Era o nome de um peça no ano passado. Falava do conflito entre branco e o preto (o bem e o mal?), numa indecisão (luta diária?) (mal) resolvida pelo equilíbrio que finalmente se conseguia estabelecer. Todos estes parênteses a atrapalharem a leitura do texto, a remeterem também para uma situação actual. A nossa situação de professores e a dos alunos, naturalmente. A das escolas, afinal.
Ocorreu-me este título por, mais uma vez, vir da escola em estado de graça. A minha filha mais nova (a única que está em casa quando eu regresso) ri-se quando ao "como é que correu o teu dia?", eu respondo de sorriso largo "mais uma aula espectacular". Olha para mim atentamente e eu conto a aula.
Hoje, tirando os atrasos costumeiros das pessoas do costume (eu estou de olhos fechados mas sei bem quem são) foi uma aula perfeita. O aquecimento, os exercícios de contacto e de entrega, as actividades exploratórias, o treino das diferentes acções. A cereja no bolo - a pequena coreografia trazida pela Joana, a corresponder no pormenor ao pretendido para esta fase do trabalho. As acções que incluiu, o seu encadeamento, as diferentes configurações, os níveis em que se trabalhou. A intensidade expressa pela limpidez dos gestos, pela sua energia, pelo uso do tempo. A suspensão logo seguida da urgência, a determinação do olhar secundada pelo corpo presente. Magnífico!
Duas aulas seguidas maravilhosas! Fundamentais, as meninas que com prontidão corresponderam à solicitação - ontem a Mafalda, hoje a Joana.
A ambas, o meu agradecimento sentido.
Depois, vem a parte negra e aí eu lembro-me dos contrastes. O conflito entre o branco e o preto, os bons - nós (isto é um filme de cowboys) contra os maus - eles. Professores vs Ministério da Educação (esta luta transcende largamente a Ministra, é todo aquele edifício a pedir desmantelamento). São estes bons momentos que equilibram o barco. A peça finalizava com o estertor de uns e outros, ficando vivo em palco apenas o branco-e-preto. Não descortino quem possa - neste filme - ser essa personagem.