Uma expressão curiosa, esta. Bem deste tempo ou talvez desta (minha) geração. Não me lembro de a ouvir há trinta anos, talvez na altura não houvesse necessidade. Foi o choque petrolífero, foi a Revolução, depois o PREC, estávamos sempre na zona de desconforto. Para vocês é também ainda uma expressão alienígena - a adolescência por definição é uma época de torvelinho, são raros os que a atravessam sem quaisquer crises de auto-confiança ou outras. A sensação de insegurança é bastante perene, não há qualquer necessidade de a agravar. Pelo contrário, procura-se refúgio no grupo de amigos, alguns na família, nos livros, nos computadores.
(outro parêntese - li num blogue há uns bons meses, na zona dos comentários (e infelizmente já nem sei onde andei nesse dia, poderia esclarecer melhor esta situação), a descrição do método usado numa escola com ensino francês - em Portugal - para melhorar a confiança dos miúdos. Ao final do ano lectivo, os professores de cada classe separavam os melhores amigos e enviavam um deles para outra classe. Este processo, que causava espanto e muita ansiedade nos pais, era logo entendido pelos miúdos e aceite sem reservas. No ano seguinte, formavam-se, naturalmente novos grupos de dois, três, quatro amiguinhos. Ainda assim, mantinham-se as amizades do ano anterior pois os recreios eram comuns, bem como passeios, visitas de estudo, festinhas. No final desse ano, nova separação e depois outra coligação. As crianças aprendiam assim a socializar-se com enorme facilidade e iam aumentando o seu núcleo de amigos e conhecidos. Interessante)
No início do ano, na sua palestra, o meu irmão falou-lhes na necessidade que sentiu, em determinada fase da sua vida, em sair da sua zona de conforto. Por isso a sua viagem à volta do mundo, a sua saída em caiaque na Antártida. Para algumas pessoas, viajantes compulsivos, esta necessidade é uma pulsão irrecusável. Lembro-me de, num livro que li de/ou sobre Bruce Chatwin ver esta descrição "fui para a Patagónia", num bilhete deixado sobre a secretária no escritório, um misto de despedida e auto-despedimento. Magnífico.
Encontrei este ficheiro Mp3 de que vos tinha falado. Uma balada bem melancólica. Porém descritiva e a fazer-nos sonhar. Slides, de Richard Harris.
Passámos três dias na zona da Arrábida e Cabo Espichel. Levámos tudo o que precisávamos connosco, dentro dos caiaques, dormimos na praia, pescámos, apanhámos destroços de madeira para fazer lume. Algumas vicissitudes - o fogareiro a gás que levávamos recusou-se a funcionar, felizmente houve lenha seca em quantidade suficiente, muito mar e vento num dos troços a exigir-nos bastante frieza e alguma fé (cheguei a pensar que o meu caiaque tão submerso que estava, se afundava) apenas trouxeram mais graça à expedição.
Não há nada que se compare à incrível liberdade que desfrutamos ao quebrarmos as amarras, ao enfrentarmos o desconhecido com os seus perigos reais e imaginários, ao nos vermos apenas dependentes de nós mesmos e do nosso engenho.
Ah, e dormir sob as estrelas, outra sensação incomparável.
Vou de férias, não por muito tempo mas para já interromperei este blogue. Regressarei quando houver mais que dizer.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
yakamoz
Parece que significa reflexo da lua na água e é uma palavra turca. Segundo percebi, numa busca superficial, teria sido eleita a palavra mais bela do mundo; aparte a tonteira de semelhante votação, é uma palavra bonita.
(abro um parêntese, é que nem de propósito: fomos ver o espectáculo no sábado à noite, partimos logo na madrugada seguinte para a Arrábida onde bivacámos na praia, não com o reflexo da lua na água (nascia tarde e sobre a falésia) mas sim o das estrelas. Lindo)
O espectáculo?
Tinha três peças - sementes de luz, acqua, reflexo de mim. Compridas, trabalhadas, sentidas. Ousadas, também, no sentido em que são experimentalistas. Explico - achei o espectáculo desequilibrado, gostei muito de algumas partes, detestei outras. Sou conservadora, devo dizer, e partes das peças eram talvez demasiado vanguardistas para mim (se é que isto de se adjectivar algo de demasiado vanguardista faz algum sentido).
A primeira peça começa com muita correria, muita correria atravessando várias vezes o palco. Gosto do som dos pés descalços sobre o linóleo, da determinação (e ausência de sentido? como se tudo não o fosse assim) com que o fazem. Bem sei que já o vi várias vezes mas isso não tem mal, estavam muito bem, assim como o encadeamento da primeira parte da peça. Depois, numa segunda parte de Sementes de Luz, resolvem entrar cada uma à vez com um artefacto tecnológico (gambiarras, carros de brincar e diabo a sete) ora ligadas à corrente ora com baterias. Numa breve introdução usaram todas daquelas luzes de natal que contornam - numa importação dos EUA - as janelas e as portas das casas, o que fez um efeito giro. Mas a solo não teve qualquer graça, além do susto permanente - quando é que uma delas fica electrocutada? Forçado, ou foi assim que me pareceu.
A segunda peça - Acqua - detestei. Um estendal "parece um anúncio do Tide" segredou-me a prof. Isabel Miranda ao ouvido e foi muito bem achado - onde elas penduravam roupa que lavavam em alguidares. A aldeia da roupa branca, percebeu-se que se divertiam imenso, o linóleo ficou lavadinho com tanta água que jogavam umas para cima das outras, nós ficámos frias.
