quinta-feira, 30 de outubro de 2008

plano b

O ajuste, a mudança, alteração repentina fazem parte da natureza das áreas de projecto, eu sei; todavia, começo a achar que tenho mais que a minha dose, parece-me que a minha vida é uma longa sucessão de planos b. Exagero, claro, é uma fraqueza umbiguista consequência de um começo de ano difícil. É a história da avaliação (nossa) com a imensidão do absurdo a desafiar o espírito mais aberto, é a escola (nossa) que tarda em organizar-se, depois quando pensamos que vamos finalmente começar a trabalhar a sério, caem-nos as reuniões intercalares todas as noites, enfim, chega de lamúrias.

Eu gosto de planos b, há-de ser uma vocação.

Hoje, era para ter acontecido isto:



Uma pequenina oficina conduzida pela Ju e pelo David que iriam ensinar aos alunos deste ano uma parte da sua coreografia de tango contemporâneo, a apresentada em Pasión. Era para ter sido ontem, depois foi marcada uma visita de estudo a duas das turmas, teve de passar para hoje. A aula de ontem da turma da tarde foi outro plano b, se bem que um plano b planeado com tempo, já sabíamos da alteração desde a semana passada.

Infelizmente a Ju teve um contratempo (na ordem da assistência familiar) e não conseguiu chegar a horas. Enquanto ainda a esperávamos aquecemos com o popular disco. Uma coreografia de dança em linha que foi muito bem acolhida por esta turma.



As imagens não fazem completa justiça ao desempenho dos alunos. Havia alguma inibição causada por um acumular de primeiras vezes - a primeira actividade de conjunto entre turma da manhã e da tarde, a primeira vez que algumas meninas (as da tarde) dançaram esta coreografia, poucas filmagens ainda, logo pouco à vontade com a câmara. Ao que se acresce a natural desilusão por não estarem a dançar o tango.

As outras perfomances a que tenho assistido, a maior parte delas espontâneas, tem sido bem mais divertidas, bem mais enérgicas, mais alegres. Lá regressarão.

Depois, pusemos o plano b em acção e praticámos o cha cha cha e o boogie. Uma belíssima aula, muito produtiva.



(vamos ignorar os erros técnicos flagrantes nesta foto, temos tempo, temos brio, lá iremos)

Por fim, uma palavra de apreço para a Ju que teve a coragem de vir ainda dar a cara aos colegas, pedir-lhes desculpa e explicar-lhes a razão do seu imprevisto. [a um outro nível fez-me lembrar uma situação parecida que vivi quando era miúda; o meu início de liceu (na altura chamava-se assim, agora é o 7º ano) foi vivido em pleno Prec (processo revolucionário em curso). Foram três anos de festa, leia-se granel, confusão, sem aulas a maior parte do ano. Visitas de estudo nem pensar, pois se nem haviam aulas... Ainda assim, houve uma no oitavo ou nono ano. Ao Guincho, Azóia e imediações, era organizada pelas Ciências da Natureza para ver os fenómenos geológicos. A novidade de uma saída organizada da escola, camioneta, lanche, essas coisas todas era tão excitante que nem respirávamos nos dias anteriores. No próprio dia a minha mãe estava doente e eu tive de ficar em casa a dar apoio. Foi a única vez que isso sucedeu em toda a minha vida, a minha mãe nunca estava doente. Aliás, à tarde desse próprio dia já estava bem melhor só que era tarde para me juntar à turma. Com o desespero nem queria ir à escola no dia seguinte, na antecipação da exclusão que iria sentir com toda a gente a falar das peripécias do passeio.] Uma história tonta (mais uma) em solidariedade com a Ju.

versão integral

do trabalho do último post.

Ando desde terça feira a tentar carregar este vídeo, não tenho conseguido. Há pouco tentei o outro e deu. Entusiasmada pelo sucesso, tentei de novo com este e também deu. Por vezes, aqui o blogger, é assim. Não há fome que não dê em fartura.

retratos



Este pequenino filme ilustra muito bem o trabalho e o ambiente que tem vindo a ser desenvolvido nesta turma. Uma criação da Catarina demonstrada, ensinada e trabalhada numa aula já há algum tempo. Nesse dia não tinha a minha câmara, foi recuperada como aquecimento na terça feira.

