Tal como ter uma boa dicção é fundamental para o ouvinte entender as palavras e captar a mensagem (não estou a negligenciar a organização das ideias, pelo contrário, mas considero que virá no momento imediatamente a seguir), o mesmo acontece num texto escrito. Uma boa caligrafia é um regalo para os olhos - para os orientais é arte, basta-se em si própria - e porta de entrada no texto. Em computador a clareza do texto depende do tipo de letra, do tamanho, do entrelinhamento, da largura de coluna, dos espaços em branco. Não sei o suficiente para vos arengar (uff...) mas alguns conselhos poderão aproveitar.
Evitem tanto quanto possível (sempre) o sublinhado. Experimentem escrever o mesmo título com sublinhado ou sem e verifiquem (com um olhar fresco, despreconceituoso) qual se lê melhor. Eliminem as caixinhas à volta das palavras; a caixa arrasta consigo uma aura de defunto, não será essa a imagem que, com certeza, quererão dar aos vossos títulos.
Vejam, vejam muito. Abram documentos e procurem perceber quais lêem melhor, com mais facilidade, com mais gosto. O olhar educa-se.
A apresentação conta. Numa folha de exame, o avaliador respeitará à partida mais o texto que se apresente limpo, sem rasuras, uma caligrafia ordenada a reflectir arrumação de ideias.
Em textos escritos em computador podem fazer as experiências que quiserem mas no final olhem com olhos de ver para a limpeza da folha (das folhas) que redigiram. E não tenham medo dos espaços em branco, eles não precisam de ser cheios com bonecada ou com títulos ondulantes qual carrossel em feira de verão.
ps. para quem gosta do tema da caligrafia recomendo um filme lindíssimo (penso que já todos terão idade para ver) de Peter Greenaway - The pillow book.