A terceira voltou a ter momentos muito interessantes - elas têm belíssima técnica e sobretudo muito sentimento mas infelizmente prolongou-se demasiado e perdeu energia. O final foi fraco, fizeram um sumário (não do género do nosso, elas estiveram sempre todas em todas as peças), uma recapitulação de todo o espectáculo. Do meu ponto de vista foi um erro. Foram buscar todos os objectos utilizados e estes eram completamente desengraçados. Os alguidares de plástico (azul, redondos, de qualquer drogaria da esquina), uns bancos de três pernas feíssimos (vá lá que as cadeiras eram banais), uns aquários assim assim, tudo de um design descuidado.
Não obstante, esta crítica que não pretendo de modo algum que seja destrutiva, gostei de ter ido, gostei de lá estar, isto é, apreciei enquanto durou (não estive de olhos postos no relógio, não quis sair antes de ter terminado).
Os figurinos estavam muito bem - adequados, apelativos, bem integrados. As intérpretes eram expressivas, intensas, coesas. Coreografias cativantes (tirando as tais partes, claro), muita energia, fluidez, determinação.
Perguntei-me se teria gostado pelas razões afectivas - por conhecer a Alexandra, por saber que tudo foi produzido por elas, grupo péantepé (outra busca agora mesmo). Penso que não. Mesmo considerando tudo o que apontei, o balanço que faço é isento.
Foi um belo trabalho.
E depois imagino-as (os também, quem sabe?) a vocês, um dia no futuro, num grupo assim. Roubando horas à faculdade (deveria talvez dizer, acrescentando) e à família (um momento tocante - ainda que extemporâneo - nos Reflexos de mim: uma das dançarinas entra com um bébé de colo e esta faz parte da cena por alguns minutos. Muito sereno, não estranhou, não fez beicinho, colaborou com uma boa disposição surpreendente; seria, com toda a evidência, a filha de uma das intérpretes) para criar momentos de beleza e partilhá-los connosco.
Adenda - A questão dos objectos/adereços deve ser bem pensada. Já no outro dia, no solo do RAP, Como fazer actos com palavras, não tinha gostado dessa opção. O texto era magnífico, não precisaria de nada mais que uma voz e um corpo. Tem graça ver uma barbatana de tubarão percorrendo o palco como quem corta as águas, ou um par de actores fazendo gracinhas, mas na realidade desvia-nos das palavras. O que ali estraga.
Aqui sucede o mesmo. Os corpos seriam suficientes por si. E eram bonitos. Reais. Mais valia não os terem posto a contracenar com objectos tão feios em acções desconchavadas.
(abro um parêntese, é que nem de propósito: fomos ver o espectáculo no sábado à noite, partimos logo na madrugada seguinte para a Arrábida onde bivacámos na praia, não com o reflexo da lua na água (nascia tarde e sobre a falésia) mas sim o das estrelas. Lindo)
O espectáculo?
Tinha três peças - sementes de luz, acqua, reflexo de mim. Compridas, trabalhadas, sentidas. Ousadas, também, no sentido em que são experimentalistas. Explico - achei o espectáculo desequilibrado, gostei muito de algumas partes, detestei outras. Sou conservadora, devo dizer, e partes das peças eram talvez demasiado vanguardistas para mim (se é que isto de se adjectivar algo de demasiado vanguardista faz algum sentido).
A primeira peça começa com muita correria, muita correria atravessando várias vezes o palco. Gosto do som dos pés descalços sobre o linóleo, da determinação (e ausência de sentido? como se tudo não o fosse assim) com que o fazem. Bem sei que já o vi várias vezes mas isso não tem mal, estavam muito bem, assim como o encadeamento da primeira parte da peça. Depois, numa segunda parte de Sementes de Luz, resolvem entrar cada uma à vez com um artefacto tecnológico (gambiarras, carros de brincar e diabo a sete) ora ligadas à corrente ora com baterias. Numa breve introdução usaram todas daquelas luzes de natal que contornam - numa importação dos EUA - as janelas e as portas das casas, o que fez um efeito giro. Mas a solo não teve qualquer graça, além do susto permanente - quando é que uma delas fica electrocutada? Forçado, ou foi assim que me pareceu.
A segunda peça - Acqua - detestei. Um estendal "parece um anúncio do Tide" segredou-me a prof. Isabel Miranda ao ouvido e foi muito bem achado - onde elas penduravam roupa que lavavam em alguidares. A aldeia da roupa branca, percebeu-se que se divertiam imenso, o linóleo ficou lavadinho com tanta água que jogavam umas para cima das outras, nós ficámos frias.
A terceira voltou a ter momentos muito interessantes - elas têm belíssima técnica e sobretudo muito sentimento mas infelizmente prolongou-se demasiado e perdeu energia. O final foi fraco, fizeram um sumário (não do género do nosso, elas estiveram sempre todas em todas as peças), uma recapitulação de todo o espectáculo. Do meu ponto de vista foi um erro. Foram buscar todos os objectos utilizados e estes eram completamente desengraçados. Os alguidares de plástico (azul, redondos, de qualquer drogaria da esquina), uns bancos de três pernas feíssimos (vá lá que as cadeiras eram banais), uns aquários assim assim, tudo de um design descuidado.
Não obstante, esta crítica que não pretendo de modo algum que seja destrutiva, gostei de ter ido, gostei de lá estar, isto é, apreciei enquanto durou (não estive de olhos postos no relógio, não quis sair antes de ter terminado).
