sábado, 31 de maio de 2008

making the best of it

A entrega ao projecto é (foi) diferente nos diferentes alunos ao longo do ano. Nada mais natural, todos somos diferentes. Ontem, era suposto termos relembrado, treinado, afinado as nossas peças antes dos próximos espectáculos. Tínhamos a informação de que não voltaríamos a ter outra oportunidade na medida em que o auditório estaria sob reserva da Drel para 2ª feira, véspera da nossa apresentação. Um parêntese - não se confirma e o João não tem qualquer informação de ocupação para esse dia, pelo que há nova convocação para as 14 horas de dia 2 de Junho. Se não pudermos, temos sempre a sala de espelhos.

Ontem, apenas um grupo (creio) esteve completo e pode fazer um ensaio a sério. Mas os outros, que compareceram no auditório, não perderam o seu tempo, bem pelo contrário, ganharam-no. Primeiro que tudo, reforçaram o seu compromisso perante o projecto e a proposta (subscrita por todos) da realização de duas sessões extra. Em segundo lugar, reforçaram os laços entre todos, questão fundamental em projectos desta natureza. Por fim, e não menos importante aproveitaram o melhor possível o tempo de palco e de grupo.




Aprenderam e ensinaram as suas coreografias uns aos outros. Para além de novas ligações nos neurónios, aumentaram o seu repertório específico. Nunca se sabe quando é preciso ir substituir uma colega. Até sabemos, agora (4ª feira)seria mas não há tempo suficiente para uma aprendizagem consistente, sólida. Depois, deitaram para trás das costas o medo de errar, a vergonha de fazer figuras e viveram a dança, objectivos primordiais nesta AP.

Finalmente, utilizou-se o tempo para uma tarefa que estava pendente e que se arrasta - nalguns casos - desde o primeiro período. Construir as sinopses de cada peça de modo a poderem esclarecer o espectador sobre os acontecimentos em cima do palco. No nosso caso serão lidas em voz off pela Anabela Caetano, aluna do ano passado da AP dança. Teria sido a intenção nas sessões de Abril mas na altura, não demos conta desse recado. Informo ainda que outro dos alunos do ano passado, o Afonso, virá assistir de novo. Desta vez com uma missão a que ele próprio se propôs - a de redigir uma análise crítica global e a cada peça, individualmente. Como se fosse um crítico de dança, afinal. Estamos assim, a tentar não só colmatar as falhas ocorridas como a dar um passo em frente no sentido de uma melhoria global.


Nesta foto aparece só a Massita e o André mas isso deve-se à pouca presença de espírito da fotógrafa que deixou ir embora as outras redactoras. Em fundo, um grupo aproveita também, o melhor possível, o seu tempo. Sem qualquer ironia. Estiveram presentes para o que desse e viesse e isso importa.

ps. esforcei-me por encontrar uma expressão portuguesa, curta, para "making the best of it". Não consegui, agradeço sugestões.

Adenda - não há neste post nenhuma indirecta em especial. Imensa gente avisou que não poderia vir pois tinha assumido compromissos antes de saber deste dia de ensaios. A intenção, é tão só, reforçar a ideia - para os que estiveram - que não foi inútil a ida deles ontem ao auditório. Nunca é.

terça-feira, 27 de maio de 2008

enguiçado

O arraial. Este ano nada é claro em termos de datas. Primeiro foi o "ao ritmo", agora é o arraial. Afinal já não é dia 12, há uma proposta para que seja no dia 7, sábado. Fazia-se um mini-espectáculo às sete, depois subíamos para o refeitório onde, devidamente amesendados (cachorros, bifanas, etc), nos prepararíamos para ver - em ecran gigante - o jogo Portugal x Turquia.

A ideia é interessante, tem sempre outra graça ver o jogo no meio de amigos.

Findo o dito, teria então lugar o bailarico.

A turma A e H já se prepara e, pelo que se pode entrever, outros há com vontade de dar ao pezinho.



