domingo, 5 de outubro de 2008

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Um parêntesis a propósito de nada, bom, um interregno pessoal que "deves estar que não cabes em casa" como me dizia ontem, ao telefone, o meu irmão mais velho. Acertou. De modo que antes que rebente, cá vai: as minhas filhas mais velhas foram apuradas (no seu trio) para a final do campeonato do mundo que está a decorrer em Glasgow. Classificaram-se, rés-vés Campo de Ourique, em oitavo lugar no seu grupo de idade (12-19) e vão competir daqui a pouco com os restantes sete melhores grupos do momento.

É uma excitação muito grande e um orgulho imenso. Só me ocorre, ao escrever isto, aquela expressão no Asterix "vaidade das vaidades, tudo é vaidade" (fiz uma busca, dei com "vanitas vanitatum, omnis vanitas". Será?). Justifico-me com a vertente inspiradora, é que elas trabalharam tanto, investiram tanto, abdicaram de tanto para estarem ali em condições deste apuramento que o terem-no conseguido é maravilhoso.

Todos vocês fizeram ginástica acrobática nas aulas de educação física. Ficaram com uma (pálida) ideia do que se trata. Farão ideia da quantidade de horas, de espírito de sacrifício, de persistência, teimosia, força de vontade que é necessária para com nervos de aço, atingir o nível que permita resistir à pressão de uma competição deste calibre e não falhar uma recepção, uma abertura, uma estafa, um tempo?

Eu assisto - de longe (faço o jantar, lavo a roupa, estendo-a, essas coisas domásticas) - e espanto-me. Como é possível fazer todas aquelas acrobacias e não falhar nunca? Com repetições e repetições e repetições. Não tiveram férias, desde 30 de Julho descansaram um dia por semana, algumas com treinos tri-diários (o normal foram 2), perderam o início do ano lectivo (a mais velha, azar no timing, os primeiros dias de faculdade, as recepções ao caloiro) e agora vão ter de recuperar e apanhar os colegas de escola.

Como alguns de vocês no ano passado. Investiram sempre, repetindo uma e outra vez sem esmorecer, não obstante as dores, as mazelas, as nódoas negras, bateram-se pelo tempo (e espaço) de treino, procuraram terraços, cantos do ginásio, extensões e fichas triplas, não desistiram nunca.

Mas por vezes, mesmo com tanto trabalho falta aquela pontinha de sorte que não permite o apuramento, o desempenho sem falhas. Ontem ela esteve lá e eu acredito que mais tarde ou mais cedo, aparece sempre. Há dois anos, também no campeonato do mundo (em Coimbra) o trio da minha filha mais velha, falhou o apuramento por erro de juízes (mais tarde reconhecido por eles mas sem efeitos práticos, claro). Pareceu-lhes que o mundo ia acabar e o impulso poderia ter sido o de desistir logo ali. A raiva, felizmente, não o permitiu. Pode ser um sentimento positivo, a raiva ;)



Uma foto tirada na prova de controlo (as minhas filhas são as duas bases).