sexta-feira, 27 de junho de 2008

candidaturas

Alguns de vocês têm-me feito perguntas sobre o processo de candidatura. Aquilo que sei é o seguinte:

1. Devem pedir - via kiosk - a vossa ficha ENES à secretaria da nossa escola;

2. No dia 7 quando forem ver as notas, passam na secretaria a levantar a ficha ENES;

3. A partir do dia 10 e até 23 (1ª fase) dirigem-se à escola Eugénio dos Santos para efectuarem a vossa candidatura (têm de levar a ficha ENES)

Quem já não tem cartão da escola e não puder requisitar a dita ficha pelo kiosk terá de o fazer directamente na secretaria. Quem tem senha de candidatura on-line não precisa de ir à Eugénio dos Santos mas creio que precisa da ficha Enes na mesma (a senhora da secretaria não sabia ainda a resposta a esta questão com precisão).

Ainda é possível pedir a senha para candidatura on-line.

Estas são as datas para quem fez todos os exames na primeira fase. Quem deixou alguns para a 2ª fase mas reúne condições de candidatura à 1ª os prazos são de 31 de Julho a 7 de Agosto. On-line, as candidaturas decorrem sem interrupção de 10 de Julho a 7 de Agosto.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

gala de finalistas



O aparato desde logo impressionava. E agradava. A passadeira vermelha (aqui parece cor de rosa mas eu confirmo que era vermelha), os vasos, as tochas, a recepção cuidada e calorosa, o fotógrafo oficial lá em baixo.



O nosso pavilhão irreconhecível, uma intervenção radical, não imaginaria possível. Não estive por dentro (bom, nem por fora) da organização, não por falta de curiosidade mas porque foi um fim de ano difícil, com tantas actividades quer da área de projecto quer do departamento de educação física. Tenho alguma pena pois gostaria de ter visto, ontem ali, mais professores e mais alunos. A prof. Bárbara já me tinha falado em irmos à Gala mas eu negara-me pois não tinha noção de ter lá alunos já que nenhum me falara no assunto. E o preço da entrada exigia ponderação. Convencer professores a virem é sempre boa política pois estes arrastam com eles mais alunos.
Entretanto, na noite do folclore os rapazes falaram no assunto e eu entusiasmei-me. Nestas coisas - no nosso espectáculo sucedeu o mesmo - os cartazes não são suficientes. É essencial a comunicação olhos nos olhos, a persuasão pessoal.



Pelo que percebi, a organização foi em exclusivo da Associação de Estudantes e não tiveram apoios. Acho fabulosa a perseverança e capacidade de organização. Não sei se contrataram o serviço por atacado, se a atenção aos detalhes foi deles. Estava tudo muito bonito e bem pensado.

E finalmente a festa. Pena ter começado tão tarde. O único senão desta noite - o tempo excessivo sentados à mesa. Não porque o serviço tenha sido mau ou lento mas porque a sucessão de pratos foi quase infindável.
Eu gostaria de ter ficado para a dança mas com o último comboio a sair à uma e trinta não se tornou possível. Deve ter sido de arromba, só pode.



Agradável ver tantos alunos do 11º ano e até do 10º. Assim, recebem o testemunho e esperemos que o transmitam. É que tem muito mais graça fazer um baile de finalistas na escola do que sair para uma quinta por mais bonita que esta seja. E, temos espaço e condições como se pode ver.

Os meus parabéns aos organizadores - a Associação de Estudantes.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

bailes



Estava no computador procurando uns documentos da minha escola anterior, eis quando senão, dei com esta foto. Achei graça à coincidência, daqui a pouco terei de começar a aperaltar-me para a Gala de hoje.

Esta foto traz-me gratas recordações, foi também uma turma excepcional a que organizou em Maio (Junho?)de 2000, o Baile de Finalistas da Luís de Freitas Branco em Paço de Arcos. Na altura havia no ensino secundário (e básico também) uma figura que se chamava Área-escola. Pretendia-se desenvolver projectos interdisciplinares, envolver três ou quatro disciplinas dentro da mesma turma. Não havia horas para isso, isto é, os projectos teriam de ser desenvolvidos nas horas das aulas de cada uma das disciplinas a par da programação. Como estas são sempre muito extensas, na realidade o trabalho era desenvolvido extra-horário. Os directores de turma eram os responsáveis pela coordenação. Não contava para a avaliação, era muito difícil coordenar disciplinas diferentes, os programas tinham de ser cumpridos, etc, etc, o presente recaía quase sempre em cima do director de turma que lá tinha de produzir, com os alunos, qualquer coisa para a estatística.

Eu tenho tido sorte em alguns aspectos da minha vida, naquele ano saíu-me a sorte grande. Eu tinha uma ideia que arrastava comigo há dois ou três anos, já conhecia aquele grupo de alunos pois tinha sido professora deles no 10º ano e tinha colaborado com eles numa peça que tinham produzido (correra muito bem, aliás só não fora professora deles no 11º ano por um erro involuntário da equipa de horários), em Setembro de 1999 propus o projecto à turma.
Eles ouviram-me, gostaram dela "mas stora, nós também temos uma coisa que gostávamos muito de fazer. Este ano é a passagem do milénio, queríamos propor-nos para organizar o Baile de Finalistas". Ah!, bela ideia a vossa. mas eu também gosto muito da minha e vocês seriam perfeitos para isso. Olhem, e se fizéssemos os dois projectos?