Eclécticos? Neste contexto, sempre. Uma questão cultural, pela certa, a piada que todos achamos ao pimba. Poderíamos ironizar isto depois de um ano de dolorosa abertura de horizontes mas não passaria disso mesmo - ironia. Sabemos que em Setembro não nos entregámos assim.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

vaivem

A data do arraial flutua para a vante e para a ré. Depois do que eu disse hoje na aula, houve novo volte-face e ficou decidida a data de 12 de Junho.

É bom para os que vão ao Rock in Rio, espero que os que estão investindo em peças novas não adiem os trabalhos para as prepararem. O arraial vai ser uma brincadeira, a ideia é divertirmo-nos descomprimindo, não é para levar demasiado a sério. Espero que se consigam focalizar naquilo que será verdadeiramente importante para vocês - os exames de 12º ano.

sábado, 24 de maio de 2008

acutilante

a observação que leio num relatório "o cenário é engraçado embora não haja interacção com ele". De facto. Já tinha sentido uma indefinida estranheza perante esta peça - da qual eu gosto muito - que deveria ter beneficiado bastante com a inclusão do cenário que está engraçado sim e bem adequado à peça.
Isso, no entanto, não sucedera e eu não tinha - até agora - percebido porquê. Por não haver interacção. Ela não existe porque a peça foi concebida e trabalhada sem ele.
Aqui está como um comentário certeiro pode ser tão positivo. Implícita uma sugestão: não descurar, na concepção ou melhoria, pormenores vitais como os cenários.

Havia uma série de televisão há muitos anos QED, a abreviatura de uma expressão latina quod erat demonstrandum, que penso, queria dizer algo como aquilo que foi demonstrado. Era uma divertida série policial. Bom, recuperando o discurso - a pertinência dos relatórios fica assim demonstrada. Não são apenas úteis, diria mesmo mais, fundamentais no processo de reflexão do aluno como fonte de conhecimento - e muito mais, também - no professor.

o Nepal

O meu irmão mais novo - que todos vocês conhecem - passou anos a falar-me do Nepal. Terminava sempre "tens de lá ir". Eu sorria, encolhia os ombros num sim simpático, descrente de quem não quer contrariar. Nunca sentira esse apelo, seria daqueles projectos que ficaria para as calendas. Ele nunca desistiu e em 2002 fui mesmo. Com ele, claro.

Vem isto hoje a propósito de quê? Estou imersa em relatórios como previsto, dou - num resumo - com uma frase são referidos os objectivos tal e tal apresentados de uma forma clara. De uma forma clara. Esse é um juízo que cabe ao leitor. O redactor tem o intuito de apresentar os objectivos de uma forma clara, nobre e mui valorosa pretensão. Não tem de o dizer. Tem de o fazer, tem de os redigir de modo a que o leitor exclame para si, em admiração "ah! Magnífico! Eu não o diria melhor."

A mente vagueia-me para o Nepal, para as ruas das cidades onde a vida fervilha. Levanta-se a cabeça para olhar os prédios e vemos os letreiros a anunciar uma escola de línguas, uma escola de contabilidade, de informática. Um parêntese, os nepaleses valorizam imenso a educação, todos querem aprender mais e mais e, se podem ( o Nepal é um dos países mais pobres do mundo), pagam para isso. Por isso a proliferação de escolas de adultos. Os letreiros. Os letreiros são um fascínio, um magneto pelos nomes que anunciam, hipérboles grandiosas da excelência dos seus produtos imperial, wonderful, astonishing, outstanding. É tocante a fé em si próprios, o orgulho que sentem e que anunciam num nome. Um pouco ao jeito das nossas colectividades de bairro, algo que, penso, se foi perdendo. A Incrível Almadense, não é um nome fabuloso?

nota: um resumo em trabalhos deste teor não deve nunca ultrapassar 10 linhas.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

danças africanas


Uma imagem aérea do workshop organizado pela Stela. Foi a PAT (prova aptidão tecnológica) dela, o equivalente creio da nossa apresentação à comunidade. Um bom exemplo também de cooperação e trabalho de equipa, afinal um objectivo perseguido por todos nós, um requisito fundamental para o mundo do trabalho.
Foto da Diana Antunes, colega da Stela; notar na linha da frente a Leyre do 11º ano e o outro rapaz do curso tecnológico de administração que foram colaborar enquanto monitores.

terça-feira, 20 de maio de 2008

últimas apresentações

este ano lectivo...


