quarta-feira, 7 de maio de 2008

as boas intenções

não substituem a competência.

A palestra a que assistimos hoje à tarde, foi infelizmente, um exemplo do adágio que dá o mote a este post. Transbordante de boas intenções, falha (diria quase que) completa de eficácia. Aquele início com um vídeo - claramente falhado - do dia D, há onze anos atrás, em que as escolas pararam para reflectir (?) sobre as toxicodependências não me augurou nada de bom. Com efeito, na segunda feira, ao informar a turma da nossa escolha para assistirmos à sessão, fui questionada pela Joana "porquê?". Penso ter dado uma resposta minimamente convincente; na realidade, corria na minha cabeça o dito dia D. Para esse dia tive de convencer uma turma a "alinhar"; argumentei - são os pais que organizaram a sessão, eles conhecem-vos bem, será com certeza muito interessante, vai-nos ser útil, bla bla bla.

Foi inenarrável, nada que se compare a hoje. A duração foi mais do dobro, com a mania das pontualidades que vocês me conhecem, exigi-lhes que estivessem às dez - hora aprazada de começo, às 13h30mn ainda lá estávamos. Sem intervalo, nada. Horas e horas de slides, descrições técnicas, científicas, botânicas, eu sei lá, de cada droga. Discursos monocórdicos, imparáveis, uma torrente interminável de factos, causas, consequências, enfim, poupo-vos, tudo aquilo que uma sessão de divulgação/sensibilização não deve ser, aquela foi-o. Inflexível, não autorizei que nenhum deles saísse sob que pretexto fosse "meninos, temos de ser disciplinados, entramos à hora devida, saímos quando acabar".

Escrevo isto e sorrio. Onze anos depois, tenho uma postura diferente. Não sei se melhor. Na realidade, continuo a pensar que temos de nos disciplinar para aguentar "secas". Não podemos ter a postura mimada de que tudo tem de ser uma brincadeira, um jogo, tudo tem de ser aprazível. Pelo contrário.

Não obstante, acredito que temos de ser exigentes. E a exigência hoje manifestava-se pelo acto simples de não conceder mais um minuto de presença. Tive um bom amigo indiano, nado e criado no sul da Índia; era um apaixonado pela música, por (quase) toda a música, contava que lá, nos concertos, quando o público estava insatisfeito com a prestação dos músicos, o manifestava ruidosamente e o concerto terminava. Achei isto admirável, o não conformismo. Só um público informado, educado, o pode ser. Já li que em tempos também assim acontecia no S. Carlos - em vez de palmas corteses e indiferentes, uma pateada vigorosa, indignada!

A educação, tudo se resume a ela. Aqui, leia-se formação, claro está.