Na sexta à noite, telefona-me o meu irmão mais velho "no domingo, queres vir andar de barco? Participar na regata do Dia da Marinha, vai ser sossegado, um passeio calmo". Sim, claro, boa ideia, conta comigo. O meu irmão adora velejar, quando eu andava no liceu cativava-me com frequência para "proa" nas embarcações pequenas (dois tripulantes ).
Já me tinha esquecido como ele se transfigura em situação de regata. Um indivíduo por norma calmo, parece outro quando toca a buzina do aviso "faltam 10 minutos". Foi tudo menos calmo o passeio de ontem. O vento foi subindo ao longo do dia, o percurso - Belém, Xabregas, Alfeite, Belém, cada vez mais difícil (vento contra) acabou numa luta entusiasmada pelas três últimas posições. Ele leva tudo muito a peito, um comandante exigente mesmo com uma tripulação amadora.
O passeio calmo transformou-se numa corrida emocionante, bordos sucessivos para ganhar ou perder meia dúzia de metros, a adrenalina a bombar cada vez que o barco adornava, inclinação tal quase parecia virar-se.
Às vezes entramos a bordo com uma expectativa mas as condições - metereológicas ou outras - trocam-nos as voltas e o que poderia ter sido uma viagem igual a todas passa a ser um "acto único".
O prazo de entrega dos relatórios termina na sexta. Algures entre a descrição das actividades e as conclusões (inclusive) há que haver uma confrontação entre objectivos iniciais e resultados alcançados. Não chega dizer "esteve um belo dia, adorei o sol e o vento na cara".
Ficámos um penúltimo.