Boa!

E assim foi. Criámos e mantivemos um boletim informativo com uma periodicidade mensal - o "informa-te". Dirigido à comunidade escolar pretendia informar, reportar, questionar, opinar, abanar, intervir. Foi tão bem recebido que com a excepção de um soluço de um ano lectivo ainda hoje existe nessa escola. Teve um bom começo, cá está, tal como este nosso projecto também o teve.

Iniciámos, também, desde logo as reuniões de preparação do Baile. Eles pretendiam algo de futurista, um salto em frente. Desenhámos, projectámos, estudámos e entre avanços e recuos acabámos naquilo que se vê. Conservador, simples, bonito, nada, nada do que se imaginava no princípio. Foi um ano glorioso, tudo o que se vê foi feito por nós. Comprámos pano cru e fita de nastro azul, cortámos e cosemos as cobertas das cadeiras, pintámos os cartazes, fizemos umas esculturas em barro para oferecer aos pares "mais simpático, mais bem vestido, mais..." já não me lembro das categorias. A montagem daquela rede foi uma aventura em vários episódios. Tinha sido montada (com dificuldade) e testada (a rede abria-se a meio à meia noite ou coisa que o valha) com dois dias de antecedência. Na véspera ficámos até às quinhentas a encher balões e a jogá-los lá para cima; no próprio dia não daria porque tínhamos aulas de manhã. De facto, eram oito e tal da manhã, eu estava numa aula de 8º ou 9º ano, duas miúdas irrompem no campo, chorosas "stora, venha ver, caiu tudo". Calma meninas, tudo tem solução. Quando terminar, vou ver. Elas tinham razão, com o peso dos balões a rede tinha esticado e alargado de tal maneira que roçava as mesas. Nem era possível andar ali. Quais McGyvers, desmontaram um lado, retirarem os balões enquanto eu ia comprar cabo de aço e esticadores. Eram onze horas, às duas estava tudo pronto e a tempo de irem para os cabeleireiros.

Uma (outra) turma especial. Faziam pelo gosto, pelo desafio, não ligavam sequer o contador.

Bom, nós temos felizmente uma memória selectiva. Das outras, esquecemos-nos. A não ser que nos tenham dado cabo da cabeça e nesse caso também não lhes farei publicidade.

terça-feira, 24 de junho de 2008

o remate

de um projecto.

Ontem estivemos no Páteo de Alfama a convite da Clara (a de saia verde). Relembro o contexto desta saída. A Clara informou logo no início do nosso grande projecto que não poderia comprometer-se nele pois não teria disponibilidade de tempo quer para todas as horas de ensaio extra-aulas, quer depois para as apresentações. De facto, ela apresenta o espectáculo que vimos ontem duas vezes por dia, cinco vezes por semana. É obra conjugar este trabalho com o que ele tem de exigência física e mental - sempre a sorrir, sempre bem disposta, sempre generosa na entrega ao clientes/espectadores, com a frequência do 12º ano. Ao qual se acrescia a frequência da nossa área de projecto. Foi assim um sinal de grande honestidade e rara maturidade a opção da Clara em prosseguir um projecto pessoal. Muito bem conduzido e apresentado como todos (os que estivemos presentes) tivemos o gosto e o privilégio de presenciar.

Quando o professor tem fé, os alunos acreditam, uma máxima pirosa para esta hora do dia. Mas eu acredito nela, ena tanta crença em tempos de incerteza. Bom, temos de nos segurar a algo. Quem presenciou as sessões da Clara viu, no mínimo, abalados os seus pré-conceitos relativos ao folclore. Dizia ontem a Rita "eu sempre tive a ideia (até aquele dia) que o folclore era isso mesmo - piroso".

E depois a Clara, já extra concurso, aulas terminadas, convidou-nos para ir assistir in loco ao espectáculo completo. Falou com o seu patrão, o dono do restaurante, este tão generoso quanto a Clara, ofereceu-nos uma noite simpática: uma bebida e a possibilidade de compreendermos melhor as nossas raízes culturais.



Não tenho muita experiência de restaurantes deste género (foi só a segunda vez) mas corroboro a informação da Clara no seu power point: existe neste uma grande preocupação de rigor etnográfico, o que no nosso projecto é fundamental. Parafraseando o Paulo (o meu amigo "comentador") não nos interessa fazer umas coisas giras. Ambicionamos bem mais.

É certo que este grupo, enquanto tal, não irá fazer mais nada no âmbito da área de projecto. Mas somou mais uma boa experiência, com qualidade, com rigor, com alma.



Finalmente, e não menos importante, estes, os que quiseram estar(desculpem rapazes lá de trás, o Nuno e o João vêm-se mal, o André e o Paulo um pouco melhor, as meninas todas nítidas, felizmente), estiveram pelo gozo, pelo gosto na participação, por eles, pelo grupo. As classificações estão atribuídas, não estiveram a trabalhar para a nota.

Foi para mim um prazer imenso trabalhar este ano com pessoas assim, não me canso e não vou parar de o repetir.