Os figurinos estavam muito bem - adequados, apelativos, bem integrados. As intérpretes eram expressivas, intensas, coesas. Coreografias cativantes (tirando as tais partes, claro), muita energia, fluidez, determinação.
Perguntei-me se teria gostado pelas razões afectivas - por conhecer a Alexandra, por saber que tudo foi produzido por elas, grupo péantepé (outra busca agora mesmo). Penso que não. Mesmo considerando tudo o que apontei, o balanço que faço é isento.
Foi um belo trabalho.
E depois imagino-as (os também, quem sabe?) a vocês, um dia no futuro, num grupo assim. Roubando horas à faculdade (deveria talvez dizer, acrescentando) e à família (um momento tocante - ainda que extemporâneo - nos Reflexos de mim: uma das dançarinas entra com um bébé de colo e esta faz parte da cena por alguns minutos. Muito sereno, não estranhou, não fez beicinho, colaborou com uma boa disposição surpreendente; seria, com toda a evidência, a filha de uma das intérpretes) para criar momentos de beleza e partilhá-los connosco.
Adenda - A questão dos objectos/adereços deve ser bem pensada. Já no outro dia, no solo do RAP, Como fazer actos com palavras, não tinha gostado dessa opção. O texto era magnífico, não precisaria de nada mais que uma voz e um corpo. Tem graça ver uma barbatana de tubarão percorrendo o palco como quem corta as águas, ou um par de actores fazendo gracinhas, mas na realidade desvia-nos das palavras. O que ali estraga.
Aqui sucede o mesmo. Os corpos seriam suficientes por si. E eram bonitos. Reais. Mais valia não os terem posto a contracenar com objectos tão feios em acções desconchavadas.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
provocações bem-humoradas


Não sei de que ano é este recorte. Tem estado pendurado na cortiça do meu quarto desde que dei com ele no Público. Delicio-me de cada vez que o vejo, a maravilha da imaginação, a inteligência de quem se mete assim connosco.
A maior parte estará a banhos e os que sobram para lá irão (eu estou quase de partida também), havendo ainda uma franja que entre um percurso e outro, gosta de passar pelos museus. É pensando na possibilidade de não conhecerem este artista - Banksy que deixo aqui esta notícia e link. É um apelo ao sentido crítico permanente, a não se tomar nada por garantido mesmo num local consagrado e acima de qualquer dúvida como o Museu Britânico.
A um olhar sempre fresco, à interrogação permanente.
dança no verão
A oferta é grande nesta fase do ano. E muito em conta, também, felizmente.
Hoje estive no Parque Palmela em Cascais, na apresentação do workshop Dança em Cascais. É organizado pelo departamento de dança da Faculdade de Motricidade Humana, dura duas semanas e tem como protagonistas miúdas dos 9 aos 15 anos, creio (aquando da 1ª edição tentei inscrever-me e fui recusada por não fazer parte do público alvo).
Um espectáculo interessante e ecléctico - espanholas, tradicionais, contemporânea, moderna, hip hop, sapateado americano. Interrogamos-nos como é possível realizar tantas coreografias diversificadas com protagonistas sem experiências anteriores na dança. Só estando lá, presumo. Gostei especialmente das danças com tradição; ao contrário do que o nome indicaria não houve folclore mas uma peça de fusão improvável, bem animada - música a lembrar Fausto, o passo base da rumba quadrada (acelerado, claro está) e depois vários passos de inspiração nas danças tradicionais portuguesas - tacão e bico, de escovinha, o nosso conhecido malhão, em formações variadas. Muito giro.
O hip hop com uma bela solução, uma coreografia simples - nem poderia ser de outro modo, bem enérgica, bem pensada, conseguiu acolher no palco todas as intérpretes (30?) suportando e até anulando os seus pequenos erros num bom trabalho de conjunto.
Os separadores estiveram a cargo dos professores; investidos cada um do seu papel, representaram a sua peça em vários actos, intercalada pelas apresentações de dança. Umas miúdas esgroviadas atrás de mim comentavam - o mais giro são estes. Uma resposta engenhosa para o problema do veste e despe das intérpretes. Em simultâneo, deve-lhes ter dado um gozo imenso, estavam divertidíssimos.
Figurinos individualizados em cada peça, o que me leva a interrogar - quem teria pago?
As miúdas? A Câmara? Um projecto caro, este. Porém, dinheiro bem empregue, uma mais valia e uma experiência inesquecível nas vidas das protagonistas.
Entretanto, recebo um email de uma outra rapariga que conheci o ano passado em Gaia. A Alexandra faz parte de um grupo de dança contemporânea, fazem espectáculos ocasionais. Este fim de semana estarão na Malaposta, o bilhete custa 5 euros, bem em conta.
Valerá a pena, com certeza. Tenciono ir no Sábado, se alguém quiser combinar...
Hoje estive no Parque Palmela em Cascais, na apresentação do workshop Dança em Cascais. É organizado pelo departamento de dança da Faculdade de Motricidade Humana, dura duas semanas e tem como protagonistas miúdas dos 9 aos 15 anos, creio (aquando da 1ª edição tentei inscrever-me e fui recusada por não fazer parte do público alvo).
Um espectáculo interessante e ecléctico - espanholas, tradicionais, contemporânea, moderna, hip hop, sapateado americano. Interrogamos-nos como é possível realizar tantas coreografias diversificadas com protagonistas sem experiências anteriores na dança. Só estando lá, presumo. Gostei especialmente das danças com tradição; ao contrário do que o nome indicaria não houve folclore mas uma peça de fusão improvável, bem animada - música a lembrar Fausto, o passo base da rumba quadrada (acelerado, claro está) e depois vários passos de inspiração nas danças tradicionais portuguesas - tacão e bico, de escovinha, o nosso conhecido malhão, em formações variadas. Muito giro.
