
"Antes de tudo o mais, ao apreciar uma obra balética deve o espectador olhar para a qualidade e valor da Dança em que ela assenta e só depois atender aos restantes elementos que a compõem... porque, quer se queira quer não, a base de toda a obra balética é a Dança e só em função da qualidade desta ela pode ser julgada."
in O que é o Ballet, de Tomás Ribas
E é a última citação, vou agora devolver o livro (e a cassete de disco dance).
Matéria para pensar, esta. À partida, tendo a concordar por inteiro. Depois, vem o mas. Lembro-me de um trabalho muito bom do ano passado, talvez até o melhor dos de contemporânea do Dança, Camões! - o Hunter, protagonizado pela Ana, Catarina, Carolina, Ivo e Patrícia. A qualidade da dança foi magnífica, os figurinos estavam também muito bem, coerentes com a peça, apelativos. Não obstante, a iluminação desadequada, desenxabida em conjunto com a ausência de um cenário, retirou à peça boa parte do impacto. Não sei quantos de vocês, dos que assistiram, saibam do que estou a falar. À laia de ilustração (e também de homenagem, claro, adorei a peça) junto duas fotos tiradas pela prof. Margarida Ramsy. Sem elas, alguém que só tivesse visto o espectáculo uma única vez, recordar-se-ia?
De qualquer modo, o contrário nunca é verdade. Um grande aparato não evita o bocejo de uma dança pobre.
Recomendo a re-visualização do Hunter - no DVD do espectáculo que está na BeCre.