Saí hoje do auditório em estado de graça, tal a riqueza da palestra relativa ao Prof. Rómulo de Carvalho. Evocou-se o poeta António Gedeão, o professor Rómulo de Carvalho e sobretudo, o humanista em ambos e ainda noutras vertentes de um homem tão versátil, tão completo, tão genial.
Após um confuso e mal desenhado power point (as letras subiam tão depressa pelo slide, escondendo-se atrás das fotos e sobrando tão pouco tempo para a leitura que causavam dor de cabeça) que pretendia apresentar em traços largos o celebrado, passou-se a palavra a Manuel Freire. Este autor que conviveu com o Prof. Rómulo de Carvalho desde que lhe musicou a sua Pedra Filosofal, apresentou-nos o Professor com uma simplicidade que nos desarmou e cativou do princípio ao fim. Com a sua voz rica, expressiva, cheia, contou-nos vários episódios que dotaram de vida e espessura uma personagem livresca. Terminou com uma leitura soberba de um poema de António Gedeão.
Infelizmente, o segundo orador pareceu apostado em sabotar a palestra. Não pelo seu tom de voz (não seria fácil ombrear com Manuel Freire nem isso lhe seria exigido) mas pelo discurso mais adequado a uma aula de faculdade que a uma palestra de divulgação/evocação/celebração. Com um discurso abundante de juízos de valor pessoais (como são todos) e, com dificuldade partilháveis pela assistência, entreteve-se a dissecar um poema. Indiferente aos sinais emanados da plateia, deu, já bem avançado no tempo, o golpe de misericórdia ao dizer que só iria falar mais quinze, vinte minutos. Esta, que rareava a cada minuto que passava, perante tão injusta punição (estávamos-nos a portar bem) viu-se ainda mais reduzida.
O que foi uma pena. A prof. Maria Cândida, última oradora da noite deu um testemunho emocionante daquele que foi o seu orientador de estágio - na altura denominava-se Metodólogo. A Professora, que foi depois professora da nossa escola por quase três décadas, desempenhou também cá outros cargos como o de presidente do conselho directivo (numa época quente). Contou vários episódios do seu estágio que retrataram o Professor Rómulo de Carvalho devolvendo-lhe, pela sua vez na noite, a qualidade humanista e de homem grande. Deu-nos, em simultâneo uma visão da época que então se vivia. Com um sentido de humor e uma simpatia muito apelativas conquistou a assistência e reconciliou-nos com a nossa chegada tardia a casa. No meu caso, que vivo nos subúrbios, fez-me arrepender não me ter esforçado mais para participar nas sessões anteriores. É um sacrifício este, o de chegar tão tarde a casa, mas aqui valeu bem a pena.
Foi uma palestra rara e muito inspiradora para uma professora com referências dispersas. A minha gratidão aos organizadores - o Departamento de Românicas da nossa escola.