quarta-feira, 2 de julho de 2008

joshua slocum

foi o primeiro navegador solitário à volta do mundo.
Teve uma vida aventurosa (saiu de casa na adolescência) ao longo da qual foi somando experiências e conhecimentos. Perto dos cinquenta anos comprou um destroço, um pequeno veleiro, o Spray, sem mastro sequer, e recuperou-o. Só essa parte do livro Navegador Solitário valeria a pena, é um tratado. Ao fim de dois anos (creio) de reparações parte para uma viagem que nunca tinha sido feita - a circum-navegação em solitário. Estamos em 1895, regressará três anos depois; uma viagem épica - a passagem do Cabo Horn com os seus "roaring forties", os terríveis ventos implacáveis é um momento memorável. Saiu, como diz o prefaciador - e cito de memória, não sei o que sucedeu ao meu exemplar - sem patrocinadores, seguro ou assistência médica, GPS, transmissões de rádio, motor auxiliar, comissões de recepção nos portos. Ao longo da viagem fez algum dinheiro dando palestras, confiou sempre no seu engenho na resolução dos imprevistos (que se sucediam, naturalmente), na boa vontade e generosidade das pessoas com quem foi contactando e na excelente construção e preparação do veleiro.

A sua descrição da viagem é um prodígio de humor, inteligência e humildade. Não a humildade sonsa e postiça, talvez mais um misto de reverência perante o poder dos elementos, o reconhecimento do factor sorte, o "maravilhamento" perante o mundo. É sobretudo um olhar desprendido de quem não se toma demasiado a sério e é dotado de um engenho inesgotável e uma alegria de estar vivo em mais um amanhecer.

Uma sugestão de leitura de férias.