O hip hop com uma bela solução, uma coreografia simples - nem poderia ser de outro modo, bem enérgica, bem pensada, conseguiu acolher no palco todas as intérpretes (30?) suportando e até anulando os seus pequenos erros num bom trabalho de conjunto.
Os separadores estiveram a cargo dos professores; investidos cada um do seu papel, representaram a sua peça em vários actos, intercalada pelas apresentações de dança. Umas miúdas esgroviadas atrás de mim comentavam - o mais giro são estes. Uma resposta engenhosa para o problema do veste e despe das intérpretes. Em simultâneo, deve-lhes ter dado um gozo imenso, estavam divertidíssimos.
Figurinos individualizados em cada peça, o que me leva a interrogar - quem teria pago?
As miúdas? A Câmara? Um projecto caro, este. Porém, dinheiro bem empregue, uma mais valia e uma experiência inesquecível nas vidas das protagonistas.
Entretanto, recebo um email de uma outra rapariga que conheci o ano passado em Gaia. A Alexandra faz parte de um grupo de dança contemporânea, fazem espectáculos ocasionais. Este fim de semana estarão na Malaposta, o bilhete custa 5 euros, bem em conta.
Valerá a pena, com certeza. Tenciono ir no Sábado, se alguém quiser combinar...
quinta-feira, 24 de julho de 2008
ser português
Moro no concelho de Cascais. Aqui à saída do bairro há um mupi (um p? dois p's? - é um expositor envidraçado de rua) com informações da Câmara; esta semana tinha um cartaz apelativo convidando - entrada livre - a um espectáculo de dança contemporânea da Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo (os sete sonhos, lembram-se?) na Cidadela em Cascais. As francesas já partiram, está uma noite quente e porque não?
Meti-me no comboio, chego quinze minutos antes. Um ajuntamento no portão não augurava nada de bom. De facto, os bilhetes tinham esgotado. Indignação generalizada, algumas pessoas tinham telefonado para o número referido no placard e a resposta fora - vá, a entrada é livre. As pessoas vão e depois não há entradas. Bastaria acrescentar mais uma linha - lugares limitados, entrega de bilhetes a partir das 20.00. Simples e não iria ninguém ao engano.
As reacções foram díspares - argumentar com o porteiro "não posso fazer nada", claro, que outra resposta esperaríamos nós? esperar uns minutos para ver e dar meia volta resmungando a meia voz "não preciso disto para nada" (seria também a minha, seguida de uma carta de reclamação para a edilidade, mas eu hoje estava numa de ser português), chegar dizer boa noite a todos os presentes como se nos alinhássemos fora dos cordões em noite de óscares e entrar por ali dentro (Lili Caneças acompanhada por um moçoilo muito interessante), berrar com o porteiro exigindo-lhe a identificação enquanto de iphone em punho (ah, a ilusão de poder dada por estes gadgets) ameaçava telefonar para o Capucho, himself.
Eu ia-me chegando para o portão a cada desistência ou cunha - alguns iam entrando chamados por pessoas lá de dentro "este senhor vem comigo" confiante numa solução à portuguesa. Que houve. Depois de quase ameaças de pancadaria, algum arrefecimento, brincadeira para desanuviar, apareceu um senhor que nos deixou entrar a todos. Muito simpático e sensato, foi buscar mais cadeiras nem sei onde, pediu aos mais novos para se sentarem no chão e ainda nos foi buscar programas. Um querido.
A peça? Eram três. Gostei muito da primeira Veneno, uma coreografia de Rui Lopes Graça. Muito completa, equilibrada e diversificada. Vivida, sentida pelos intérpretes que ora desesperados a solo ou a pares, ora eufóricos, ora pairando, ora cooperando em sintonia conectam-se e separam-se em energia e sinergia crescente. A segunda, um dueto coreografado por Vasco Wallenkamp não mexeu comigo. Bons bailarinos, coreografia interessante, bons figurinos mas não senti ali nada. Uma interpretação mecânica, técnica, sem paixão. O público adorou, foram muito aplaudidos, terei sido eu mais insensível. A última, Finale muito vivaz, alegre, energia a transbordar por cada poro, bons figurinos também, tudo o que eu gosto também não me aqueceu por aí além. Talvez pela coreografia óbvia, sem surpresas, algo rudimentar.
Uma bela noite, ainda assim, e um espectáculo bem recomendável no seu todo. Repete sábado e domingo, Cidadela de Cascais, 22:00. Entrada livre, é certo, mas convém lá estar às 20:00 para recolher o bilhete. Depois dão uma volta pela vila que é um apetite nestas noites raras sem nortada.
Meti-me no comboio, chego quinze minutos antes. Um ajuntamento no portão não augurava nada de bom. De facto, os bilhetes tinham esgotado. Indignação generalizada, algumas pessoas tinham telefonado para o número referido no placard e a resposta fora - vá, a entrada é livre. As pessoas vão e depois não há entradas. Bastaria acrescentar mais uma linha - lugares limitados, entrega de bilhetes a partir das 20.00. Simples e não iria ninguém ao engano.
