sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

composição

"Dançar e compor danças

Há uma enorme diferença entre dançar e compor danças. Dançar pode ser apreciado pelo prazer do movimento com habilidade e precisão, pelo mexer-se com outros e pela libertação de sentimentos. Mas, compor uma dança é criar uma obra de arte e, de acordo com Redfern (1973), a compreensão da dança como uma forma de arte começa:
...quando a preocupação não é apenas com o deleite no movimento do corpo mas com um todo pensado, um "qualquer coisa" estruturado de tal modo que a relação e a coerência das suas partes adquirem um interesse e importância crescentes." (p. 1)

in Smith Autard (2004). dance composition, 5ª ed. A&C Black, London (tradução minha)

Ainda do mesmo livro (p. 32):

"Criatividade é a busca da ordem. Quando criamos perseguimos a plenitude e a coerência. Cada parte do todo deverá parecer necessária e inevitável.
Para a dança ser um todo com sentido deve ter uma forma reconhecível. O todo é composto por um número de partes e as partes de um compositor de dança incluem:

1. cada corpo de um dançarino é um instrumento com volume, forma a capacidade de acção;
2. o movimento tem propriedades físicas de tempo, peso e fluidez – a interacção entre eles determina a forma e o estilo da acção;
3. o espaço envolvente que pode ser formado pelo movimento,
4. as relações que cada corpo pode fazer com outros corpos ou objectos"

O pequeno filme da peça Contrastes ilustra na perfeição estas ideias. Bom, com talvez uma pequena excepção - o final pueril dos estertores finais. Que não obstante, e talvez por isso mesmo me fazem sempre sorrir. Foi apresentada em Dezembro, faz agora um ano, tal como os trabalhos que preparam.



Tenho andado de volta deste livro, de algum modo uma "Bíblia" da criação em dança. De facto, a grande parte do material onde me tenho suportado para esta área de projecto, deriva da Smith-Autard (escreveu outros para além deste). Não tanto pela falta de curiosidade mas porque as referências bibliográficas em todos esses livros ou artigos são sempre muito extensas, não me apercebera da importância deste "practical guide to creative sucess in dance making". Era mais um numa lista grande. Soube bem este encontro com a "mãe" depois de conhecer alguns dos filhos e, de qualquer modo, estou agora mais madura para ela.

Quanto às traduções, é bem mais difícil que parece. Uma coisa é ler e perceber o sentido, outra bem diferente é encontrar a palavra certa em português. Por coincidência, é a especialidade, presente ou futura, das bailarinas de Contrastes. São todas versadas em inglês, aprofundando em cada dia esse caminho.