com o rumo que algumas peças parecem levar, deambulo em fuga de blogue para blogue.
Deparo-me com isto . Entretanto, duvido que este link fique muito tempo, penso que se o autor do blogue colocar mais algum texto com a etiqueta "inspiração" este postal do Jim Jarmusch passa para segunda posição e depois terceira.
"Nada é original", esse conceito não existe. Em muitas áreas do conhecimento isto é sem dúvida verdade. Todos já lemos, creio, aqueles textos em que a juventude é acusada de não saber nada, de ser dissoluta, de futilidade, dos males deste mundo e do outro. Chegamos ao fim e vemos que foram escritos há dois mil anos, por vezes há mais.
[há uns anos inscrevi-me num curso pós-licenciatura cheia de expectativas de glória. Na lição inaugural, o professor que nos recebeu desfez-nos as ilusões e as peneiras "não pensem que vão descobrir algo de novo. Vocês não estão aqui para isso, tudo o que disserem já foi foi dito há duzentos anos. Se procurarem bem, hão-de ver que já foi dito há quinhentos anos e se forem mesmo persistentes, verificarão que foi dito há mil anos." Acho que ele continuou a regredir no tempo, era muito enfático aquele professor. A ideia passou, não me esqueci desta lição. Uns tempos depois, li num livro de história de arte que esta valorização da originalidade é recente. Um aprendiz de pintor ou de escultor começava por misturar tintas, limpar pincéis, anos depois podia - se fosse prendado - ajudar na pintura dos quadros do mestre, preencher zonas menos exigentes. Podiam passar-se décadas antes de se autonomizar (talvez já esteja a exagerar aqui).]
O conceito de originalidade tem tido assim, valorizações flutuantes. Aprendia-se a pintar imitando, nós podemos aprender a dançar imitando também. Aquele nosso professor disse-nos que estávamos ali para provar da nossa capacidade de investigação, não de descobridores.
Bebamos onde nos aprouver e não nos preocupemos sequer em disfarçá-lo, diz o cineasta. Mas se lermos com atenção deparamos-nos com a questão da autenticidade. A autenticidade é preciosa, no nosso caso será crucial. Se nos limitarmos a repetir aquilo que já foi feito, será com muita dificuldade que ela transparece. A questão como põe o outro realizador, Jean-Luc Godard, não é de onde tiramos as coisas, sim para onde as levamos.
Pois. Mas eu insisto. Tal como os gestores da banca não deviam ter posto os ovos todos no mesmo cesto, não vamos tirar nós as ideias todas do mesmo clip. Diversifiquemos, eduquemos o olhar, o gosto.