E obrigado Clara, uma vez mais, pela noite que nos proporcionaste.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Guilherme

Guilherme foi um herói (deveria talvez dizer anti-herói) dos meus tempos de infância. Conheci-o na biblioteca Gulbenkian das Caldas da Rainha, local onde passava férias; um espaço pequenino mas com uma surpreendente colecção infantil e juvenil. Gostava tanto daqueles livros que acabei a percorrer as livrarias e a comprar os que encontrava. Deste modo podia lê-los ao longo do ano e não apenas nas férias.

Mais tarde, já nos vinte anos, recebemos em casa um jovem americano ao abrigo daqueles programas de intercâmbio AFS. Veio apenas passar o verão, era o programa curto. Tinha muita vontade de aprender português, ao fim de umas semanas de cá estar perguntou-nos que livros poderia ler de modo a praticar a língua. Lembrei-me do Guilherme, seriam os livros perfeitos. Vocabulário simples, histórias curtas e independentes, perfeito para uma iniciação. E sobretudo, o humor corrosivo, a inteligência de escrita, do autor.

O Guilherme é um miúdo de onze anos, energia inquebrantável, imaginação prodigiosa, fé inabalável nas suas capacidades. Mete-se em todos os sarilhos possíveis e trapalhadas inimagináveis, sai-se miraculosamente bem de alguns deles, dos restantes fica a pagar em semanadas perpetuamente congeladas. Tem um cão, o Trapalhão, como qualquer cão que se preze, reflexo fiel do seu dono. São umas histórias deliciosas que não (me) cansam nunca.

Com o Kent, o miúdo americano, foi-se parte da minha (e do meu irmão) colecção. Entretanto casei, filhos, o costume. Quando elas estavam a chegar à idade fui a casa da minha mãe repescar os livros que por lá ainda estavam. Anitas, Os cinco, As gémeas, O colégio das 4 torres e outros do género. E o Guilherme, claro. Para meu espanto, as minhas filhas com excepção da mais pequena nunca ligaram ao Guilherme. Voltei a relê-lo e a rir-me de novo como da primeira vez. Andei pelos alfarrabistas e feiras de rua sempre tentando recuperar a minha colecção de Guilhermes, não tive sorte, consegui comprar apenas um.

Há uns três anos num jantar de amigos de amigos, vindo do nada aparece o Guilherme à baila. Foi uma situação estranha, eu e a Ana rindo perdidamente, lágrimas nos olhos e tudo, em conjunto com um casal um pedaço mais velho que eu, evocando esta e aquela história do Guilherme. Um pouco aborrecido para os restantes mas foi por uma causa meritória. Sabe sempre tão bem encontrar umas almas gémeas numa esquina do nosso percurso, ainda que almas aqui seja claramente exagerado. Mas tudo no Guilherme o é, estávamos em consonância. Lá lhes contei dos meus esforços infrutíferos de recuperar os livros.

Esta semana, vindo do nada de novo, tenho um aviso de recepção para ir aos correios. A multa do irs já?, costuma ser só no ano seguinte. Era uma encomenda dos dez primeiros livros. Em Inglaterra continuam a editá-los, foi um presente caído de lá, uma amiga longínqua e generosa.

Somos o que comemos, o que ouvimos, o que lemos, somos tudo isso. Eu recomendo o Guilherme, o seu olhar fresco perante a vida, as suas vicissitudes, a batalha permanente perante a incompreensão dos adultos, a sua capacidade de superação de todos os obstáculos ou pelo menos de jamais se deixar abater por eles, é fabuloso.

Fiz uma busca, há uns exemplares disponíveis pelas várias bibliotecas municipais. E aposto que nas casas dos avós haverá boa probabilidade de se encontrar algum perdido. Depois de os esgotarem, ofereço-me para partilhar os meus. Acreditem que vale a pena. Enxugando as lágrimas, interrogava-me perante esses amigos de amigos como era possível que livros para miúdos mantivessem o seu fascínio em pessoas crescidas (estávamos entre os 40 e os 50). Responderam-me que ele escrevia com a inteligência e o sentido de humor como se escrevesse para adultos. Não menorizava os jovens de modo nenhum, a única concessão que fazia era no vocabulário mais restrito.

A centelha de humor que por vezes ocorre numa dança séria - e agora lembro-me do Afonso - começa, quem sabe?, num livro assim.

terça-feira, 17 de junho de 2008

"falhar é a coisa mais importante

do mundo e permitir-se errar é crucial para crescer" Nuno Cardoso, encenador.

"É de confiança este Nuno Cardoso, stora?" oiço ainda o timbre da voz do Nelson, do 12º h, enquanto, no ano passado, se preparava para responder à pergunta no teste de educação física. Questionava-me sobre a credibilidade do autor e esta questão daria pano para mangas. Não será por aí que quero ir hoje, a ironia no seu tom de voz faz-me sorrir, dispõe-me bem.

O mais importante é o amor, dirão alguns de vocês. Outros, o reconhecimento social, a água, a família, as possibilidades são bastantes.

