sábado, 24 de maio de 2008

o Nepal

O meu irmão mais novo - que todos vocês conhecem - passou anos a falar-me do Nepal. Terminava sempre "tens de lá ir". Eu sorria, encolhia os ombros num sim simpático, descrente de quem não quer contrariar. Nunca sentira esse apelo, seria daqueles projectos que ficaria para as calendas. Ele nunca desistiu e em 2002 fui mesmo. Com ele, claro.

Vem isto hoje a propósito de quê? Estou imersa em relatórios como previsto, dou - num resumo - com uma frase são referidos os objectivos tal e tal apresentados de uma forma clara. De uma forma clara. Esse é um juízo que cabe ao leitor. O redactor tem o intuito de apresentar os objectivos de uma forma clara, nobre e mui valorosa pretensão. Não tem de o dizer. Tem de o fazer, tem de os redigir de modo a que o leitor exclame para si, em admiração "ah! Magnífico! Eu não o diria melhor."

A mente vagueia-me para o Nepal, para as ruas das cidades onde a vida fervilha. Levanta-se a cabeça para olhar os prédios e vemos os letreiros a anunciar uma escola de línguas, uma escola de contabilidade, de informática. Um parêntese, os nepaleses valorizam imenso a educação, todos querem aprender mais e mais e, se podem ( o Nepal é um dos países mais pobres do mundo), pagam para isso. Por isso a proliferação de escolas de adultos. Os letreiros. Os letreiros são um fascínio, um magneto pelos nomes que anunciam, hipérboles grandiosas da excelência dos seus produtos imperial, wonderful, astonishing, outstanding. É tocante a fé em si próprios, o orgulho que sentem e que anunciam num nome. Um pouco ao jeito das nossas colectividades de bairro, algo que, penso, se foi perdendo. A Incrível Almadense, não é um nome fabuloso?

nota: um resumo em trabalhos deste teor não deve nunca ultrapassar 10 linhas.