sábado, 5 de janeiro de 2008

sonhos

Na quinta feira, de passagem, um de vocês, alguém, perguntou-me em tom simpático (mas o conteúdo era provocatório) "porque é que só nós é que aparecemos?" (talvez a formulação da pergunta não fosse esta, seria algo de semelhante, estou a ser fiel ao significado).

Não respondi, podia ter respondido no mesmo tom de desafio "porque foram sobre vocês as melhores fotografias, o que não quer dizer que o vosso trabalho fosse o melhor. Pelo contrário".

Abro novo parentisis antes de continuar o raciocínio - aqui há uns anos, sem pensar em todas as implicações (éticas, sobretudo) aderi ao Napster. Suponho que sejam todos demasiado novos para o Napster (penso que terá sido o primeiro grande programa de partilha de ficheiros), lembro-me de uma música que descarreguei. Não era bem uma música, seria mais um texto musicado. Lido pelo actor Richard Harris (interpretou Dumbledore, creio, no Harry Potter) contava a última aula de um professor a quem, a direcção da escola dispensava - por excesso de idade - no ano lectivo seguinte. É um texto muito bonito, ouve-se o barulho do projector de slides em fundo, o professor vai discorrendo sobre cada um. Faz a sua despedida, partilhando as suas viagens - a sua viagem? - com os alunos.

Faço parágrafo, para explicar o porquê desta memória - é que a determinada altura, aparece o Grand Canyon, nos Estados Unidos. Ele fala sobre ele e diz algo como "virtually unphotographable at any given time". De facto, não é possível uma fotografia, qualquer que seja o ponto de vista, a altitude, a hora do dia, captar algo de tão magnificente como o Grand Canyon. Nunca lá estive mas sei como é. Não há fotografia alguma que capte a aura do Guincho. E falamos de mil metros de praia. (serão mais?).

Do mesmo modo, as peças finais foram infotografáveis. Não obstante, algumas fotos resultaram.

Posto isto, e parecendo ter pouca relação (a relação é talvez o efeito que a provocação causou, presumo que algo de adolescente remanesce em mim) venho aqui partilhar convosco. É que chega a esta fase e desato a sonhar com coreografias. É muito engraçado acordar de manhã (e não, não foi agora, já estou na fase da vida em que se acorda cedo mesmo deitando tarde) e lembrar-me das coreografias das danças. A de hoje era espectacular, cheia de movimento e sim, tinha os rapazes como protagonistas. Talvez por serem um minoria e eu ter especial afecto pelas minorias, sejam elas quais forem. (as meninas que me perdoem, apelo à vossa compreensão - no 12º h, tem sucedido o contrário, elas são bem menos que eles). Seja como for, era uma coreografia baseada no andebol, era um andebol bailado, exagerado mas com extremo bom gosto, não tinha bola, claro, estava espectacular! (outro parentisis, eu nem gosto de andebol). Eram os corpos jogando-se no ar, o Nuno (agora infelizmente lesionado, deve ter sido por isso que mereceu o destaque) elevando-se e caindo enrolado com absoluto controlo, qual primeiro bailarino.

Sem fotos hoje, não quero provocar mais ninguém e esperando que entendam o desabafo.