Confirmado:

3 de Junho (terça-feira), 10 horas

4 de Junho (quarta-feira), 19 horas

Destinários - comunidade escolar e amigos de fora (a escola secundária do Restelo afinal não pode vir mas está convidada a escola secundária de Benfica)

Vamos aproveitar a oportunidade para corrigir os erros e melhorar o possível.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

viagens


Na sexta à noite, telefona-me o meu irmão mais velho "no domingo, queres vir andar de barco? Participar na regata do Dia da Marinha, vai ser sossegado, um passeio calmo". Sim, claro, boa ideia, conta comigo. O meu irmão adora velejar, quando eu andava no liceu cativava-me com frequência para "proa" nas embarcações pequenas (dois tripulantes ).

Já me tinha esquecido como ele se transfigura em situação de regata. Um indivíduo por norma calmo, parece outro quando toca a buzina do aviso "faltam 10 minutos". Foi tudo menos calmo o passeio de ontem. O vento foi subindo ao longo do dia, o percurso - Belém, Xabregas, Alfeite, Belém, cada vez mais difícil (vento contra) acabou numa luta entusiasmada pelas três últimas posições. Ele leva tudo muito a peito, um comandante exigente mesmo com uma tripulação amadora.

O passeio calmo transformou-se numa corrida emocionante, bordos sucessivos para ganhar ou perder meia dúzia de metros, a adrenalina a bombar cada vez que o barco adornava, inclinação tal quase parecia virar-se.

Às vezes entramos a bordo com uma expectativa mas as condições - metereológicas ou outras - trocam-nos as voltas e o que poderia ter sido uma viagem igual a todas passa a ser um "acto único".

O prazo de entrega dos relatórios termina na sexta. Algures entre a descrição das actividades e as conclusões (inclusive) há que haver uma confrontação entre objectivos iniciais e resultados alcançados. Não chega dizer "esteve um belo dia, adorei o sol e o vento na cara".

Ficámos um penúltimo.

sábado, 17 de maio de 2008

autonomia


Às vezes dá-me para a poesia. Não tanto, não exageremos, digamos que deixo as palavras escorregarem para a lamechice [não é que eu não acredite nelas, eu acredito, mas de repente, aqui, parecem pirosas]. Este texto faz parte da introdução do meu projecto, do nosso projecto, deste projecto.

O contacto com o belo é uma experiência emocionante, libertadora, apaziguante. A dança, arte do efémero por excelência, vive da presença e no presente, elusiva, acontece e logo desaparece. Roçagante, toca e foge, deixando por vezes pouco mais que a sensação de uma miragem na travessia de um longo curso.

Mas se, o individuo é o produtor do belo, se é ele que desencadeia tão poderosas emoções em si e no outro, então o transcendente acontece e o efémero cristaliza-se.


As imagens são colhidas do debate de quarta feira. A Ana Sofia refere - precisamente - a questão da produção em conjunto com a autonomia e o trabalho de equipa. Criar, interpretar, produzir. Analisar, reflectir, apreciar/avaliar. Criar de novo, nova voltinha, nova viagem.

partilha de experiências

Fui, como vos disse, à Escola Secundária do Restelo. O auditório deles é bem diferente do nosso, como aliás seria de esperar. Trata-se, na realidade, de uma sala de alunos (numa escola dos anos 80 do séc XX) adaptada. Tem um palco - um estrado de madeira com cerca de 80 cm, cortinas, alguns projectores. Entradas e saídas pela frente, som portátil. Seria e será possível dançar-se ali; porém, o nosso espectáculo perderá bastante, a adaptação teria de ser tal que deixaria de ser aquilo que foi e passar a ser outra coisa Por esse motivo fiz o convite para que a visita fosse à nossa escola. Também é interessante para eles irem a outra escola e, sobretudo, terem acesso à "real thing".