As reacções foram díspares - argumentar com o porteiro "não posso fazer nada", claro, que outra resposta esperaríamos nós? esperar uns minutos para ver e dar meia volta resmungando a meia voz "não preciso disto para nada" (seria também a minha, seguida de uma carta de reclamação para a edilidade, mas eu hoje estava numa de ser português), chegar dizer boa noite a todos os presentes como se nos alinhássemos fora dos cordões em noite de óscares e entrar por ali dentro (Lili Caneças acompanhada por um moçoilo muito interessante), berrar com o porteiro exigindo-lhe a identificação enquanto de iphone em punho (ah, a ilusão de poder dada por estes gadgets) ameaçava telefonar para o Capucho, himself.
Eu ia-me chegando para o portão a cada desistência ou cunha - alguns iam entrando chamados por pessoas lá de dentro "este senhor vem comigo" confiante numa solução à portuguesa. Que houve. Depois de quase ameaças de pancadaria, algum arrefecimento, brincadeira para desanuviar, apareceu um senhor que nos deixou entrar a todos. Muito simpático e sensato, foi buscar mais cadeiras nem sei onde, pediu aos mais novos para se sentarem no chão e ainda nos foi buscar programas. Um querido.
A peça? Eram três. Gostei muito da primeira Veneno, uma coreografia de Rui Lopes Graça. Muito completa, equilibrada e diversificada. Vivida, sentida pelos intérpretes que ora desesperados a solo ou a pares, ora eufóricos, ora pairando, ora cooperando em sintonia conectam-se e separam-se em energia e sinergia crescente. A segunda, um dueto coreografado por Vasco Wallenkamp não mexeu comigo. Bons bailarinos, coreografia interessante, bons figurinos mas não senti ali nada. Uma interpretação mecânica, técnica, sem paixão. O público adorou, foram muito aplaudidos, terei sido eu mais insensível. A última, Finale muito vivaz, alegre, energia a transbordar por cada poro, bons figurinos também, tudo o que eu gosto também não me aqueceu por aí além. Talvez pela coreografia óbvia, sem surpresas, algo rudimentar.
Uma bela noite, ainda assim, e um espectáculo bem recomendável no seu todo. Repete sábado e domingo, Cidadela de Cascais, 22:00. Entrada livre, é certo, mas convém lá estar às 20:00 para recolher o bilhete. Depois dão uma volta pela vila que é um apetite nestas noites raras sem nortada.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
contradança
Conheci a Laurence no encontro de dança antiga em Vila Nova de Gaia, no ano passado. No final do encontro ela tinha reservado alguns dias para conhecer Lisboa; convidei-a, naturalmente, a ficar em minha casa. Mostrei-lhe um pouco a cidade, foram só dois dias e meio.
Este ano regressou para o curso de Sintra, o tal que eu não consegui ir. Gostou tanto de Lisboa que planeou mais uns dias para cá. Convidei-a novamente, claro, ela é uma bem disposta e muito simpática. Estava acompanhada de mais duas francesas, vieram todas. (isto por este andar, termina em camarata. No próximo ano serão 9 e em vez de cinco dias, ficarão uma semana, não sei se darei conta do recado.)
Como tenho estado muito ocupada na escola, pouco mais dei que guarida. Ontem, à despedida, insistiram em mostrar-me uma (enfim, parte) das coreografias que aprenderam.
É uma contradança e é dançada com quatro pessoas.
A Laurence é professora de música, ensina violoncelo, daí a facilidade em trautear a música. A Pier Martine (de calções) dança com ela e a Typhaine não aparece neste pedaço pois estava a fazer festas à Pinha que a adoptou. Foram umas noites engraçadas, com elas a contarem-me as peripécias do dia rindo-se perdidamente, eu percebendo aqui e ali uns pedaços (o meu francês rudimentar melhorou muito o ano passado mas depois o pousio fê-lo recuar; agora este novo incremento também não irá durar, é uma pena) mas rindo sempre - a Laurence tem imenso jeito para imitar tudo.
As pontes que a dança vai criando. (poderia ser a pesca, o malabarismo, a observação de pássaros, o gamão, qualquer pretexto é bom)
O Andanças vem aí.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
subscrevo

"A Passagem do JIVE (...) constitui, para a signatária, um dos pontos mais altos da sua participação. Por um lado, porque representou a descarga emocional da sua participação no espectáculo e, por outro lado, pela qualidade da música, da coreografia e do envolvimento do próprio público." in Relatório, Beatriz Mano.
Um purista, ou nem isso, um mero conhecedor veria neste minuto e pouco, mais descarga e menos jive. Com efeito, esta fotografia que eu adoro ilustra na perfeição a corrente que a imperfeição técnica pode resultar visual e emocionalmente muito bem (perdoem a cacofonia e, já agora, não sou defensora cega dessa corrente).
Lá em cima na régie era palpável a descompressão que aqueles breves segundos proporcionavam - o prazer das intérpretes, a sua energia, a pura felicidade de dançar.
Não vejo chegar o momento de, neste ano lectivo que já findou para vocês, ter uma sensação semelhante. A tensão acumulada não há meio de ter a sua escapatória.
Um amigo aborrecia-se comigo por eu não parar para "afiar a serra". Dizia ele que as pessoas passam toda a vida a serrar e não se preocupam em afiar os dentes. Essa operação, como é evidente, facilita muito os serra para baixo, serra para cima, seguintes. Poupa-se energia, faz-se um corte mais limpo, em suma é-se mais eficiente.
