 26 de março de 2009

quando parecia

que estava tudo a entrar nos eixos - uma estreia desastrosa, para esquecer - eis que o azar nos bate no pé. Uma colisão nos corredores dos camarins deixou a Catarina de dedo mindinho partido e impossibilitada de participar nas sessões de amanhã.

Um desconsolo para todos nós, logo hoje que a sessão correu tão bem. Não será muito grave pelo que percebi, umas semanas de descanso e fica fina. Ainda assim....é uma tristeza querer-se e não se poder.

domingo, 22 de março de 2009

making the best of it (2)

(foi a semana das línguas, tenhamos presente. Gosto muito desta expressão, qual será a nossa equivalente?)

Uma catástrofe, o dia de hoje, poderíamos pensar. No mínimo, uma total perda de tempo; todas as gravações de luzes deitadas para o lixo, teremos de recomeçar do zero na segunda à tarde depois de um ensaio geral sem elas. Bom, eu não vejo a questão assim e com isto interrogo-me, arrepiando-me quase à náusea, se não tendo perigosamente para me tornar uma laurinda alves. Ultrapassando este temor, a verdade é que no meio do desespero da parte final da tarde em que fomos confrontados com o bloqueio do sistema, ainda assim, apreciei (adorei, mesmo!) assistir a isto.



Aqui é o ragga, com o André a fazer de Ricardo, a Filipa e a Marta de outras colegas, antes tinha sido o Miguel a fazer de James Bond, a Filipa de Tatiana, enfim uma sucessão alucinante de diferentes papéis. Como é possível memorizar tantas coreografias e executá-las assim com esta alegria?

Não é possível sairmos aborrecidos do auditório.

E de qualquer modo não foi tempo perdido. Este ano apesar de não parecer, tivemos ainda menos horas de auditório com João que nas edições anteriores. E faz toda a diferença o técnico conhecer as nossas peças. Não sendo possível um planeamento e gravação ao mais ínfimo detalhe, são muitas peças, muitos arranjos, havendo familiaridade há maior rapidez de resposta e até de intuição.

sexta-feira, 20 de março de 2009

underacting

Não sei qual a tradução portuguesa (talvez a Joana me saiba ajudar) para esta expressão que tão bem traduz o entendimento do intérprete da sua personagem. Não de todas, claro está, tantas vezes que o personagem é histriónico, não deverá ser representado de um modo contido. Tenho uma especial simpatia por actores silenciosos, parados que mostram tudo quase sem se mexerem. William Hurt, por exemplo.

Isto vem hoje a propósito do Karaoke. Adorei a postura do intérprete central (refiro-me apenas à sua posição no palco, creio que todos tinham "pesos" iguais) da equipa vencedora na categoria dos "sem conhecimentos de alemão". A pose daqueles rapazes de óculos escuros, fato, não mexiam um músculo facial e poucos dos outros enquanto cantavam o "da da da" e mais o impronunciável Ich lieb' dich nicht, du liebst mich nicht foi de morrer a rir, estiveram fantásticos. Mas o do meio, o Dinis (irá ser um dos nossos directores de cena) com um ar de quem não parte um prato, de quem está ali mas podia estar à espera do autocarro, a fazer uns gestos do mais preciso e deliberado, contradizendo toda a sua pose nonchalant (estamos na semana das línguas, permitamos-nos estas derivas), um sorrisinho a espaços de quem se ri de si próprio, foi tudo delicioso.
A coreografia do coro de meninas estava também muito engraçada, uma delícia assistir àquela canção. Espero que alguém tenha filmado, fiquei com pena de não o ter feito.

Entretanto, afinal amanhã sempre poderemos ir para o auditório no período da tarde. O que não invalida o planeamento. Os minutos de palco continuarão sempre a ser contados e muito, muito disputados. Afinar luzes chega a demorar uma hora por peça. Não temos esse tempo, nem com o bónus de amanhã. À nossa modesta escala, faz-me lembrar a minha amiga Maria João que percorreu o mundo realizando observações em vários observatórios astronómicos, alguns em lugares bem remotos como o deserto do Atacama. As observações eram solicitadas com vários meses (anos até, creio) de antecedência e a equipa de cientistas tinha direito àquela noite apenas. Corresse alguma coisa mal e nada havia a fazer, excepto marcar nova observação e esperar vez dali a outro ano e picos.