Errar. Este arraial teve defeitos, ia escrever imensos, seria exagerado. Um deles, o "espectáculo" assim entre aspas pois foi um espectáculozinho não seria o que as pessoas esperavam. Olho esta foto e sinto uma ligeira frialdade cá dentro, fruto da decepção que creio ter causado nas pessoas. Vejo a prof. Gilda que trouxe os pais para algo que ela pensou ser ser "um ritmo". Nunca pretendemos que o fosse, não acredito que o devesse ser. Já o disse aqui e em voz que deve ser uma actividade de escola. A cantoria do alemão, o teatro do inglês, o latim, o francês, o português apresentando os bons trabalhos realizados ao longo do ano. A ed. física eventualmente, com a acrobática como aliás fizemos em Junho de 2006 e que, de algum modo, esteve na génese da nossa área de projecto. Pela receptividade junto da comunidade escolar, pela adesão que suscitou junto dos alunos.



Como os pais da prof. terão havido outros participantes decepcionados com a primeira parte. Poderia ter sido evitado com uma melhor preparação, com uma divulgação mais cuidada. Aspectos a corrigir no próximo ano.



Não há estatísticas de participantes, o grupo de professores e amigos de professores foi significativo, o de pais e famílias também. Arriscaria a dizer que houve um belo equilíbrio ao longo da festa. Por algum azar no timing, esta foto não exprime muita animação mas estes professores penso que são dos indefectíveis. Contava-me o prof. Ricardo, na véspera enquanto testava o equipamento, das festas de arromba que se faziam há uns anos. O prof. João Jaime (foi presidente do CE durante alguns anos, num outro ciclo da escola) defendia que há que fazer, se não se fizer nunca se saberá, não haverá oportunidade a corrigir seja o que for. E por isso encorajava e apoiava todas as iniciativas válidas.

Esta festa teve outro benefício indirecto. Fui levar a D. Clarisse a casa; durante todo o trajecto foi-me falando, com saudade, das festas passadas. Muito animada, percebia-se a sua satisfação por ter contribuído com o seu trabalho para o sucesso do arraial. Ela, que não prima pela loquacidade, tem afinal esta faceta tão simpática. Somos todos mais complexos (e completos) que imaginamos.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

fotos arraial

Resgatei hoje as fotos do prof. Lino. Estão muito engraçadas, mais umas para juntar ao espólio dos bons momentos passados este ano. Dêem-me um tempito...
Tivemos muita sorte este ano com a motivação do prof. Contava-me ele, no outro dia, que em tempos idos fotografava tudo o que se passava na escola. Existirão nos arquivos caixas e caixas de fotos. Depois, passou por uma época de distanciamento; este ano regressou em força. Valem mais que mil palavras? Não sei. Neste contexto, o destas memórias são insubstituíveis. De qualquer modo terei de aprender a colocá-las aqui de modo a ficarem grandes quando se clica. Assim, quais provas de contacto perdem graça.

domingo, 15 de junho de 2008

métodos

Cada um terá o(s) seu(s) para estudar.

Este parece-me simpático. Hoje regressei de um mergulho matinal na praia e deparei-me com uma instalação de português na sala. Fernando Pessoa nos seus três principais heterónimos, os Lusíadas, a Mensagem.
Não sei se dará para todas as disciplinas mas estou em crer que sim. Tenho uns amigos que são fãs do método, já não para estudar mas enquanto meio de organizar as ideias nas suas tarefas laborais.
Fica colorido, tem movimento, tem energia. E depois, o que se põe na parede ora tem alguma depuração como no caso do Alberto Caeiro, Ricardo Reis e seus colegas, ora representa um flash, uma ideia repentina com potencial quer para ser seguida por ser brilhante, quer para ser abandonada por não ser ainda o tempo dela.

terça-feira, 10 de junho de 2008

pendentes

Interrogam-se sobre o estado em que se encontra o nosso DVD. O Carlos Vargas defrontou-se com o mesmo problema que eu - tinha imagem mas não o som. Isto quando inseria o filme no programa de edição de vídeo. Tem estado envolvido em converter o formato de modo a comportar tudo; a tarefa é morosa e ele ainda não acabou.
Eu não me tenho dedicado a isto, outras tarefas mais urgentes tiveram a primazia, mas assim que acabar as reuniões vou retomar as minhas experiências.

Qualquer um de vocês pode fazer a vossa tentativa. Os vídeos integrais de todas as sessões (excepto as de dia 3 e 4) estão no portátil do Carlos. Tenho a certeza que ele as disponibilizará. Eu tenho-as também, ainda, na minha câmara. Se desejarem, combina-se eu levo-a, vocês levam um portátil e eu passo-os. Esta tarefa é morosa, mais de uma hora para as sessões todas mas faz-se, como é óbvio.

As últimas fotos e filmes que tenho colocado estão uma desgraça, pálida ilustração do que pretendiam retratar. O prof. Lino tirou fotos no arraial, estarão com certeza melhores que estas.

Entretanto um momento hilariante da sessão derradeira. Confesso que tremi quando os ouvi dizer que iam buscar as cadeiras. O pedido tinha sido feito para eles estenderem um pouco a sua intervenção de modo a darem tempo ao André para mudar de roupa (a propósito, bela adaptação a encontrada pelas panteras para suprirem a falta de dois inspectores, bem imaginada e executada com limpeza); pensei para comigo "estamos feitos, dá-se-lhes um dedo, levam-nos um braço.Agora instalam-se ali, nunca mais de lá saem". Injustiça clamorosa (tenho tendência à precipitação) foi uma intervenção brilhante. Aliás, gostei imenso da intervenção dos nossos dois apresentadores. Tal como nós, foram melhorando em cada sessão. Nesta última estiveram óptimos.