O bom desempenho da generalidade dos colegas não é um acaso. De facto, volta e meia ouço música na sala de espelhos (engraçado que cada vez mais profs. e alunos lhe chamam a sala de dança), espreito e lá estão eles a treinar. A treinar mesmo. O que foi dado na aula, o que vai ser dado mais à frente.

A música escolhida assim como a coreografia imaginada pela Catarina estão em sintonia com o grupo. Aquele gesto de dádiva, a suspensão e o pudor final. Muito bonito, muito sereno.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

pluralismo ou

espírito desportivo?

A aula de hoje foi - a pedido do Francisco - uma oficina de hip hop, inserida na campanha da Lista R da qual ele faz parte.

Já estava previsto no nosso planeamento que a sessão seria de hip hop e seria conduzida por ele. Limitámos-nos a ir um pouco mais longe, ao invés de apenas abrirmos as portas, viemos cá para cima para o ginásio velho. Ficámos assim mais perto do povo eleitor, a ideia seria, penso, causar algum impacto. Quanto aos resultados práticos não sei, diria que a sessão passou algo despercebida. Também não sei se é uma aula de hip hop que leva alguém a votar numa lista. Na sexta feira passada a lista O fez uma aula de body combat, amanhã parece que vai haver uma de aeróbica pela lista ...? Não deixa de ter piada esta vertente oficinal nas várias campanhas eleitorais.

Bom, presumo que aquilo que o eleitor avalia será a capacidade de realização da lista concorrente. Quem fizer uma campanha mais preenchida, mais variada, mais folclórica tirará vantagem. Por mim, adorei ver aquele grupo de sopro, no intervalo da manhã de sexta feira, tocando pelo pátio norte. Creio aliás reconhecer o mesmo grupo que aligeirava a espera para a corrida do Tejo da semana passada. Bem animados jorrando convicção, uma alegria contagiante.




Espírito plural manifestou a Mafalda (a menina de azul forte, lá atrás) que, não obstante integrar uma lista concorrente - a D, aplicou-se com brio na aula de hoje, afinal uma sessão de campanha pela oposição.

sábado, 25 de outubro de 2008

a peça

Eram duas como já disse. A primeira de Edward Clug, Four Reasons de repente fez-me regressar a "A magia do sonho", àquelas pernas iluminadas por trás. O cenário estava muito giro, ora portas de luz, ora janelas rasgadas, ora telas a meia altura. Os bailarinos entravam e saíam nas nesgas de luz, passavam pelas janelas modernas deixando-nos entrever a parte superior do seu corpo e imaginar o resto. A tela baixava e víamos tudo excepto as caras dos bailarinos. A música ao vivo, sempre uma outra graça. Gostei muito desta peça se bem que lhe faltasse um crescendo, um clímax.

A segunda, Come together com um jogo de luzes fabuloso. Não jogo de luzes, de facto era uma projecção. A matriz, o cenário, era um filme a passar em fundo com faixas de luz. Evocavam o exterior/interior de grandes edifícios, fazendo lembrar as sombras de pilares nas suas linhas direitas. Fui hoje ler a entrevista de Rui Horta ao Ipsilon, o suplemento da sexta feira do Público. Data de há uma semana mas não tinha lido, muitas vezes não gosto de ler antes. Parvoeira, fiz mal, devia ter lido porque uma das reservas que tinha em relação a convidar os alunos seria o putativo vanguardismo em demasia.

"O que a partir de quarta-feira o público pode ver tem sem dúvida a assinatura de Rui Horta - o multimédia, o texto, o movimento, a preocupação social, a arquitectura -, mas pode causar alguma estranheza a quem está habituado à obra do coreógrafo. São demasiadas pessoas em palco (12) e em alguns quadros a estrutura de "Come Together" permite mesmo que os bailarinos se entreguem aos mesmos movimentos, num "uníssono conservador" (diz ele) que serve o tema: Qual é o papel do indivíduo no grupo? Como pode manter-se singular?"