Em baixo, uma imagem de hoje, do longo dia de hoje, prenúncio do de amanhã. Quem corre por gosto não cansa? Pois.

quinta-feira, 19 de março de 2009

nem tudo são rosas

Depois de duas semanas alucinantes, precisávamos de umas horas de sossego para ultimar e testar "as luzes". Pois vamos ter de passar sem elas, o auditório não estará disponível no sábado.
Temos assim de rentabilizar as escassas horas úteis que nos restam até às dez da manhã de segunda feira. Não sei a que horas acabará amanhã o Karaoke das línguas, talvez não muito depois das 16.00. Espero que possamos entrar a partir desse momento e ficar até ao seu fecho.
Planificar, levar tudo escrito (ainda que depois se altere) será crucial.

segunda-feira, 16 de março de 2009

e a beleza

disto tudo, é que, se a competição entre turmas é a espora que espicaça os alunos, os melhores momentos, os que mais marcam os protagonistas são aqueles em que aquela foi sublimada. Tantos os que referem a força incrível, o sentimento de união que se gera lá em baixo. Nos camarins, nos corredores, todos a torcerem para que cada um brilhe, para que a peça dele e dela decorra sem falhas, envolvendo o público, cativando-o, conquistando-o.

Aqui no palco da primeira edição, ao intervalo da sessão da manhã e da tarde, dois em um: derrube de barreiras e descompressão.

picardias

No outro dia o Paulo colocou aqui um comentário engraçado, metendo-se connosco, comigo. Fartei-me de rir, deixou-me bem disposta, agora já lido bem com esta competição entre turmas e entre edições. "O que é que acha, o nosso foi melhor não foi?, o do ano passado foi bem melhor..." Perguntam sorrindo sabendo que me entalam. É como com os filhos, são todos diferentes e únicos. Gostamos deles de maneiras variadas, por razões diversas, não nos ocorre comparar. Nas turmas já não é assim e vocês todos têm essa experiência - há professores com quem a empatia é imediata, outros é a uma relação seca que acontece. Para mim, a turma H dos últimos três anos terá sempre lugar cativo no meu panteão. Pelo trabalhão que deram no 10º ano, pela ferocidade com que se defrontavam nos jogos, pela alegria, pela entrega, por - no 11º ano - começarmos a aula 15 minutos antes do toque de entrada e terminarmos ao de saída, por alinharem em tudo, por estarem prontos para irem até ao infinito e mais além.

Neste ano, no Sente Só Camões há uma inspiração nítida no imaginário da Broadway, nos musicais, nos filmes. Há um refrão - que não sendo utilizado - me corre, espontâneo na cabeça "money, money, money makes the world go around, the world go around the clock". Nas várias edições da AP e começou logo na primeira, a competição entre turmas foi o motor que impulsionou os alunos para o patamar seguinte. Foi naquele primeiro ensaio de grupo - o equivalente ao de dia 6, que as turmas se confrontaram pela primeira vez com o trabalho realizado. Alguns alunos encheram-se de brios, como é vulgo dizer-se, e meteram os pés ao caminho.

Lembro-me de na altura odiar aquela competitividade, parecia-me gratuita.
O ano passado voltou a suceder e, mais uma vez odiei. Não era saudável. Esta edição tem sido (parecido?) mais tranquila, havendo apenas a ambição de fazer melhor que na anterior. Isso é óptimo, claro. Todos queremos ser melhores que os predecessores, subir mais alto, voar mais longe, todos esses clichés.

De modo que aparecer aqui um comentário de um aluno do ano passado a provocar os presentes é do mais pertinente que posso aspirar. Ainda por cima bem humorado, maravilha, que bom isto acontecer!

domingo, 15 de março de 2009

extra



O basquetebol é um jogo muito interessante, entre outras razões por combinar uma extrema capacidade atlética com uma maníaca atenção ao detalhe. Exige motricidade fina e grossa em doses equivalentes.

No outro dia, enquanto numa esquina esperava uma amiga que se atrasou, deparei-me com um antigo colega treinador que não via há duas décadas. Foi um atraso providencial - o dela - pois ele é daquelas poucas pessoas que revemos como se a última conversa tivesse sido ontem. Vai direito ao assunto, seja ele qual for, sem se deter em minudências, em questões secundárias. Nunca fui treinada por ele e tenho imensa pena mas tive a oportunidade de, num ano, ter sido sua adjunta.