Nota: há hoje um problema qualquer com o carregamento do vídeo. Talvez amanhã funcione.

Adenda no dia seguinte - funcionou.

uma apreciação Ao ritmo do Camões

Já vos falei do Paulo. Convidei-o a vir ver a nossa última apresentação (na realidade já o tinha convidado em Abril mas atendeu-me o telefone num país distante), ele veio e emocionou-se. Na sequência, falei-lhe neste blogue, desafiei-o a escrever um texto. A sua resposta:Olá Teresa,decididamente não sei ser simples nem fazer as coisas pela metade.
A culpa é tua e dos alunos que apresentaram o espectáculo...!
Comecei a escrever e a coisa foi saindo. Assim como assim, digo tudo e só lê quem quiser...


"Assisti à vossa apresentação de dança na 4ª feira.
Ao contrário de vocês, não fiquei nada cansado. Mas fiquei com muitas memórias visuais a dançar dentro de mim... e com perguntas do género: "Mas como é que conseguiram fazer uma coisa destas na escola?", "Será que foram contratados no estrangeiro para fazerem de conta que são alunos do Camões?", "Bem, devem ter aulas de dança desde o jardim de infância!?", "Quem terá sido o coreógrafo?", "Deve haver duplos ou gémeos, porque há caras que estão sempre a aparecer em coreografias tão diferentes?!", "E as pilhas, são Duracel?"...

Sem mais perguntas (depois respondem), fiquei também com vontade de fazer alguns (muitos) comentários...

O meu nome é Paulo e tenho 34 anos (ainda que isto nada diga acerca de quem sou). Dou aulas de música, dança e teatro (desde crianças pequeninas a crianças grandes, adultos e curiosos da vida), vou a muitos espectáculos (teatro, dança, música, cinema...), compro livros e CDs, fico nos cafés a falar com amigos sobre tudo e sobre nada... e faço colecção de "momentos de vida bem vividos".

Vocês (os que vi dançar e os que imagino nos bastidores) vão passar a fazer parte da tal colecção de "momentos de vida bem vividos".
Serão um bom exemplo do que é um espectáculo com sucesso a vários níveis: de desafio (grande), de aprendizagem(s), de dinamismo e alegria (que não era só por serem jovens), de qualidade técnica e artística (... com muito trabalho), de empenho (para não desistir perante as dificuldades, sempre tantas!), de gosto em partilhar com o público algo de que gostam (obrigado.).

Foi tudo perfeito? É claro que não; nem poderia ser, porque em Arte estamos sempre à procura de fazer mais e melhor, de ter mais conhecimento, de experimentar outros caminhos...
Mas houve momentos de verdadeira perfeição - nas atitudes em palco; em determinadas sequências coreográficas; na energia com que galvanizavam o público...

Falando do público - há muitas maneiras de ver um espectáculo: através da Emoção (ficamos tristes, alegres, nostálgicos; choramos, rimos, recordamos...), através da Técnica (analisamos a perfeição dos passos, contamos os enganos, observamos se estão todos coordenados, vemos se a postura do corpo está correcta...); através da componente Artística (procuramos a criatividade da coreografia, a atitude na interpretação, a segurança na comunicação, a beleza do gesto...); ou, também, através da Relação Afectiva (nesse caso não importa o que fazem, porque se são o filho, o neto ou a namorada tudo é "deslumbrante" e são os "maiores"; ou, caso contrário, se são o colega antipático ou a ex-namorada, tudo está mal feito e não tem interesse).

Como não vos conhecia, vi o espectáculo na perspectiva das componentes emotivas, técnicas e artísticas. Ao princípio desconfiei (aquele início precisava levar uma "volta"), mas assim que começaram com a primeira coreografia devo confessar que conquistaram a minha atenção - e foram muito melhores que alguns espectáculos que já vi (com bilhetes bem caros!) e que só dá vontade de sair a meio (e a fazer barulho com os pés).

Das emoções que tive não me apetece falar através da internet. Mas posso referir outras questões:
- conseguiram ter um ritmo de entradas e saídas limpo e dinâmico, sem momentos mortos (um espectáculo com momentos mortos é um espectáculo condenado);
- foram bastante criativos na utilização equilibrada e diversificada do espaço e das formações de intérpretes;
- revelaram bom gosto e pesquisa em relação ao guarda-roupa, ao material cénico e à música (ainda que, quanto à música poderiam, de vez em quando, ter variado o estilo, sobretudo na dança moderna);
- excelentes textos!
- demonstraram grande à-vontade nos momentos mais teatrais (sem exagerarem ou irem para soluções muito evidentes e gastas);
- revelaram uma grande segurança na realização de todas as coreografias (enganos deve ter havido, mas não se notaram - excelente atitude a do grupo que se manteve em formação durante os longos momentos em que a música não apareceu);
- conseguiram atingir um elevado nível técnico, sobretudo nas composições de dança moderna ou nas coreografias em grupo;
- excelente no domínio motor/corporal nas danças ritmicamente mais "puxadas" (atenção! em algumas danças sociais têm de encontrar uma postura corporal mais descontraída e realizar os passos mais sincronizados com a música).
- a expressividade na interpretação (sobretudo ao nível do olhar e do toque/contacto corporal) demonstrou uma grande entrega artística e uma intencionalidade trabalhada ao pormenor.