Vocês (professores) não passam de bombeiros, gostam mesmo é de apagar fogos. Eu prefiro a outra imagem, a dos alegres lenhadores de machado ao ombro, dirigindo-se para a floresta cantando e rindo em mais um dia de trabalho que começa. Reconheci e reconheço que é verdade. As semanas, os meses, os períodos de aulas uns a seguir aos outros são tão absorventes que só mesmo no verão é que podemos dedicar-nos a afiar.
Desde que terminámos as reuniões, não temos feito outra coisa no departamento de educação física. De lima em punho, dedicamos-nos com paciência, a cada dente. Preparamos, cheios de minúcia, o próximo ano lectivo. Conversamos, discutimos, zangamos-nos, escrevemos, rescrevemos. É o nosso tpf. Eu queria sorrir como a Bia em "descarga emocional".
quarta-feira, 16 de julho de 2008
voz
"Maria Mueller tinha a mais bela dicção que alguma vez ouvi. Era um alto, quente e vibrante, como um perfeito instrumento de sopro ou a Vox Humana de um dos grandes órgãos barrocos. Ela mantinha-a em completo controlo e expressava cada emoção, cada cambiante de sentimento, cada personagem com a mais subtil mudança na entoação, no ritmo ou na cadência. Mas também podia manter entoação, ritmo e cadência enquanto passava de pianissimo a forte e vice-versa. Era uma das últimas grandes declamadoras de poesia em palco; ela sabia ainda como "dizer" o verso em vez de recitá-lo, além de ter o controlo da respiração e da dicção que faziam os versos soar como a voz e as palavras humanas. Não era uma "actriz famosa"; efectivamente, nem sequer era uma "actriz", mas sim uma diseuse. No palco quase não se mexia e fazia poucos gestos, e só discretos e convencionais. Erguia-se e falava. Porém, quando surgia no palco e começava a falar, lembrava o Levantar do Vento na Descida do Espírito Santo no Primeiro Pentecostes. Era possível sentir um estremecimento sacudir a audiência. E daí em diante só havia ouvidos para ela."
in Memórias de um Economista, Peter Drucker.
Ainda em mãos, este livro. Lia este pedaço e ouvia a Anabela. Une diseuse, aussi.
in Memórias de um Economista, Peter Drucker.
Ainda em mãos, este livro. Lia este pedaço e ouvia a Anabela. Une diseuse, aussi.
domingo, 13 de julho de 2008
aparências
"Genia percebeu até o que um observador arguto como o Henry James apenas vislumbrara: um salão implica trabalho, e quanto mais trabalho nele for realizado, mais o salão parece espontâneo, fluido e improvisado. Evidentemente que foi algo que a nossa geração aprendeu. Todos sabemos que o filme "espontâneo" é o que precisa de mais trabalho e de um guião mais elaborado, precisamente porque não tem argumento. Sabemos que um programa de rádio ou de televisão "não ensaiado" tem de ser pensado até ao último pormenor e preparado com o dobro dos cuidados de um escrito, encenado e ensaiado. Aprendemos à nossa custa e duramente a diferença entre um acontecimento "improvisado", com a sua disciplina de bastidores, e o desastre de um "debate informal" sem preparação. O salão de Genia não tinha ensaios e era espontâneo, livre de formalismos, flexível e rápido. Deve ter requerido uma quantidade incrível de trabalho esgotante para o transformar num a perfomance pública de tanto sucesso".
in Memórias de um economista, Peter Drucker, o livro que tenho em mãos.
Como o nosso debate "naturalmente desordenado" como alguém tão bem disse. Não passou de uma simpática conversa de café, não podemos apagar todos os fogos, muito já tinham feito as bombeiras de serviço. E o momento do ano também não era bom, estávamos em cima dos prazos para entrega de trabalhos das outras disciplinas, testes e tudo isso que a vida não é só dança.
Não tendo nada a ver com isto, venho danada. O ano passado frequentei um curso de dança antiga; foi uma semana intensiva sobretudo nas mãos de uma professora excepcional - Cecília Grácio Moura. Este ano teve um final muito trabalhoso (estivemos desde que as aulas acabaram em reuniões e mais reuniões e ainda frequentámos uma acção de danças sociais - da qual saímos aprovados :) eu, a prof. Lena, Bárbara e Ricardo) em Junho, ainda fiz uma busca mas não vi a sequência, não aprofundei. Recebo um telefonema na semana passada de uma colega que frequentou o curso no ano passado, falando-me num outro. Inscrevi-me de seguida e solicitei na escola que me marcassem as vigilâncias de exame todas na parte da tarde, pelo menos frequentaria o curso da manhã. Tive azar, parece que não possível. Telefonei a desistir, a senhora organizadora, muito simpática insistiu para que fosse à sessão de abertura. Que foi hoje. Foi bom ter ido, reencontrei a Cecília e a Laurence, conheci a Mestra Barbara Spartti que é uma das professoras de topo. Mas venho furiosa por não poder frequentar. Todo aquele conhecimento ali a fluir e eu a vigiar exames. Sim, eu sei, tem de ser feito.
Um desabafo de quem foi até à água mas a quem não consentiram que bebesse.
in Memórias de um economista, Peter Drucker, o livro que tenho em mãos.
Como o nosso debate "naturalmente desordenado" como alguém tão bem disse. Não passou de uma simpática conversa de café, não podemos apagar todos os fogos, muito já tinham feito as bombeiras de serviço. E o momento do ano também não era bom, estávamos em cima dos prazos para entrega de trabalhos das outras disciplinas, testes e tudo isso que a vida não é só dança.
