crítica elaborada por José Farinha, 12º C
<< Feminine
De Paulo Ribeiro
(Espectáculo de Dança apresentado na Culturgest – 22 e 23 de Novembro ’08)
Feminine é uma peça de dança contemporânea que foi apresentada na Culturgest (Fundação Caixa Geral de Depósitos), nos dias 22 e 23 de Novembro de 2008. Paulo Ribeiro foi o coreógrafo dos artistas que a representaram no espectáculo.
Feminine foi criado tendo uma base semelhante a Masculine, do mesmo autor e apresentado no ano passado, em que “O Livro do Desassossego” de Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa) é o ponto de partida para este espectáculo coreográfico, situado entre a dança, o teatro e a performance. Em palco encontram-se quatro protagonistas masculinos que se desdobram em várias personagens.
Desta vez, Paulo Ribeiro decidiu criar um Pessoa no feminino e de saltos altos. Feminine explora o imaginário pessoano, a partir do olhar de cinco mulheres: quatro intérpretes de dança e uma actriz. Explorando as diferentes qualidades das intérpretes, preenche a peça com a poética do movimento feminino e o ardor colocado em cada gesto, utilizando toda a sua sensualidade. As sensações transmitidas são apenas interrompidas pela força maior do coreógrafo de brincar com as suas criações, de as colocar a rir de si próprias.
“Porque sou tão infeliz? Porque sou o que não devo ser. Porque metade de mim não está irmanada com a outra metade. A conquista de uma é a derrota da outra” – Fernando Pessoa. É esta a frase que inicia a acção principal de toda a peça, depois de uma fase introdutória.
A peça torna-se bastante curiosa, logo na fase inicial, levando-nos a perguntar porque é que será que o autor escolheu cinco mulheres para nos representar os ideais de Fernando Pessoa.
A escolha de quatro bailarinas e uma actriz permitiu conjugar a dança com teatro, essencial para a transmissão da mensagem pretendida. Todas as artistas tiveram de alternar a dança com a representação teatral, conseguindo com que os espectadores retivessem o tema da fragmentação do “eu” e o tédio existencial, ideal sempre presente em Fernando Pessoa, bem como de algumas das suas outras temáticas, como “a dor de pensar”.
A utilização da poesia de Fernando Pessoa permitiu enriquecer a mensagem que se pretendia transmitir e disponibilizou, ao público, um estreito de comparação entre as temáticas da sua poesia e a dança coreografada.
Sendo um espectáculo um pouco fora do comum, juntando duas vertentes artísticas habitualmente distinguíveis (Dança e Teatro), torna-se bastante interessante e consegue juntar adeptos de ambas. Para os menos familiarizados com estas formas de Arte, o início pode parecer menos apelativo e duvidoso, devido à confusão criada pela união das duas vertentes. No entanto, as expectativas são superadas e torna-se um espectáculo bastante agradável.
O cómico (conseguido a maior parte das vezes através de expressões teatrais) também está sempre presente, intercalando o tema com o riso satisfeito do público. Os minuciosos adereços (vestidos e saltos altos) também embelezam a peça e permitem uma perfeita distinção entre as personagens.
Todos estes aspectos tornam o espectáculo apropriado para todas as idades (a partir dos doze anos) e gostos, independentemente do conhecimento que o espectador tenha acerca de Fernando Pessoa, que é dado a descobrir através da interpretação criativa do coreógrafo.
Bibliografia:
• http://janelaurbana.clix.pt/ler-784-categoria-4.html
• http://www.culturgest.pt/actual/feminine.html
• Manual de Português do 12º ano: Abordagens, de Zaida Braga, Auxília Ramos e Elvira Pardinhas; Porto Editora; 2007. >>