É evidente que tudo isto revela um longo e árduo processo de amadurecimento em relação ao que é (ou pode ser) o mundo da dança (fundamental para o espectáculo final... e também como aprendizagem para a vida).
Sintetizando o que conquistaram e devem evitar esquecer:

- o esforço, o trabalho, o sacrifício, as dores no corpo (e na alma), o medo, a coragem...
- a alegria, o prazer, a descoberta, a entrega, a partilha, a entreajuda...
- a vontade de fazer cada vez mais e melhor, de se superarem (individualmente e em grupo), de não ficarem pelo mais simples...
- a recompensa das palmas, do reconhecimento dos amigos, dos novos amigos (ou mais que isso...), da realização pessoal...
- a dança, a dança, a dança, a dança... vocês e as danças... a vossa dança.

(Caso ainda estejam em frente ao computador...) uma referência final a alguém muito importante para a "vossa dança" - a professora, que certamente não vos deu descanso (mas quem é que vos disse que as grandes obras se fazem a dormir ao sol na praia?...) e que deve estar muito feliz pela forma como concretizaram o vosso projecto no palco.

Na vida encontramos muitas pessoas, mas são poucas aquelas que nos abrem verdadeiramente uma janela sobre o mar sem outro interesse que não seja mostrar a grandiosidade do mar.
Tiveram a sorte de ter alguém que vos abriu uma janela sobre o mar da dança, que vos guiou nas marés da navegação, que cuidou dos ventos e tempestades, que exigiu a construção de um barco bem apetrechado e, muito importante, alguém que não vos deixou ficar na primeira ilha que encontraram e que vos ajudou a escolher o rumo a seguir...

Sei o quanto é difícil tudo o que construíram. Foram muito mais além do que fazer "umas coisas giras" de dança. Foi um trabalho sério, completo.

Para subir ao palco é preciso ter algo para oferecer. E só se consegue dar algo aos outros quando o encontramos/construímos primeiro dentro de nós. Concluindo: souberam merecer o palco.

Acredito que alguns de vocês terão iniciado um caminho (longo) no mundo das artes de palco/bastidores. As carreiras artísticas podem começar assim.

Acredito que muitos outros adquiriram uma capacidade mais profunda de ver, de pensar e de sentir as artes (as da dança e todas as outras). Serão um público melhor.

Esta aventura está ganha. Venha o Verão, o sol, a praia e muita dança nas noites quentes.
Até ao próximo desafio..."

Paulo Ferreira Rodrigues

segunda-feira, 9 de junho de 2008

os princípios do treino

Alguns de vocês fazem testes de educação física; talvez a pergunta "enumera três dos princípios do treino e elucida-nos sobre um deles" nesta ou numa formulação semelhante já tenha surgido. [não nos meus testes, tenho a certeza, os meus tinham sempre perguntas muito fáceis]

Mas a conversa de hoje não é sobre os princípios, sim uma dica para os exames. Tudo se treina, ouviram-me vocês repetidas vezes ao longo do ano. Presumo que iniciaram hoje o vosso período de "estágio" para os exames; elaboraram um programa de estudos e estão a cumpri-lo com consciência.

Tão importante como estudarem nos horários que mais lhes convém, será estudarem à mesma hora que a realização do exame. Há exames que terão lugar em horários particularmente desfavoráveis no que à atenção diz respeito. Mesmo descontando as diferenças individuais, há um período do dia - o início da tarde - em que todos estamos menos activos, menos alerta. Pois se têm exame a essa hora, será a essa hora que todos os dias deverão estudar. Se o exame é às 9 da manhã, organizem-se de modo a que a essa hora estejam todos os dias com livros de exercícios, manuais, calculadoras, dicionários, papel, lápis, borracha, a postos para começarem a estudar. E não façam interrupções de meia em meia hora. Disciplinem-se para manter a concentração tão longo quanto possível.

Repliquem as condições dos exames. Treinem a pressão. E façam-no desde já. Uma única vez não será suficiente. Façam-no todos os dias.

domingo, 8 de junho de 2008

a noite do ano

Foi um perfeito fim de festa, a noite de hoje. Tudo se conjugou, o bom tempo, o pretexto do jogo de futebol, o jogo de futebol em si, a vitória (mas poderia ter sido outro o resultado e não creio que tivesse tido influência) o estado de espírito dos presentes, a vontade que todos tiveram de se divertirem.



Este pequeno vídeo não faz justiça ao clima que se viveu hoje ali no ginásio velho da escola secundária de Camões, palco aliás de festas memoráveis segunda a prof. Bárbara e o prof. Ricardo. E não há muito tempo atrás. As escolas, como tudo na vida, têm ciclos. Seria giro se estivéssemos a caminhar de novo num sentido ascendente.

Uma certeza temos - para o ano lá estaremos (com uma primeira parte organizada de modo diferente. Isto hoje, foi um remendo muito sem graça, e pior, induziu em erro quem pensou que iria ver algo do nosso "ao ritmo". Teremos de cativar para o arraial os contributos de toda a escola, não da AP dança. Como aliás se faz em todas as escolas.)

