Uma das personagens do filme Michael Clayton tem as suas intervenções mais memoráveis - juízo meu, claro - na preparação das suas intervenções. Um espelho dentro de um espelho. Falo de Tilda Swinton (que ganhou um oscar precisamente por este papel) desempenhando o papel de uma advogada ao serviço de uma companhia de adubos envolvida num daqueles processos colctivos de ameaça à saúde pública. Ela é a "cara", tem de negociar com queixosos e executivos da empresa.
As cenas dela de frente ao espelho preparando, repetindo o que irá depois dizer em público estão muito bem conseguidas e penso, serão um retrato fiel de muitos executivos, investigadores, arguentes, professores, alunos.
[aqui em casa elas treinam comigo (e entre elas) a apresentação dos seus livros, eu pratico com elas alguns dos passos que depois trabalhamos nas vossas aulas]
Quanto mais se trabalhar as apresentações mais preparados ficaremos para responder a qualquer imprevisto.
Sugiro que as pessoas que vão conduzir o workshop façam várias sessões de treino com as mães, os pais, irmãos, os vizinhos (quiçá um bom pretexto para iniciar um contacto...). Não resolverão todos os problemas (nomeadamente o da condução de grandes grupos) mas ganharão desenvoltura, confiança e tolerância. Treinar entre nós é o melhor numa fase inicial pois os colegas perdoam os erros mas não nos dá uma noção real das dificuldades que vamos encontrar. Todos nós já estamos - em termos de noções de ritmo, equilíbrio, transferências de peso - a anos luz de Setembro.
Ah, e cronometrem o tempo e peçam que vos apontem as vossas "bengalas", por exemplo, aaaaaaaahhhh, né, ok.