terça-feira, 3 de junho de 2008

trabalho de equipa

O mundo do espectáculo vicia. Um cliché, ao qual não consigo fugir (e tentei). A tensão que sobe, ali na régie, quando a sala escurece, está tudo a postos (a Carolina, ao lado do palco e a São, lá em cima na teia, já o disseram) a cortina sobe, o João deu também o seu aval e estou prestes a dar o sinal para o André Pinto "podes", é tremenda. Ficamos naquele estado de alerta, com picos maiores mas nunca descendo abaixo de um planalto, durante toda a primeira parte.
Tentando que as luzes, o som, as subidas e descidas das pernas, do ciclorama e toda a maquinaria de cena, corram na perfeição, sentindo cada falha como uma afronta pessoal ainda que a responsabilidade tenha sido nossa. Depois vem a descompressão do intervalo e nova subida na segunda parte. Quando chegamos ao "Greasing" começamos a respirar, já só falta uma e depois o sumário.

Hoje, foi um prazer ainda maior. Depois do vosso esforço de intervalo em que saíram com prontidão e alegria para vender o vosso espectáculo, regressaram sem bilhetes, ver a sala a encher, foi maravilhoso. Só alguém que acredita no que faz o poderia ter feito assim.

Depois, saber que cada um sabia o seu papel. Desde o controlo das entradas, as directoras de cena, os intérpretes, foi só deixar as cenas correrem. A voz off veio trazer uma qualidade notável ao conjunto. Duas professoras que tinham visto a versão sem e viram hoje vieram dizer-me isso mesmo. Esclarece o espectador sobre o teor da peça, torna-o mais participante. É verdade que a dicção da Anabela é muito boa e isso importa.

Ao intervalo, uma professora que saiu porque não podia deixar de ir dar aula (irá regressar amanhã para ver então tudo) disse "devia ser obrigatório os alunos virem ver, todos virem ver, porque a escola não sabia, isto não estava divulgado". É o tal problema da comunicação, a poluição visual é de tal ordem que deixamos de ter discernimento, os cartazes não se vêm. Mesmo cartazes como o nosso. Mais uma dica para ocasiões futuras - convites pessoais a todos os professores. Fica caro mas talvez valha a pena.

Gostei também muito de ver o vosso desapontamento com as vossas falhas pessoais. Só pessoas briosas ficam assim. Só pessoas exigentes querem ficar a treinar à tarde para melhorar o que pode ser melhorado.

Alguém iniciou as conclusões no relatório com algo como isto "é com enorme tristeza que escrevo as conclusões porque isso significa que chegámos ao fim deste projecto".

É também assim que eu me sinto.