A segunda parte, a parte da festa mesmo, tudo compensou, tudo superou. Dependia de vós, da vontade que tivessem de viver o momento. Foi imensa, foi um gozo enorme, uma comoção estar ali a partilhar a vossa animação.

Hoje, será inesquecível, uma noite fabulosa. Obrigada meninas e meninos.



Adenda: estou um pouco lamechas, sim eu sei. É que é a primeira vez na minha vida de professora (25 anos, incrível hem?) que sigo, ininterruptamente, uma grupo de alunos durante três anos. E depois dá-me uma saudade antecipada - é que vocês vão e eu fico. É sempre pior para quem fica. Quem vai descobre novos horizontes, alarga-os, enriquece. Quem fica, estagna, espera. No nosso caso por Setembro, altura em que se recomeça o ciclo e se abraça, de novo, o desafio.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

tudo a postos


Uma foto do local onde vai decorrer amanhã a nossa festinha de final de ano - o arraial. Foi tirada a meio da tarde, vemos o núcleo "duro" da comissão de festas em plena actividade de decoração. Quando saí já estava tudo a postos para amanhã - a projecção preparada - fica óptimo, vê-se e ouve-se lindamente, cerca de 100 cadeiras alinhadas para o espectáculo e para o jogo, as lanternas e as fitas por todo o lado. Esqueci-me de vos avisar mas creio que alguns sabem, a entrega das medalhas dos torneios de basquetebol e voleibol será feita após a dança e antes do jogo. Já estavam 100 bilhetes vendidos, esperando-se cerca de duzentas pessoas para amanhã. Nós e o restante staff temos direito a entrada mas depois pagaremos o consumo. Menu - bacalhau com natas, feijoada e bifanas. Salada de frutas e arroz doce. Simples, que o Verão sempre parece que vem.

Um final em grande - o convívio descomprometido, a valer por si só, para um ano tão trabalhoso.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

arraial

Ponto da situação:

Hora de chegada - entre as três e as quatro da tarde.

Espectáculo - 18 horas
(no palco do ginásio velho)

Jantar - 19 horas
(no ginásio velho e no bar)

Futebol - 19:45
(no ginásio velho)

Bailarico - quando acabar o jogo
(no ginásio e no pátio norte)

A prof. Bárbara sugere, que para controlo das entradas na escola, os alunos que irão intervir no espectáculo usem um cartão de staff, tal como os elementos da organização. Assim, peço-lhes que amanhã vão ter com ela para o levantar.

terça-feira, 3 de junho de 2008

trabalho de equipa

O mundo do espectáculo vicia. Um cliché, ao qual não consigo fugir (e tentei). A tensão que sobe, ali na régie, quando a sala escurece, está tudo a postos (a Carolina, ao lado do palco e a São, lá em cima na teia, já o disseram) a cortina sobe, o João deu também o seu aval e estou prestes a dar o sinal para o André Pinto "podes", é tremenda. Ficamos naquele estado de alerta, com picos maiores mas nunca descendo abaixo de um planalto, durante toda a primeira parte.
Tentando que as luzes, o som, as subidas e descidas das pernas, do ciclorama e toda a maquinaria de cena, corram na perfeição, sentindo cada falha como uma afronta pessoal ainda que a responsabilidade tenha sido nossa. Depois vem a descompressão do intervalo e nova subida na segunda parte. Quando chegamos ao "Greasing" começamos a respirar, já só falta uma e depois o sumário.

Hoje, foi um prazer ainda maior. Depois do vosso esforço de intervalo em que saíram com prontidão e alegria para vender o vosso espectáculo, regressaram sem bilhetes, ver a sala a encher, foi maravilhoso. Só alguém que acredita no que faz o poderia ter feito assim.

Depois, saber que cada um sabia o seu papel. Desde o controlo das entradas, as directoras de cena, os intérpretes, foi só deixar as cenas correrem. A voz off veio trazer uma qualidade notável ao conjunto. Duas professoras que tinham visto a versão sem e viram hoje vieram dizer-me isso mesmo. Esclarece o espectador sobre o teor da peça, torna-o mais participante. É verdade que a dicção da Anabela é muito boa e isso importa.

Ao intervalo, uma professora que saiu porque não podia deixar de ir dar aula (irá regressar amanhã para ver então tudo) disse "devia ser obrigatório os alunos virem ver, todos virem ver, porque a escola não sabia, isto não estava divulgado". É o tal problema da comunicação, a poluição visual é de tal ordem que deixamos de ter discernimento, os cartazes não se vêm. Mesmo cartazes como o nosso. Mais uma dica para ocasiões futuras - convites pessoais a todos os professores. Fica caro mas talvez valha a pena.

Gostei também muito de ver o vosso desapontamento com as vossas falhas pessoais. Só pessoas briosas ficam assim. Só pessoas exigentes querem ficar a treinar à tarde para melhorar o que pode ser melhorado.

Alguém iniciou as conclusões no relatório com algo como isto "é com enorme tristeza que escrevo as conclusões porque isso significa que chegámos ao fim deste projecto".

