"Genia percebeu até o que um observador arguto como o Henry James apenas vislumbrara: um salão implica trabalho, e quanto mais trabalho nele for realizado, mais o salão parece espontâneo, fluido e improvisado. Evidentemente que foi algo que a nossa geração aprendeu. Todos sabemos que o filme "espontâneo" é o que precisa de mais trabalho e de um guião mais elaborado, precisamente porque não tem argumento. Sabemos que um programa de rádio ou de televisão "não ensaiado" tem de ser pensado até ao último pormenor e preparado com o dobro dos cuidados de um escrito, encenado e ensaiado. Aprendemos à nossa custa e duramente a diferença entre um acontecimento "improvisado", com a sua disciplina de bastidores, e o desastre de um "debate informal" sem preparação. O salão de Genia não tinha ensaios e era espontâneo, livre de formalismos, flexível e rápido. Deve ter requerido uma quantidade incrível de trabalho esgotante para o transformar num a perfomance pública de tanto sucesso".
in Memórias de um economista, Peter Drucker, o livro que tenho em mãos.
Como o nosso debate "naturalmente desordenado" como alguém tão bem disse. Não passou de uma simpática conversa de café, não podemos apagar todos os fogos, muito já tinham feito as bombeiras de serviço. E o momento do ano também não era bom, estávamos em cima dos prazos para entrega de trabalhos das outras disciplinas, testes e tudo isso que a vida não é só dança.
Não tendo nada a ver com isto, venho danada. O ano passado frequentei um curso de dança antiga; foi uma semana intensiva sobretudo nas mãos de uma professora excepcional - Cecília Grácio Moura. Este ano teve um final muito trabalhoso (estivemos desde que as aulas acabaram em reuniões e mais reuniões e ainda frequentámos uma acção de danças sociais - da qual saímos aprovados :) eu, a prof. Lena, Bárbara e Ricardo) em Junho, ainda fiz uma busca mas não vi a sequência, não aprofundei. Recebo um telefonema na semana passada de uma colega que frequentou o curso no ano passado, falando-me num outro. Inscrevi-me de seguida e solicitei na escola que me marcassem as vigilâncias de exame todas na parte da tarde, pelo menos frequentaria o curso da manhã. Tive azar, parece que não possível. Telefonei a desistir, a senhora organizadora, muito simpática insistiu para que fosse à sessão de abertura. Que foi hoje. Foi bom ter ido, reencontrei a Cecília e a Laurence, conheci a Mestra Barbara Spartti que é uma das professoras de topo. Mas venho furiosa por não poder frequentar. Todo aquele conhecimento ali a fluir e eu a vigiar exames. Sim, eu sei, tem de ser feito.
Um desabafo de quem foi até à água mas a quem não consentiram que bebesse.