Estava no computador procurando uns documentos da minha escola anterior, eis quando senão, dei com esta foto. Achei graça à coincidência, daqui a pouco terei de começar a aperaltar-me para a Gala de hoje.
Esta foto traz-me gratas recordações, foi também uma turma excepcional a que organizou em Maio (Junho?)de 2000, o Baile de Finalistas da Luís de Freitas Branco em Paço de Arcos. Na altura havia no ensino secundário (e básico também) uma figura que se chamava Área-escola. Pretendia-se desenvolver projectos interdisciplinares, envolver três ou quatro disciplinas dentro da mesma turma. Não havia horas para isso, isto é, os projectos teriam de ser desenvolvidos nas horas das aulas de cada uma das disciplinas a par da programação. Como estas são sempre muito extensas, na realidade o trabalho era desenvolvido extra-horário. Os directores de turma eram os responsáveis pela coordenação. Não contava para a avaliação, era muito difícil coordenar disciplinas diferentes, os programas tinham de ser cumpridos, etc, etc, o presente recaía quase sempre em cima do director de turma que lá tinha de produzir, com os alunos, qualquer coisa para a estatística.
Eu tenho tido sorte em alguns aspectos da minha vida, naquele ano saíu-me a sorte grande. Eu tinha uma ideia que arrastava comigo há dois ou três anos, já conhecia aquele grupo de alunos pois tinha sido professora deles no 10º ano e tinha colaborado com eles numa peça que tinham produzido (correra muito bem, aliás só não fora professora deles no 11º ano por um erro involuntário da equipa de horários), em Setembro de 1999 propus o projecto à turma.
Eles ouviram-me, gostaram dela "mas stora, nós também temos uma coisa que gostávamos muito de fazer. Este ano é a passagem do milénio, queríamos propor-nos para organizar o Baile de Finalistas". Ah!, bela ideia a vossa. mas eu também gosto muito da minha e vocês seriam perfeitos para isso. Olhem, e se fizéssemos os dois projectos?
Boa!
E assim foi. Criámos e mantivemos um boletim informativo com uma periodicidade mensal - o "informa-te". Dirigido à comunidade escolar pretendia informar, reportar, questionar, opinar, abanar, intervir. Foi tão bem recebido que com a excepção de um soluço de um ano lectivo ainda hoje existe nessa escola. Teve um bom começo, cá está, tal como este nosso projecto também o teve.
Iniciámos, também, desde logo as reuniões de preparação do Baile. Eles pretendiam algo de futurista, um salto em frente. Desenhámos, projectámos, estudámos e entre avanços e recuos acabámos naquilo que se vê. Conservador, simples, bonito, nada, nada do que se imaginava no princípio. Foi um ano glorioso, tudo o que se vê foi feito por nós. Comprámos pano cru e fita de nastro azul, cortámos e cosemos as cobertas das cadeiras, pintámos os cartazes, fizemos umas esculturas em barro para oferecer aos pares "mais simpático, mais bem vestido, mais..." já não me lembro das categorias. A montagem daquela rede foi uma aventura em vários episódios. Tinha sido montada (com dificuldade) e testada (a rede abria-se a meio à meia noite ou coisa que o valha) com dois dias de antecedência. Na véspera ficámos até às quinhentas a encher balões e a jogá-los lá para cima; no próprio dia não daria porque tínhamos aulas de manhã. De facto, eram oito e tal da manhã, eu estava numa aula de 8º ou 9º ano, duas miúdas irrompem no campo, chorosas "stora, venha ver, caiu tudo". Calma meninas, tudo tem solução. Quando terminar, vou ver. Elas tinham razão, com o peso dos balões a rede tinha esticado e alargado de tal maneira que roçava as mesas. Nem era possível andar ali. Quais McGyvers, desmontaram um lado, retirarem os balões enquanto eu ia comprar cabo de aço e esticadores. Eram onze horas, às duas estava tudo pronto e a tempo de irem para os cabeleireiros.
Uma (outra) turma especial. Faziam pelo gosto, pelo desafio, não ligavam sequer o contador.
Bom, nós temos felizmente uma memória selectiva. Das outras, esquecemos-nos. A não ser que nos tenham dado cabo da cabeça e nesse caso também não lhes farei publicidade.