Agora, trata-se de eles obterem autorização e nós também. Na sexta já não consegui falar com o nosso conselho executivo, fa-lo-ei na segunda. O convite manteve a terça às 10 da manhã, abriríamos à escola novamente.

adenda - não queria de modo nenhum passar a ideia de alguma altivez, bem pelo contrário. O meu gosto pelas "artes do espectáculo" em meio escolar reforçaram-se numa escola com condições muito parecidas (para pior) à do Restelo. Duas vezes por ano, construíamos um palco no refeitório, um refeitório um pouco maior que o nosso. Juntávamos mesas, ligando os pés, cobria-se com papel de cenário, penduravam-se cortinas de flanela preta, montavam-se três ou quatro projectores, trazia-se o som, arrumavam-se as cadeiras em fileiras e "toc toc toc" as pancadinhas de Moliére soavam. O público tinha de chegar cedo para arranjar um lugar sem pilares a obstruir a visão, tinha de ser disciplinado se queria ouvir as falas; ainda assim, guardo na memória - e não serei a única (um bem-haja ao prof. José António, de Filosofia) - as belas produções que ali subiram ao "palco". E o refeitório enchia sempre.

apresentações

Estive ontem de manhã na escola da minha filha, o Liceu de Oeiras. Decorria, no ginásio, a apresentação dos trabalhos de Área de Projecto. Como se pode ver pelas fotos, todas as turmas estavam presentes com os diferentes grupos de trabalho. Num ambiente de feira, cada um cativava os passantes explicando o seu projecto, oferecendo folhetos, vendendo o seu produto.

Um prodígio de logística, conseguir organizar e alojar tantos grupos (ver as letras das turmas na parede, iam pelo menos até ao O, creio) num espaço reduzido como o ginásio. Não obstante o aparente caos era possível conversar e discutir ideias com os vários elementos presentes nos stands.

Penso que a apresentação - que se tinha iniciado na véspera às 6 da tarde e terminou ali às 15 (ou seja, menos de 24 horas) - não se esgotou no ginásio. Pelo que percebi, alguns projectos tinham produtos do género do nosso, isto é a apresentação coincide com o produto.

Continuo a achar que seria interessante (ou teria sido) apresentar o nosso produto também assim. O tal poster, vídeo de 5 minutos, por exemplo.

O ambiente que se vivia ontem naquele ginásio era inebriante, inspirador, saía-se de lá com vontade de fazer coisas.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

virou!

Uma animação. A qualidade técnica foi... hum, foi algo heterogénea. Juízo meu, é claro, mas acredito que algumas modalidades desportivas dão sempre gozo ao praticante. Este pode estar numa fase de iniciação, num nível intermédio ou avançado e tira sempre prazer da actividade. Incluo neste grupo, por exemplo, o badminton. O ténis já não; o ténis pode ser muito frustrante numa fase inicial, passamos mais tempo a recuperar as bolas do que a devolvê-las para o campo do colega.

Na dança, o equiparável será o folclore. Mesmo não sabendo dançar - o nosso caso, e tendo disso consciência - o nosso caso outra vez, ainda assim volteámos e saltitámos, marcámos com o pé, chocámos, perdemos o norte e o sul, tudo com um riso aberto e confiante.

A professora e seus ajudantes estavam serenos e isso foi-nos bom.

tournée

Amanhã, às duas e meia, vou à escola secundária do Restelo conversar com uma professora de área de projecto para estudarmos a viabilidade de lá apresentarmos uma versão redux do nosso espectáculo. Pelo que percebi, ao telefone, o palco deles é bastante pequeno. A data que lhes interessará será a terça feira de manhã, dia 3 de Junho. A mim parece-me bem.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

uma pessoa lê

e não acredita.

Mas deve ser verdade. Lembro-me de quando estava a tirar o curso (já lá vão quase três décadas), uma professora nossa que tinha estado uns tempos a leccionar numa universidade nos EUA, contou-nos que lá era exactamente assim, como aqui é descrito.

Demorou mas chegou, tudo cá chega.

Nem todos baixam os braços, felizmente, há ainda quem se indigne, quem não se resigne e que nesse não conformismo nos vá dando ânimo.

Perguntam-se " e o que temos nós a ver com isto?". Tudo.

terça-feira, 13 de maio de 2008


cartaz da Maria Almeida, 12º C.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

chula picada


Um momento de ensino da Chula Picada, dança originária da região do Minho (tal como o nosso querido O Malhão).