Não tendo nada a ver com isto, venho danada. O ano passado frequentei um curso de dança antiga; foi uma semana intensiva sobretudo nas mãos de uma professora excepcional - Cecília Grácio Moura. Este ano teve um final muito trabalhoso (estivemos desde que as aulas acabaram em reuniões e mais reuniões e ainda frequentámos uma acção de danças sociais - da qual saímos aprovados :) eu, a prof. Lena, Bárbara e Ricardo) em Junho, ainda fiz uma busca mas não vi a sequência, não aprofundei. Recebo um telefonema na semana passada de uma colega que frequentou o curso no ano passado, falando-me num outro. Inscrevi-me de seguida e solicitei na escola que me marcassem as vigilâncias de exame todas na parte da tarde, pelo menos frequentaria o curso da manhã. Tive azar, parece que não possível. Telefonei a desistir, a senhora organizadora, muito simpática insistiu para que fosse à sessão de abertura. Que foi hoje. Foi bom ter ido, reencontrei a Cecília e a Laurence, conheci a Mestra Barbara Spartti que é uma das professoras de topo. Mas venho furiosa por não poder frequentar. Todo aquele conhecimento ali a fluir e eu a vigiar exames. Sim, eu sei, tem de ser feito.
Um desabafo de quem foi até à água mas a quem não consentiram que bebesse.
domingo, 6 de julho de 2008
actos com palavras

Fui na quinta feira ver Como fazer coisas com palavras, um solo de Ricardo Araújo Pereira no papel de um filósofo da linguagem. Teria sido um espectáculo engraçado para terem ido com o vosso professor de filosofia, daria com certeza muito combustível nas aulas seguintes. Trata-se de uma conferência sobre as qualidades da palavra (e eu creio que ele não o diz assim) a partir de uma série de conferências dadas por John Austin. As palavras não são apenas declarativas, são também performativas - uma palavra usada muito por ele e sem tradução directa em português. Elas fazem coisas, repete várias vezes o conferencista.
Por exemplo, ao dizer "eu vou fazer(-vos) o dvd do espectáculo" estou a fazer um promessa de um acto que vai acontecer no futuro. Estou a estabelecer uma relação contratual entre mim e vós. Vocês esperam de mim o dito - e elusivo dvd.
Bom, eu não disse vos, disse vou tentar fazer. Mencionei até uma data - 7 de Julho (faltam meia dúzia de horas). Pois. Não é possível, não está pronto.
Words, words, words, cantava exasperada Eliza Doolittle, i'm so sick of words (...) Show me!
Já devo ter passado o limite de idade. Sucedeu-me o mesmo com uma manobra em kayak - o eskimo roll, aquilo que se faz quando se está de cabeça para baixo dentro de um kayak. Uma combinação de 3 movimentos de pagaia mais um golpe de anca e por fim o tronco. O meu irmão somou muitas horas em dias e ocasiões diferentes, eu insisti e insisti até à exaustão e ao enjoo (volta para baixo, volta para cima, são muitas rotações sucessivas, o meu ouvido interno não tinha capacidade de digestão) e não fui capaz. Foi um insucesso muito frustrante, fui persistente, batalhei e mesmo assim não fui capaz de aprender a virar-me para cima sozinha. Não seria só pela beleza da manobra, mais pela autosuficiência em rio e porque é uma trabalheira tirar, de cada vez que nos viramos, o saiote, rebocar o kayak para a margem, esvaziar a água, reentrar, recomeçar. Acordámos, a bem da amizade e da fraternidade, que eu teria já passado o limite de idade.
Aqui, vocês estão mais perto de perceber como se faz. Já nasceram com um rato na mão, encontram soluções que eu nem sonho. E de qualquer modo, o projecto de fazer um dvd seria sempre de todos, qualquer um se pode chegar à frente, eu já disponibilizei os vídeos originais.
A bem da verdade, acrescento que ainda não dediquei o meu tempo todo a isto. Vocês estão de férias mas nós estamos na fase do ano mais trabalhosa. Reuniões dia sim, dia sim, algumas vigilâncias, relatórios uns atrás dos outros e estou ainda a frequentar uma reciclagem de dança.
Em conclusão - amanhã ainda não haverá o meu dvd. Haverá sim, um acerto de contas para quem ainda o não fez. Passem pelo Sr. Braúlio a partir das 11 da manhã que ele terá o dinheiro das últimas receitas. Terão apenas de assinar e levantar a vossa parte.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
joshua slocum
foi o primeiro navegador solitário à volta do mundo.Teve uma vida aventurosa (saiu de casa na adolescência) ao longo da qual foi somando experiências e conhecimentos. Perto dos cinquenta anos comprou um destroço, um pequeno veleiro, o Spray, sem mastro sequer, e recuperou-o. Só essa parte do livro Navegador Solitário valeria a pena, é um tratado. Ao fim de dois anos (creio) de reparações parte para uma viagem que nunca tinha sido feita - a circum-navegação em solitário. Estamos em 1895, regressará três anos depois; uma viagem épica - a passagem do Cabo Horn com os seus "roaring forties", os terríveis ventos implacáveis é um momento memorável. Saiu, como diz o prefaciador - e cito de memória, não sei o que sucedeu ao meu exemplar - sem patrocinadores, seguro ou assistência médica, GPS, transmissões de rádio, motor auxiliar, comissões de recepção nos portos. Ao longo da viagem fez algum dinheiro dando palestras, confiou sempre no seu engenho na resolução dos imprevistos (que se sucediam, naturalmente), na boa vontade e generosidade das pessoas com quem foi contactando e na excelente construção e preparação do veleiro.
