Ontem estivemos no Páteo de Alfama a convite da Clara (a de saia verde). Relembro o contexto desta saída. A Clara informou logo no início do nosso grande projecto que não poderia comprometer-se nele pois não teria disponibilidade de tempo quer para todas as horas de ensaio extra-aulas, quer depois para as apresentações. De facto, ela apresenta o espectáculo que vimos ontem duas vezes por dia, cinco vezes por semana. É obra conjugar este trabalho com o que ele tem de exigência física e mental - sempre a sorrir, sempre bem disposta, sempre generosa na entrega ao clientes/espectadores, com a frequência do 12º ano. Ao qual se acrescia a frequência da nossa área de projecto. Foi assim um sinal de grande honestidade e rara maturidade a opção da Clara em prosseguir um projecto pessoal. Muito bem conduzido e apresentado como todos (os que estivemos presentes) tivemos o gosto e o privilégio de presenciar.
Quando o professor tem fé, os alunos acreditam, uma máxima pirosa para esta hora do dia. Mas eu acredito nela, ena tanta crença em tempos de incerteza. Bom, temos de nos segurar a algo. Quem presenciou as sessões da Clara viu, no mínimo, abalados os seus pré-conceitos relativos ao folclore. Dizia ontem a Rita "eu sempre tive a ideia (até aquele dia) que o folclore era isso mesmo - piroso".
E depois a Clara, já extra concurso, aulas terminadas, convidou-nos para ir assistir in loco ao espectáculo completo. Falou com o seu patrão, o dono do restaurante, este tão generoso quanto a Clara, ofereceu-nos uma noite simpática: uma bebida e a possibilidade de compreendermos melhor as nossas raízes culturais.
Não tenho muita experiência de restaurantes deste género (foi só a segunda vez) mas corroboro a informação da Clara no seu power point: existe neste uma grande preocupação de rigor etnográfico, o que no nosso projecto é fundamental. Parafraseando o Paulo (o meu amigo "comentador") não nos interessa fazer umas coisas giras. Ambicionamos bem mais.
É certo que este grupo, enquanto tal, não irá fazer mais nada no âmbito da área de projecto. Mas somou mais uma boa experiência, com qualidade, com rigor, com alma.
Finalmente, e não menos importante, estes, os que quiseram estar(desculpem rapazes lá de trás, o Nuno e o João vêm-se mal, o André e o Paulo um pouco melhor, as meninas todas nítidas, felizmente), estiveram pelo gozo, pelo gosto na participação, por eles, pelo grupo. As classificações estão atribuídas, não estiveram a trabalhar para a nota.
Foi para mim um prazer imenso trabalhar este ano com pessoas assim, não me canso e não vou parar de o repetir.
E obrigado Clara, uma vez mais, pela noite que nos proporcionaste.