Este conjunto de duas aulas foi um magnífico exemplo daquilo que pode ser um bom projecto individual, dentro de uma Área de Projecto como a nossa. A Clara foi trabalhando com o grupo da turma mas por impossibilidades temporais - o seu estatuto de verdadeira trabalhadora estudante não lhe permitia comprometer-se com a produção do Ao ritmo do Camões - em determinado ponto teve de seguir o seu caminho.

Muito bem, como pudemos todos constatar na apresentação teóric; melhor ainda no dia do workshop, do seu workshop.

Não temos nenhuma foto da entrada do ginásio o que é pena. Foi-me muito grato ver ali, a certa altura, uma elevada concentração de batas azuis, as auxiliares sorrindo, os olhos brilhando e os pés a fugirem para o chinelo. Alguns professores que passavam por ali e não resistiram a voltear um pouco. Um, teve de ficar pouco tempo - afazeres prementes o chamavam - à despedida, sussurou-me "faz um rancho, eu estarei cá caído".

E nós, dentro do nosso "desajeitamento" lá fomos apanhando um pedaço da coreografia aqui, um passo ali. E divertimo-nos. Não que esse fosse o principal objectivo mas como disse a Clara, esta sessão tinha também como objectivo desmitificar "as figuras" que os jovens têm tanto receio de fazer.

Eu adoro folclore. Porque é difícil, porque são sempre danças de grupo, porque é belo, porque os dançarinos mesmo quando velhinhos parecem voar (em algumas danças, claro), pelos trajes, pelos adereços, pela energia.

E tem graça que todos nós somos naturalmente mais dotados para umas danças que outras. Vede a posição dos braços do Zé. Perfeita!

domingo, 11 de maio de 2008

mesa redonda


Vai realizar-se na próxima 4ª feira, dia 14, pelas 17 horas uma mesa redonda nos bancos de pedra, entre pavilhões de química e física. O intuito é fazer-se um debate sobre todo o projecto, suas mais valias, contributos, custos, dificuldades, bons momentos, maus momentos. O debate será moderado pela Rita, Inês Lx e Massita partindo das perguntas que todos elaboraram. Será filmado e a ideia é editar alguns momentos para constarem do DVD que está a ser montado pelo Carlos Vargas, da BeCre. Os extras, digamos assim.

Estão todos convidados a comparecer; no caso da adesão ser maciça, o grupo será dividido em dois ou três "bancos redondos" de modo a possibilitar uma conversa participada.

sábado, 10 de maio de 2008

fair use

Tenho aqui este link desde o início do ano. Aborda a questão dos direitos de autor mas o seu interesse vai bem para alem do tema. Tenho hesitado em o partilhar convosco apesar do assunto já ter sido abordado por nós diversas vezes.

Ontem, no jantar, as meninas cantaram uma das músicas aqui recriada com tanta garra - eu via-as e ouvia-as e rindo-me lembrava-me deste "talk". Dito assim, o pretexto parece uma futilidade, e provavelmente é, mas cá vai.

A propósito do assunto da propriedade intelectual e do seu uso justo, aqui será talvez uso ético, há dois dvd's com todas as fotos do espectáculo a circular. Tem fotos tiradas pelo José Alvega, Guilherme, prof. Lino. Usem-nas e abusem-nas mas se forem fazer uso público delas, dêem os devidos créditos.

Já sugeri que uma das tarefas que podem ainda fazer será um poster gigante, daqueles que por vezes estão na portaria, com a divulgação do projecto. Pode ser só espectáculo, pode ser espectáculo e workshops, pode incluir fotos das aulas. Quem quiser avançar, não se acanhe.

Quanto ao assunto de hoje, tenham paciência e vejam até ao fim. Acreditem que vale a pena. Reitero ainda que podem, deste vídeo, retirar muitas e boas ideias. Por exemplo, como conduzir uma apresentação. E como prepará-la. O relacionamento de diversos eventos, na aparência desconexos, pode sustentar o nosso argumento com maior eficácia que o esmiuçar palavroso. Por exemplo, a importância do estudo da história, saber dos acontecimentos passados, das suas causas e efeitos é precioso no entendimento do presente e na projecção do futuro.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

as boas intenções

não substituem a competência.