Não o era, penso que teriam gostado, penso que Come together tinha a dose certa de vanguardismo/conservadorismo para nós. A peça era fraccionada por algum discurso directo e até isso, esse desconforto (falo por mim, não há meio de não me eriçar e arrefecer quando me deparo com uma peça assim) seriam úteis. Ocorre-me José Gil "Suponhamos um solo: o bailarino executa uma série de gestos; de súbito põe-se a falar de uma história que nada aparentemente tem a ver com os seus movimentos (...). O olhar do espectador vacila, a sua compreensão dos gestos e das palavras desagrega-se. Depois, a partir de um certo momento, tudo volta a ficar no seu lugar: a coisa "funciona". O que é que funciona? O movimento dos gestos e das palavras que resulta do agenciamento de uns e outras numa dupla cadeia que se enrolasse sobre si, não se conectando as palavras ou as frases uma a uma com os movimentos ou as sequências de movimentos."

Hum... talvez. O meu olhar estará esclerosado ou mal sustido, vacila demasiado tempo, demoro sempre a reentrar na peça. De qualquer modo gostei bastante e, se não saí de lá empolgada "adorei, adorei" (faltava-lhe o tal fluir de sentimento, a alegria, uma euforia, uma angústia que fosse), foi o remate certo para a semana que passou.

[uma semana de nãos, ou precisando, uma sexta feira de nãos e não refiro ao meu granel dos bilhetes. Regressaremos a este assunto.]

não!

-E mesmo se tivesse não lho dava.

Como uma menina pequena a fazer uma birra, respondi assim à senhora da bilheteira do Teatro Camões. Logo, de pronto, envergonhada, sorri e acrescentei - também não merece se nem sequer é capaz de oferecer dois bilhetes a quem quer que apareça. Uma história com laivos surrealistas, a de hoje. Andei hesitando toda a semana em ir ver o programa de abertura da temporada no Teatro Camões. Uma peça de Rui Horta, outra de um coreógrafo esloveno Edward Clug. Não sabia se teria resistência - todos os dias a entrar na escola às 8.00 e sair às 20.00, sair de minha casa à noite e reentrar à noite, tudo em consequência da maratona de reuniões intercalares. Um dano colateral desagradável este de ter nove turmas, nove reuniões (seis das quais em regime nocturno). Adiante, ontem véspera de sexta feira, achei que sim estava-me a apetecer ir. Era demasiado tarde para desafiar os alunos (tinha hesitado também por ter algum receio de um excessivo vanguardismo das peças, talvez não fosse a estreia ideal para os alunos da ap) mas aqui em casa ainda ia a tempo. Apenas uma respondeu afirmativamente e hoje, à hora de almoço, entre reuniões, fui à fnac comprar dois bilhetes para domingo à tarde (único momento em que a minha filha poderia ir). Uma bicha infindável, quando chegou a minha vez constatei que domingo não havia espectáculo e à tarde, apenas sábado. Seja - dois de 5€ para sábado às 16.00, sff.

Sms a informar do meu engano, resposta dela "não me dá muito jeito". Ok, não faz mal vou tentar trocar os dois de amanhã por um para hoje. Acabo a bendita última reunião (muito cedo, uma turma tranquila para não lhe chamar espectacular) lá vou eu para o Teatro Camões.

- Não, não podemos trocar. Foram comprados na fnac, será lá que tem de trocar.

Lá vou eu para a fnac. Não, não podemos trocar. Foram comprados na baixa-chiado, terá de lá ir. Mas eles também não trocam, o sistema não deixa.

Argumento e contra-argumento, já o tinha feito na bilheteira com idênticos resultados nulos. São as normas. São normas cegas. É o sistema que não deixa. O sistema é gerido por pessoas. Cobrem-me uma taxa, façam-me pagar o papel, mas troquem-me. Eu quero comprar um bilhete de 20 €, quer a fnac quer o Teatro Camões vão ficar a ganhar. Inútil.