Aprendi imenso com o Manuel Campos, não menos importante a apreciar uma cerveja (tinha 21 anos na altura, creio, já tinha idade...). Aliás, é muito engraçado que há um exercício que fazemos na aula não inspirado por ele - faz-se em tudo o que são aulas de teatro, expressão corporal, dança contemporânea - mas em que a sua (dele) execução me modela. Falo daquele exercício em que andamos muito determinados pela sala fora até quase embatermos numa parede, invertendo o sentido no último segundo. O Manuel Campos nunca teve outra forma de andar. Terminado o treino da equipa de Juniores que ambos orientávamos, íamos algumas noites até um restaurante frequentado pelo pessoal do basquetebol. Enquanto ele jantava (eu morava muito perto, fazia-o em casa) analisávamos o treino, reflectíamos sobre o trabalho, preparávamos os jogos. A parte central de Algés é uma quadrícula com as ruas rectas interceptando-se todas iguais. Saíamos da porta do clube em direcção ao carro dele, percorríamos dois quarteirões - eu correndo, ele no seu passo largo e elástico - até ele estacar subitamente "não está aqui, deixei-o naquela rua". Percorríamos novamente acelerados mais dois quarteirões até ele dizer "não, não foi aqui". Podíamos despender nisto meia hora sem que ele jamais perdesse a determinação, a convicção. Sabia sempre onde o carro estava.... ainda que ele afinal não estivesse ali. Nunca transparecia naquele homem qualquer hesitação, pelo contrário irradiava alegria de viver, o prazer de estar ali. Claro, aliava tamanha concentração a total alheamento pelo acessório; estacionado o carro, logo se esquecia dele, a mente em foco no treino que se avizinhava.

Conversámos sobre o que ambos estávamos fazendo, ficou surpreendido por eu ser professora no Camões. Ele foi cá aluno, falou um pouco sobre esses tempos. Despedíamos-nos, ele ia para um almoço de treinadores, regressa atrás com um cd na mão. "olha, estamos a fazer uns vídeos com trabalho de pés. É uma homenagem ao prof. Teotónio Lima, fica com ele". Passa-mo e eu digo "olhe, sabe para o que o vou aproveitar? Para a dança, temos lá um projecto na escola e (...)". Ficou todo entusiasmado "inspirámos-nos nos pés dos bailarinos, até há um passo com um nome desses". Vi depois o vídeo, é o rock step que se usa em várias danças sociais.

Bom, mas tanta conversa hoje a propósito do extra.

"The difference between ordinary and extraordinary is that little extra."

(subscrevo uma mailling list com dicas informáticas; acho que o que aproveito mais, ainda são estas frases com que o bem-humorado moderador termina cada edição. A minha ignorância dificulta-me a compreensão do conteúdo principal)

Regresso ao basquetebol - envolver o nosso defesa com a acção de uma das nossas pernas numa inversão do drible, impedindo-o de recuperar o enquadramento, só é possível se colocarmos o pé no sítio exacto. Um pouco mais ao lado, basta uns centímetros, e ele escapa-se. Talvez isto seja verdade para todas as modalidades, há-de ser. Quase.

Este vídeo, em que aparece o Manuel Campos pujante e alegre como sempre, isola um pequeno pormenor do trabalho de pés. Repetido e repetido até se automatizar e o atleta o executar sem ter de pensar.

Fará a diferença para o extra um pouco mais à frente.

reservas

Criámos uma bolsa de bilhetes para os antigos alunos; todos os interessados devem manifestar-se quanto antes.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Sente só Camões!



A prontidão e o profissionalismo da nossa equipa de produção tem vindo a alcançar, este ano, um patamar superior. Capacidade de trabalho individual e em equipa, ritmo, iniciativa, antecipação, têm sido qualidades demonstradas diariamente pela Renata e seus capangas (leia-se amigos, assessores, colegas, pretende ser uma gracinha este termo, usa-se bastante aqui em casa). Os cartazes elaborados pela Sara Santos do 12º F (ap fotografia), com fotos do Filipe Ramos do 12º M (idem) saíram três dias depois do ensaio de grupo da passada sexta feira. Melhor teria sido impossível. E depois, com esta qualidade. Muito interessantes, apelativos, do melhor que se tem visto ali na escola.