É também assim que eu me sinto.

público(s)

Há uns anos dei uma de investigadora e fui três dias para Braga. Passei dois e meio enfronhada em bibliotecas (têm belíssimas lá, e na altura não se pagava; parece que agora o ensino superior cobra uma franquia de entrada na biblioteca), decidi aproveitar a última tarde a conhecer a cidade. Passei pela Sé, é muito famosa, resolvi entrar. As visitas eram todas guiadas, tinha de esperar um pedaço que se juntasse um grupo significativo de pessoas para se começar o périplo. Estava uma tarde soalheira, boa para se andar na rua, ninguém aparecia. Ao fim de uns dez minutos, o guia, incomodado por eu estar à espera, ofereceu-se para irmos andando. Respondi que não tinha pressa, podíamos esperar, ele insistiu e lá fomos.

A visita é muito curiosa porque todas as portas estão fechadas à chave. Ele, um moço nos seus vinte anos, não muito alto, qual S. Pedro, levava a típica argola de carcereiro com aquelas chaves grandes de ferro. Abria uma porta, entrávamos, fechava a porta à chave de novo e começava a sua explicação. Era muito engraçado porque ele enchia o peito de ar, olhava o infinito e falava como se na sala estivéssemos vinte pessoas. Gestos amplos, colocação da voz, ênfase, convicção, alternâncias de ritmo, perfeito.

O tom de voz dele era de tal maneira que eu chegava a olhar por cima do ombro, convencida que afinal não estava sozinha, que atrás de mim, um grupo de vinte pessoas me enquadrava.

Nada. Ninguém. Saíamos de uma sala, ele abria a porta seguinte, entrávamos, ele fechava a porta de novo, enchia o peito de ar "minhas senhoras e meus senhores...". A determinada altura pensei "quanto tempo será que ele vai manter esta pose?"

Toda a visita. Agradeceu-nos a todos, sempre sereno, sempre convicto, bem orgulhoso do valioso recheio da Sé de Braga e do seu património histórico.

Foi uma visita memorável, passou uma dúzia de anos e eu garanto-lhes que ainda seria capaz de discorrer durante vinte minutos corridos - e de improviso - sobre os factos e os episódios relativos à Sé, que ouvi nesse dia.

Um espectáculo aquele guia.

domingo, 1 de junho de 2008

íman

A convite da prof. Isabel Miranda fui hoje ver a peça íman, uma criação conjunta do grupo de dança Wonderfull's Kova M com a coreógrafa Filipa Francisco. Não vos falei no assunto pois foi muito tarde que decidimos ir e haveria, pela certa, alguma dificuldade em arranjar bilhetes. Confirmou-se, a sala esgotou cedo.

Não obstante teria sido interessante, vocês já as conheciam do dança, Camões!.



O ano passado participei, com a minha mãe, numa visita guiada à Cova da Moura. Nesta, percorreu-se todo o bairro, almoçou-se num restaurante, passou-se pelos locais mais significativos do ponto de vista social e histórico. Uma visita impressionante pelos preconceitos que derrubou e pela admiração com que ficámos por todas aquelas mulheres que lutam, sem quebrantar, todos os dias por uma vida melhor para si e os seus filhos.

No decorrer da visita conheci a Sysa, uma das guias. Vinte e poucos anos, calma, expressiva, orgulhosa do trabalho desenvolvido pela Associação Moinho da Juventude, falou, entre outras coisas, do grupo de dança (que vimos numa breve actuação para um outro grupo de visitantes). Convidei-a para vir ao Camões dar um workshop de danças africanas aos alunos de AP dança. Ela simpática, generosa, acedeu de pronto. A sessão correu tão bem (havia, entre os alunos, um grupo de auto-proclamados renitentes que se renderam mal a sessão começou) que as convidámos logo para participarem no nosso projecto de espectáculo. Elas vieram, como vocês se devem lembrar.

Hoje, estava cheia de expectativas pois tinha lido, há uns tempos, no jornal que este projecto - dança contemporânea com as raparigas da Cova da Moura - encontrava-se em gestação.

O início assustou, muito lento, muito "contemporâneo", muito gélido. São bons começos.
Logo, logo, há uma faísca, um despoletar de energia que se propaga e auto-alimenta. O acompanhamento musical, batuque africano mas não o tradicional, um bem dos nossos dias, adequava-se em absoluto às intérpretes. Estas, em actuações a solo (por vezes vários solos justapostos) ou em sincronismos efémeros, dançavam as "suas" danças numa recriação nascida do diálogo com a criadora Filipa Francisco.

Uma peça muito interessante a evocar quer as vastas planícies, quer as estreitas vielas urbanas, a força do grupo e a fragilidade do indivíduo.

A apontar apenas - não percebi e não gostei, quase sempre é assim - umas animações singelas que por vezes corriam em fundo.

Terminava com um vídeo que ilustrava o processo de criação da peça. Estava muito bom, sobretudo para quem tem da Cova da Moura a ideia que eu tinha antes de lá ter ido - um antro de banditagem, droga, etc. Não é nada disso, bem pelo contrário.

Achei graça, este ano tinha sido também uma ideia que gostaria de ter concretizado. Já o vi nos saraus das minhas filhas e acho que fica sempre bem - passar fotos em slide do decorrer dos trabalhos, das aulas, dos treinos, ensaios, tudo isso. No nosso caso, a ideia teria sido, passá-los no intervalo. Fica para o ano, vamos melhorando um pouco de cada vez.

E, é claro, estive todo o tempo a tomar notas mentais "que bem que isto resulta", e fazer um aquecimento assim e fazer este exercício, e este, e aquele.