A noite estava óptima, a semana tinha sido de arrasar, eu queria ir hoje, não numa tarde de sábado. As tardes de sábado são para o ar livre, não para uma sala de espectáculos. Que se dane, vou comprar um para hoje. Regresso ao Teatro Camões e estendo os dois bilhetes na bilheteira:

- Ofereça-os amanhã a alguém que aí apareça. Quero um para a plateia para hoje, sff.
devolvendo-mos
- Não posso. Não posso ficar com os seus bilhetes, não posso oferecer bilhetes.
- Não pode porquê? Eu não os vou usar, porque é que se hão-de estragar? Amanhã há-de aí aparecer alguém que os queira. Ofereça-os, um presente inesperado.
- Não posso, são as normas.

Céus, que desespero as normas. Estamos todos a ficar atacados de uma estupidez colectiva. As normas cegas, nós obedientes acéfalos.

Entretanto, tinha-lhe estendido 20 € e o cartão fnac (desconto de 20%). Pede-me um euro para facilitar os trocos. Recuso. Olha-me pela primeira vez nos olhos, sorrimos ambas, recebe os meus bilhetes e coloca-os a jeito para amanhã. Espero.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

mantendo os laços

Uma imagem da sessão de ontem em que a Débora partilhou com uma das turmas deste ano os seus conhecimentos de hip hop e ragga. Conduzida com mestria, foi uma aula bem produtiva. A sua contribuição porém, não se limitou a ontem - tem colaborado com o Francisco, o grande entusiasta do hip hop da ap2, no desenho das coreografias que ele, ora já trabalhou com os colegas, ora irá ainda apresentar.



Na próxima semana irá acontecer outro regresso à escola - o da Ju e do David que irão ensinar numa sessão conjunta (não é ainda o retiro, Massita, é um preliminar) com as duas ap's um excerto da coreografia de Pásion.

uma oficina espontânea



Subi a avenida, hoje pela manhã (algo nesta frase me ecoa Leonor pela verdura, influência pela certa do centenário que se começará a comemorar daqui a 365 dias) acompanhada pela lua. Ao chegar ao Marquês, à laia de despedida, não resisti a fazer uma foto. Premonitória, a tranquilidade. Bom, eu hoje não tinha grande pressa, a aula que ia dar teria como destinatárias duas únicas alunas (resto da turma em visita de estudo) não havia material a montar. Depois, chego lá acima e deparo com a porta do pavilhão fechada. Em quatro anos nesta escola é a primeira vez - que terá sucedido ao Sr. Bráulio? Estava doente, como pode vir a estar qualquer um de nós. A escola não tem plano B, o banco dos suplentes está vazio, a primeira aula não foi dada (a minha aluna agradeceu, creio, foi poupada a uma seca individual já que a colega faltou). Depois, com a área de projecto tivemos de improvisar.

Por um acaso feliz, a aparelhagem foi montada no ginásio velho - durante todos os intervalos passou na parede uma apresentação feita pelo prof. Lino com trabalhos realizados o ano passado pelos alunos da ap fotografia. Destinada a assinalar a contagem decrescente para as comemorações, convidou-nos a todos à participação. Um belíssimo trabalho, vivo, apelativo, a espicaçar-nos.

A solução óbvia para a nossa aula seria, e foi, fazê-la ali. A prof. Cristina desafiou os seus alunos a juntarem-se, alguns aceitaram. Outros de outras turmas sem aulas que andavam por ali, atraídos pela música e pelo movimento, quiseram também participar de modo que embarcámos numa sessão de nível 1 dos Alunos de Apolo.

Uma oficina (sugestão do prof. Monge que espero ser capaz de manter - o uso do termo português oficina ao invés de workshop; gosto deste termo - oficina) espontânea!

A prontidão é tudo - a Marlene, como se depreende pela foto deu bem conta do recado, muitíssimo bem secundada pelos colegas que receberam e inseriram e se misturaram com os convidados surpresa.

domingo, 5 de outubro de 2008

As quintas melhores do mundo - o que quer que seja que isso signifique, a ginástica acrobática é um desporto obscuro, desconhecido de grande parte dele - do momento. O que não retira qualquer mérito à fantástica proeza.