A sua descrição da viagem é um prodígio de humor, inteligência e humildade. Não a humildade sonsa e postiça, talvez mais um misto de reverência perante o poder dos elementos, o reconhecimento do factor sorte, o "maravilhamento" perante o mundo. É sobretudo um olhar desprendido de quem não se toma demasiado a sério e é dotado de um engenho inesgotável e uma alegria de estar vivo em mais um amanhecer.
Uma sugestão de leitura de férias.
terça-feira, 1 de julho de 2008
trabalhando na sombra
Recebi um email da Ju. Está em Aveiro onde foi passar uma semana de férias com os seus parentes. Está a aproveitar para explorar, na prática, a viabilidade daquela proposta que sabemos. Fico muito feliz pela iniciativa, também a mim me está a custar quebrar os laços. E depois Aveiro... Aveiro é uma cidade lindíssima, estimulante, alegre, vibrante.
O Carlos Vargas sugeriu a criação de um grupo de dança do Camões. Tinha sido a minha ideia antes do projecto Área de Projecto, cheguei a fazer um (pobre) cartaz de divulgação (o nome estava mal achado, era um mau começo ;)). Ele próprio já esboçou um também, todos começamos por aí. Não creio que haja capacidade, é sobretudo uma questão de (falta) de tempo.
Não obstante, quem sabe, alguns de vocês talvez queiram e consigam encontrar um tempo semanal para trabalharem. Inseriam-no no vosso horário na rubrica - ginásio/manutenção da condição física e trabalhavam uma peça para apresentar no espectáculo do próximo ano e depois, em Outubro de 2009, no tal que se propõe comemorar os 100 anos do edifício. Vou aliás desafiar os alunos da primeira edição a envolverem-se também.
Em qualquer dos casos, o calendário oficial do próximo ano para as escolas oficiais do ensino básico e secundário já foi publicado. Dentro da autonomia que se pretende para as escolas, notem o meu piscar de olho, vem lá determinado o dia 12 de Setembro como o Dia do Diploma. Assim, as escolas terão de organizar actividades e convocar todos os seus alunos de saída para um breve regresso. Vocês regressariam sempre, viriam sempre dizer-nos onde ficaram colocados. Deste modo vêm duas vezes (as colocações são depois, creio). Muitas escolas já tinham este dia se bem que numa data mais sensata; algumas um pouco elitistas, com festas destinadas apenas a quadros de honra, agora com a globalização será igual para todos.
Nesta foto a Ju parece que joga o pano como as noivas jogam o ramo. Não está de costas, nem um grupo de solteiras luta, esganiçado, para o apanhar. Ainda assim, a passagem do testemunho paira com o lenço. Apanhamos-lo nós? E porque não?
Em Aveiro quiçá.
O Carlos Vargas sugeriu a criação de um grupo de dança do Camões. Tinha sido a minha ideia antes do projecto Área de Projecto, cheguei a fazer um (pobre) cartaz de divulgação (o nome estava mal achado, era um mau começo ;)). Ele próprio já esboçou um também, todos começamos por aí. Não creio que haja capacidade, é sobretudo uma questão de (falta) de tempo.
Não obstante, quem sabe, alguns de vocês talvez queiram e consigam encontrar um tempo semanal para trabalharem. Inseriam-no no vosso horário na rubrica - ginásio/manutenção da condição física e trabalhavam uma peça para apresentar no espectáculo do próximo ano e depois, em Outubro de 2009, no tal que se propõe comemorar os 100 anos do edifício. Vou aliás desafiar os alunos da primeira edição a envolverem-se também.
Em qualquer dos casos, o calendário oficial do próximo ano para as escolas oficiais do ensino básico e secundário já foi publicado. Dentro da autonomia que se pretende para as escolas, notem o meu piscar de olho, vem lá determinado o dia 12 de Setembro como o Dia do Diploma. Assim, as escolas terão de organizar actividades e convocar todos os seus alunos de saída para um breve regresso. Vocês regressariam sempre, viriam sempre dizer-nos onde ficaram colocados. Deste modo vêm duas vezes (as colocações são depois, creio). Muitas escolas já tinham este dia se bem que numa data mais sensata; algumas um pouco elitistas, com festas destinadas apenas a quadros de honra, agora com a globalização será igual para todos.
Nesta foto a Ju parece que joga o pano como as noivas jogam o ramo. Não está de costas, nem um grupo de solteiras luta, esganiçado, para o apanhar. Ainda assim, a passagem do testemunho paira com o lenço. Apanhamos-lo nós? E porque não?
Em Aveiro quiçá.
errata
Terei dado uma informação errada sobre o processo das candidaturas. Devo ter pedido os meus esclarecimentos cedo demais, entretanto já foram reformulados: algumas colegas, por não conseguirem aceder ao kiosk em casa, foram à secretaria pedir desde já a ficha Enes. Esta só pode ser pedida a partir do dia 7 de Junho, pelo que terão mesmo de ir para a fila nesse dia. Há-de haver uma razão objectiva para isto, diferente pela certa, da que leva alguns centros de saúde (o meu, por exemplo) a só aceitarem marcações nos dias 1 e 2 de cada mês.
Bom, são sempre horas de alegre convívio as que se passam ali no hall de entrada que aliás é adequado, fresco nestes dias de canícula lisboeta.
Bom, são sempre horas de alegre convívio as que se passam ali no hall de entrada que aliás é adequado, fresco nestes dias de canícula lisboeta.
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