A palestra a que assistimos hoje à tarde, foi infelizmente, um exemplo do adágio que dá o mote a este post. Transbordante de boas intenções, falha (diria quase que) completa de eficácia. Aquele início com um vídeo - claramente falhado - do dia D, há onze anos atrás, em que as escolas pararam para reflectir (?) sobre as toxicodependências não me augurou nada de bom. Com efeito, na segunda feira, ao informar a turma da nossa escolha para assistirmos à sessão, fui questionada pela Joana "porquê?". Penso ter dado uma resposta minimamente convincente; na realidade, corria na minha cabeça o dito dia D. Para esse dia tive de convencer uma turma a "alinhar"; argumentei - são os pais que organizaram a sessão, eles conhecem-vos bem, será com certeza muito interessante, vai-nos ser útil, bla bla bla.

Foi inenarrável, nada que se compare a hoje. A duração foi mais do dobro, com a mania das pontualidades que vocês me conhecem, exigi-lhes que estivessem às dez - hora aprazada de começo, às 13h30mn ainda lá estávamos. Sem intervalo, nada. Horas e horas de slides, descrições técnicas, científicas, botânicas, eu sei lá, de cada droga. Discursos monocórdicos, imparáveis, uma torrente interminável de factos, causas, consequências, enfim, poupo-vos, tudo aquilo que uma sessão de divulgação/sensibilização não deve ser, aquela foi-o. Inflexível, não autorizei que nenhum deles saísse sob que pretexto fosse "meninos, temos de ser disciplinados, entramos à hora devida, saímos quando acabar".

Escrevo isto e sorrio. Onze anos depois, tenho uma postura diferente. Não sei se melhor. Na realidade, continuo a pensar que temos de nos disciplinar para aguentar "secas". Não podemos ter a postura mimada de que tudo tem de ser uma brincadeira, um jogo, tudo tem de ser aprazível. Pelo contrário.

Não obstante, acredito que temos de ser exigentes. E a exigência hoje manifestava-se pelo acto simples de não conceder mais um minuto de presença. Tive um bom amigo indiano, nado e criado no sul da Índia; era um apaixonado pela música, por (quase) toda a música, contava que lá, nos concertos, quando o público estava insatisfeito com a prestação dos músicos, o manifestava ruidosamente e o concerto terminava. Achei isto admirável, o não conformismo. Só um público informado, educado, o pode ser. Já li que em tempos também assim acontecia no S. Carlos - em vez de palmas corteses e indiferentes, uma pateada vigorosa, indignada!

A educação, tudo se resume a ela. Aqui, leia-se formação, claro está.

sábado, 3 de maio de 2008

jogos de sombras (2)

Estes, não obstante os óculos escuros, não metem medo a ninguém. Bom, a intenção não seria essa mas o olhar oculto introduz sempre um desiquilíbrio. Aqui desmentido pela postura, pela revista, pelo exibir ostensivo do cinto pelo André, pelo rastejar lá atrás do Nuno.

Fizeram este exercício, creio, no décimo ano em português. Escrever uma história, um poema a partir de uma imagem? No meu tempo não se fazia, devo estar a compensar essa ausência.

jogos de sombras

Algumas fotos parecem pinturas. Gosto desta. Deixa-nos apreensivos, que vem aí, quem vem lá? Uma única face iluminada, as outras sombreadas pelos chapéus. E mesmo aquela, bem séria. São mulheres mas trazem conigo uma aura ameaçadora. Não é bem a Mafia no feminino, a mim evoca-me mais o Lagardere. Que nem sequer era deste tempo, sim dos Mosqueteiros. Divagações inconsequentes...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

tempos de incerteza

No ano passado o meu irmão mais velho mandou-me um email com um anexo - um vídeo - que não abria no meu computador. Ouvia-se a música mas imagens - zero. Ele nunca me manda coisas (nenhum de nós tem esse hábito), o texto com que acompanhou o envio era de molde a despertar-me a curiosidade, a música (celta, creio) também. Ao fim de inúmeras tentativas frustradas, várias semanas no esforço, desisti e fui a casa dele ver o dito anexo.