Pena que na realidade o seu propósito seja de algum modo desperdiçado. Os lugares da sala estão praticamente esgotados e não foi feita ainda qualquer divulgação.

Os bilhetes e convites estão prontos e foram concebidos na mesma linha; serão, pela certa, objectos a integrar os vossos portfolios de vida (não é nenhuma indirecta, falo mesmo do futuro).

Os meus parabéns - e agradecimento - a todos, especialmente à Sara pela sua arte.

Ah, estes são dois exemplos. Estarão expostos 5 cartazes diferentes na escola, os bilhetes e os convites são também específicos para cada dia.

terça-feira, 10 de março de 2009

enquanto

os segundos de um qualquer relógio digital (havia um na Praça de Espanha um ano e tal antes da Expo 98, eram muito pequenos não devem lembrar-se) andam para trás, alertando o passante da aproximação da data do objecto do seu desejo (ou daquilo que se pretende seja o objecto do desejo, o marketing, o marketing) e pressionando o organizador "só faltam 258 dias, 9 horas, doze minutos e 56 segundos para..." apelo às escassas técnicas de descompressão que tenho disponíveis, numa tentativa de evitar o pânico.

Um pouco de drama não faz mal a ninguém, penso aliás que todos os que embarcámos neste projecto apreciamos muito o drama. Pois. Mas eu vejo as plaquinhas dos números do mostrador do tempo a abrirem e a fecharem, aliás ouço-os na minha cabeça à medida que a medida se altera. Já não faltam meses, as semanas transformaram-se em dias (menos que quinze neste momento) e quando menos dermos por isso, temos meia dúzia de horas à nossa frente.

Encho devagar o peito de ar e solto-o com fragor. A minha cadela faz isso quando está aborrecida, é uma técnica contagiosa. Eficaz, proporciona um alívio momentâneo. Um pouco ao género do que aprendemos com a Joana Maria na sua aula de expressão corporal.

Outra é organizar-me na cabeça, listas de tarefas, falta isto e falta aquilo.

Racionalmente não há razões substantivas para tanta ansiedade. Nunca estivemos tão prontos a 14 dias da estreia. Assiste-se este ano a uma convergência de esforços, de colaborações vindas de várias frentes, a uma capacidade de organização por parte dos alunos superior às restantes edições.

Pois, mas estamos longe ainda da perfeição aceitável naquilo que realmente importa - o palco. Temos tempo, sim.



Um bom exemplo de confluências.

sábado, 7 de março de 2009

transmissão

A propósito de uma das peças, abordei esta semana à mesa do café, o prof. Vasconcelos com uma questão concreta. Foi um fascínio de uma conversa, o prof. foi contando uns episódios atrás de outros, sempre com uma gargalhada fresca de entusiasmo juvenil. Diria mesmo infantil, não no sentido negativo, pelo contrário ecoou como os risos que me habitam das minhas filhas aos seis sete anos.

Depois, ao digerir a conversa, ao registar alguns apontamentos deu-me uma nostalgia pelos conhecimentos que se perdem, se dissipam de geração para geração. É aflitivo perceber que uma ínfima parte do que uma pessoa sabe, se transmite de facto para as outras. A não ser, claro que seja um académico que escreva muito e com arte. Há uns anos veio um artigo na National Geographic Magazine sobre Van Gogh. Discorria sobre a vida dele, a sua luta com a doença, as dificuldades, as pequenas alegrias. Terminava com uma constatação - se o pintor vivesse nos tempos de hoje não se saberia nada da vida dele, ou não se saberia o que se sabe. A razão é que todo (enfim, grande parte) o conhecimento da vida de Van Gogh advém da correspondência que trocou com o seu irmão Theo. Se fosse hoje, utilizariam o email e disso nada fica para os outros.

Voltando ao prof. Vasconcelos: justificava-me eu, avant la lettre,da aldrabice que nos propomos perpetrar em termos da comemoração - dançamos o que queremos e rememoramos pelos textos - quando ele me corta o atabalhoado "olhe, isso é sempre assim. Quando fazemos alguma coisa, aparece sempre alguém a dizer "Falta isto, falta aquilo!" " E o que lá está, já viu o que lá está?"" e gargalhou com o seu ar maroto. Eu ri-me também, "pois".

É o que lá está que interessa, é sobre isso que vamos trabalhar.