O meu irmão Filipe veio despedir-se delas, na véspera da partida. Bem tarde na noite (os treinos nem acabam a desoras, há é que acrescentar a hora e meia de banho e transportes), tocou à porta, entrou, abraçou-as e anunciou-lhes com o ar grave de político sob os holofotes "queremos medalhas". Desmanchámos-nos a rir. Ele não perdeu a compostura "e se por acaso não as trouxerem, não queremos cá desculpas esfarrapadas. Inventem qualquer coisa com nexo". Acho que já estou a romancear, o remate da frase não foi bem assim, já nos ríamos tanto que não fixei.

Obtiveram o melhor lugar possível, as quatro primeiras como se depreende pelas classificações obtidas, actuam noutro patamar.

Devem estar muito felizes neste momento.

(eu nem sou das mães que leva isto muito a sério. Aliás, a treinadora, cada vez que me vê a assistir a uma competição faz uma festa "ena! está cá hoje!?" Eu fico sempre levemente ofendida mas tenho de conceder que é justo. Desta vez deu-me forte talvez por visualizar todas as noites de inverno que vêm para casa tardíssimo, a estudar no comboio para tentarem - e conseguirem - conciliar 5 horas de actividade desportiva com a vida de estudante e os seus horários pouco amigáveis).

Aguardo o seu regresso para colocar aqui uma foto do campeonato com a fatiota a sério.

( )

Um parêntesis a propósito de nada, bom, um interregno pessoal que "deves estar que não cabes em casa" como me dizia ontem, ao telefone, o meu irmão mais velho. Acertou. De modo que antes que rebente, cá vai: as minhas filhas mais velhas foram apuradas (no seu trio) para a final do campeonato do mundo que está a decorrer em Glasgow. Classificaram-se, rés-vés Campo de Ourique, em oitavo lugar no seu grupo de idade (12-19) e vão competir daqui a pouco com os restantes sete melhores grupos do momento.

É uma excitação muito grande e um orgulho imenso. Só me ocorre, ao escrever isto, aquela expressão no Asterix "vaidade das vaidades, tudo é vaidade" (fiz uma busca, dei com "vanitas vanitatum, omnis vanitas". Será?). Justifico-me com a vertente inspiradora, é que elas trabalharam tanto, investiram tanto, abdicaram de tanto para estarem ali em condições deste apuramento que o terem-no conseguido é maravilhoso.

Todos vocês fizeram ginástica acrobática nas aulas de educação física. Ficaram com uma (pálida) ideia do que se trata. Farão ideia da quantidade de horas, de espírito de sacrifício, de persistência, teimosia, força de vontade que é necessária para com nervos de aço, atingir o nível que permita resistir à pressão de uma competição deste calibre e não falhar uma recepção, uma abertura, uma estafa, um tempo?

Eu assisto - de longe (faço o jantar, lavo a roupa, estendo-a, essas coisas domásticas) - e espanto-me. Como é possível fazer todas aquelas acrobacias e não falhar nunca? Com repetições e repetições e repetições. Não tiveram férias, desde 30 de Julho descansaram um dia por semana, algumas com treinos tri-diários (o normal foram 2), perderam o início do ano lectivo (a mais velha, azar no timing, os primeiros dias de faculdade, as recepções ao caloiro) e agora vão ter de recuperar e apanhar os colegas de escola.

Como alguns de vocês no ano passado. Investiram sempre, repetindo uma e outra vez sem esmorecer, não obstante as dores, as mazelas, as nódoas negras, bateram-se pelo tempo (e espaço) de treino, procuraram terraços, cantos do ginásio, extensões e fichas triplas, não desistiram nunca.

Mas por vezes, mesmo com tanto trabalho falta aquela pontinha de sorte que não permite o apuramento, o desempenho sem falhas. Ontem ela esteve lá e eu acredito que mais tarde ou mais cedo, aparece sempre. Há dois anos, também no campeonato do mundo (em Coimbra) o trio da minha filha mais velha, falhou o apuramento por erro de juízes (mais tarde reconhecido por eles mas sem efeitos práticos, claro). Pareceu-lhes que o mundo ia acabar e o impulso poderia ter sido o de desistir logo ali. A raiva, felizmente, não o permitiu. Pode ser um sentimento positivo, a raiva ;)



Uma foto tirada na prova de controlo (as minhas filhas são as duas bases).