Tinha a ver com educação, claro!, era no fundo uma apresentação com dados estatísticos que nos faziam pensar. Tenho um péssima memória para estas coisas, não me lembro dos números, sim da ideia base - a certeza da incerteza do futuro. Os empregos para os quais vocês se vão candidatar não existem hoje. Não falava de posições, sim de tipos de trabalho. Não era um vídeo pessimista ou derrotista, pelo contrário. Muito estimulante tal como este debate que tenho vindo a seguir. Alguns de vocês querem seguir para arquitectura, quem sabe não virão a participar em projectos que nos trarão - aos que ficam - um ambiente melhor.

E hoje, seguindo outro caminho - mergulhando no interior para lá do invólucro e mantendo o optimismo, parece legitimar um pouco mais (como se fosse preciso) o nosso projecto. A criatividade. O risco. Mas vou citar, recomendando a leitura integral bem como o visionamento do vídeo que lá está (já o vi há uns tempos, irei também revê-lo).
Uma Escola que tem de servir de abrigo para a experimentação e a expressão de formas de inteligência bem diferentes daquelas promovidas por modelos passados. Um lugar onde o objectivo não se pode resumir a evitar o erro; antes promover o risco, a originalidade, a criatividade.

Para terminar, este debate dos edifícios escolares é-nos particularmente interessante na medida em que é suposto, no próximo ano lectivo, iniciarmos as comemorações dos 100 anos do edifício do Liceu Camões. Aliás, o projecto da dança irá, em princípio, focalizar-se nesse tema - 100 anos de danças.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

candy woman


Outro registo - o prazer genuíno, intrínseco da dança. O brilho do olhos estendendo-se ao sorriso, a alegria de estar no palco.

química

Certo, eles começaram um passo à frente da generalidade dos pares. Nem tinham que representar, bastava viver. Pois. Mas não seria fácil nem para todos (ali no palco, defronte de tantos olhos, debaixo das luzes) e eles fizeram-no e bem. A química, a cumplicidade entre ambos foi o que se viu, o que se vê.

custos ocultos

e benefícios diferidos.

Acabei de entregar a minha declaração de irs. Fora de prazo, daqui a uns meses recebo uma carta registada que terei de ir levantar aos correios porque ninguém estava em casa para assinar o aviso de recepção. Irei pagar a multa, consolando-me para dentro "é mais barato que a conta do psiquiatra". Chega-se a uma idade em que percebemos que mais vale deixar fugir uma ponta aqui, outra ali. A bem da sanidade mental. Só hoje tive cabeça - e tempo ininterrupto (6 horas para ser precisa) - para me dedicar ao preenchimento do modelo 3 e seus anexos. Deduções, 5%, 21% essas coisas.

Amanhã e depois vou dedicar-me ao relatório. Para esse, preciso de algum tempo de distanciamento. Logo, logo a seguir, ainda está tudo demasiado quente, as impressões atropelam-se, os incidentes parecem graves em desproporção. Depois, a poeira assenta e a análise mais fria tem lugar para acontecer.

Vocês têm muitos trabalhos agora, é verdade. Mas por outro lado, com um pouco de disciplina - por exemplo, escrever uma folha por dia ou os tópicos hoje e um ponto por dia a seguir - conseguirão pela certa fazer um melhor trabalho, mais reflectido, mais maduro que escrever um relatório numa noite.

A multa será o menor dos meus custos ocultos deste projecto. Espero que vocês não tenham nenhum; pelo contrário, não tenho dúvida que os benefícios - ainda que largamente diferidos no tempo - suplantarão aqueles.


Não está uma boa foto, nenhuma está. Mas gosto - e sei que me repito - desta sensação de movimento. Os saltos. Compreendam e perdoem esta fixação, alguma reminiscência da educação física com certeza. Uma das modalidades que mais gostava de dar era o atletismo com as suas provas técnicas; aqui no Camões, sabemos que não é possível. O salto da Flávia, com a sua altura (impressionante!) e leveza lembram o segundo salto do triplo. Hop, step, jump. É o step. Os outros, nas suas figuras abertas, expressivas são belos exemplos de contemporânea.